O CENTENÁRIO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Joseth Coutinho de Freitas
Poeta e prosador brasileiro, mineiro de Itabira do Mato Dentro,
nascido em 31 de outubro de 1902, Carlos Drummond de Andrade,
descendia de fazendeiros, porém nunca se interessou pela
vida do campo. Integrava o “grupo mineiro” do modernismo,
que fundou, em 1925, A Revista, órgão de combate
ao passadismo em Minas. Inicialmente, estudou na sua cidade
natal e, aos 18 anos foi para Belo Horizonte e Nova Friburgo
- RJ, cursando o Colégio Anchieta, dos jesuítas.
Estranho que, face a um incidente, foi expulso por “insubordinação
mental”, voltando para a cidade mineira, iniciando sua
vida de escritor.
Colaborou no Diário de Minas, órgão do
Partido Republicano Mineiro, através de crônicas
e artigos, correspondia-se com escritores do Rio de Janeiro
e de São Paulo. Suas produções eram dirigidas
pelo intelectual Álvaro Moreira. Foi redator da Revista
do Ensino, órgão da Secretaria de Educação
do Estado de Minas Gerais. Colou grau em Farmácia (1925)
para agradar o pai, mas nunca exerceu a profissão. Seu
principal livro Alguma Poesia fez sucesso, embora tenha editado
a publicação até 1930 com tiragem de 500
exemplares com selo editorial de fantasia, criação
do bibliófilo Eduardo Frieiro.
A seguir, publicou Brejo das Almas. Em A Rosa do Povo (1945),
Drummond atinge a mais alta realização e uma linguagem
mais apurada. Mantendo o mesmo nível artístico
apresenta peças de cunho prático. Já em
Novos Poemas a temática social quase desaparece. Drummond
faz desaparecer nas suas novas produções o espírito
agressivo dos poemas de guerra como se nota nos livros Claro
Enigma e A Vida Passada a Limpo e, posteriormente, Lição
de Coisas.
Sua obra em prosa aproxima-se ao nível de sua poesia
como Contos de Aprendiz (1951), Claro Enigma. No gênero
de crônica destacam-se cinco livros, Confissões
de Minas (1944), Passeios na Ilha (1952), Fala, Amendoeira (1957),
A Bolsa & a Vida (1962), Cadeira de Balanço (1966).
Carlos Drummond de Andrade tem sido traduzido em várias
línguas, em jornais, revistas, antologias, em vários
países europeus e americanos. Não há dúvida
tratar-se de um dos maiores poetas brasileiro contemporâneos.
Podemos lembrar seus sucessos poéticos: o livro de estreia
Alguma Poesia (1930), Brejo das Almas (1934), Sentimento do
Mundo (1940), Poesias (1942), A Rosa do Povo (1945), Poesia
até Agora (1948), A Mesa (1951), Claro Enigma (1951),
Viola de Bolso (1952), Fazendeiro do Ar & Poesia até
Agora (1954), Ciclo (1957), Fala, Amendoeira (1957), Poemas
(1959), Lições de Coisas (1962), Antologia Poética
(1962), Obra Completa (1964), José & outros (1967),
Versiprosa (1967), Reunião (1969), Caminhos de João
Brandão (1970), A Paixão Medida (1980), Amar se
Aprende Amando (1984), O Observador no Escritório (1985),
Tempo Vida Poesia (1986).
O filme O Padre e a Moça (1966), de Joaquim Pedro de
Andrade, baseia-se em poema homônimo seu. Em fins de 1968
surgiu Boitempo & A Falta que Ama, Memórias Poéticas
e Outros Poemas. Carlos Drummond de Andrade, uma das maiores
figuras do Modernismo, de que veio a seu uma das expressões,
era um poeta sarcástico, irônico e cheio de humor.
Usou pseudônimos Antonio Crispim e Fato Félix.
Como cronista, comentava os acontecimentos com ironia, deixando
sempre ver a sua preocupação com o autêntico,
com as coisas essenciais do homem. Como poeta, desde a estréia
era grande e assim foi seu caminho até a definitiva consagração.
Com a publicação de “No Meio do Caminho”,
na Revista Antropofagia, em 1928, ganhou notoriedade.
Grande poeta entre os maiores do século XX distingue-se
pela capacidade de fazer com a poesia, uma síntese do
seu tempo, entre racionalismo e lirismo, revolta e conformismo,
angústia e humor.
Após sua morte foi publicado Farewell, em 1997, mais
um livro de poesia; depois O Avesso das Coisas, Moça
Deitada na Grama, Poesia Errante e O Amor Natural, que ganhou
o Prêmio Jabuti de Poesia, em 1993. Faleceu Carlos Drummond
de Andrade, em Minas Gerais, em 1987, no dia 13 de janeiro.
O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a lei nº
10.401, de 7 de janeiro, que instituiu 2002 como o “Ano
Nacional de Carlos Drummond de Andrade”.
Nono filho do fazendeiro Carlos de Paula Andrade e de Julieta
Augusta Drummond de Andrade, teve seus primeiros poemas publicados
em 1921, antes de concluir os estudos, no jornal Diário
de Minas. Lecionou Português e Geografia em Itabira, ingressou
no serviço público em 1934 e seguiu essa carreira
até a aposentadoria em 1962. Traduziu para o Português
Balzac, Prout (é dele a tradução de A Fugitiva),
Garcia Lorca e Molière, entre outros.
Recusou indicação para a Academia Brasileira
de Letras e o Prêmio Brasília de Literatura. Aceitou,
porém, os prêmios Fernando Chinaglia, da União
Brasileira de Escritores (UBE) e Luisa Claudia de Sousa do PEN
Clube do Brasil em 1963, o Prêmio Nacional Walmap de Literatura
em 1975 e os prêmios Estácio de Sá de Jornalismo
e Morgado Mateus (de Portugal) de poesia, em 1980.