ENTREVISTA
CMG
LUIZ AUGUSTO OLIVEIRA DE FREITAS
Capitão dos Portos do Estado do
Maranhão
no período
de 2004 a 2006
Carioca
do Rio de Janeiro, Luiz Augusto Oliveira de Freitas, 48 anos,
é uma dessas pessoas que honra as calcas que veste, ou
melhor, a farda que veste. Marinheiro de coração
e vocação, ele vestiu a primeira farda marinheira
no dia 01 de março de 1973, Desde então, mudaram
as divisas, as patentes, mas a cor branca permanece a mesma
há exatos 33 anos. Hoje o menino que quis ser marinheiro
por influência da mãe – que achava lindo
aquele uniforme branco – é Capitão-de-Mar-e-Guerra
e está as vésperas de passar o Comando da Capitania
dos Portos do Maranhão, cargo que ocupou nos últimos
dois anos. Nascido em 04 de junho de 1957, foi estudante em
dois dos mais tradicionais colégios do Rio de Janeiro:
o São Francisco de Assis e o Rivadávia Correia.
Em seguida fez o Curso Tamandaré que o prepararia para
o mais importante passo da sua vida: Se alistar na Marinha de
Guerra do Brasil. A porta de entrada tinha um nome e um desafio.
O nome: Colégio Naval de Angra dos Reis. O desafio: passar
no concurso onde 2 mil jovens disputavam 200 vagas. Ele atravessou
os dois. Nessa entrevista, o Comandante Freitas – que
no próximo dia 17 passa o Comando da CPMA ao seu colega
de farda e patente Ricardo Achilles de Faria Mello - fala da
sua vida, dos seus sonhos, e, principalmente, da sua administração
à frente da Capitania dos Portos do Maranhão.
“Ser
marinheiro não é apenas ter uma profissão,
é
optar por uma forma de vida especial”
Por
Carlos Andrade, da Redação
PORTOSMA
- Sua influência de ser marinheiro tem
origem onde exatamente?
Comandante FREITAS
- Não tenho parentes na Marinha, mas na ocasião
meus primos tinham um tio que era engenheiro naval. A escolha
de ser marinheiro veio por influência direta de minha
mãe que admirava esse militar, e acreditava ser a Marinha
uma chance para que eu alcançasse sucesso pessoal e profissional.
Naquela época, com apenas 14 anos, nada conhecia sobre
a carreira. O que me influenciava era a possibilidade de vestir
o uniforme branco, e poder viajar pelo Brasil e pelo mundo.
Fascinava-me poder conhecer novos horizontes, superar limites,
o que dificilmente poderia fazer de outra forma, por ser minha
família bastante modesta. Na ocasião do concurso
para a Marinha, minha mãe já era viúva
- meu pai faleceu quando eu tinha 11 anos - e trabalhava duro
para sustentar a mim, minha irmã e avó doente.
Foi uma época muito difícil.
PORTOSMA
- E a sua irmã,
também é da Marinha?
Comandante FREITAS
- Não. Ela fez opção pela área médica
e hoje é Terapeuta Ocupacional, com especialidade Alzheimer.
Atende em clínicas, hospitais e de forma particular no
Rio de Janeiro.
PORTOSMA
- Já na
Marinha, como foi sua trajetória, da Escola Naval até
o posto de Capitão de mar e Guerra?
Comandante FREITAS
- Fui nomeado Guarda-Marinha em 13 de dezembro de 1978, após
2 anos de estudos no Colégio Naval e outros 4 na Escola
Naval. Embarquei no navio-escola
Custódio
de Melo onde fiz a Viagem de Instrução pela África,
Europa e Estados Unidos. Aquela era a primeira vez na vida que
saía do Brasil e a emoção foi muito grande,
até mesmo porque passaria 6 meses viajando e longe da
família. Em agosto do mesmo ano embarquei, já
como Segundo-Tenente, no Contratorpedeiro Alagoas onde servi
até 1981. A partir de então passei pelo Centro
de Instrução Almirante Wandenkolk, onde cursei
Comunicações.
PORTOSMA
- O Senhor exerceu
em algum momento essa formação a bordo?
Comandante FREITAS
- Fui Encarregado da Divisão de Comunicações
no contratorpedeiro Mato Grosso. Depois trabalhei em diversas
unidades da Marinha, exercendo alguns cargos como o de Imediato
na Corveta Angustura; Comandante no Navio-Patrulha Piratini;
Imediato na Estação Rádio da Marinha em
Brasília; Oficial Aluno da Escola de Guerra Naval; Chefe
de Operação do Navio de Desembarque Doca Ceará;
Encarregado da turma de Guardas-Marinha do Navio Escola Brasil.
Servi ainda no Comando do Terceiro Distrito Naval; Fui Encarregado
da Seção de Operações do Estado-Maior
e Ajudante na Capitania dos Portos de Pernambuco. Depois, retornei
ao Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, onde
fui Superintendente de Ensino e, promovido a Capitão-de-Mar-e-Guerra,
passei a exercer o cargo de Imediato.
PORTOSMA
- A Capitania
maranhense foi então seu primeiro comando em terra. Onde
o senhor estava quando ouviu falar pela primeira vez que seria
o Capitão dos Portos do Estado do Maranhão?
Comandante FREITAS
- Exato. Porém, antes de assumir a CPMA tive uma experiência
na Capitania de Pernambuco, onde servir como Ajudante no período
de 1998 a 2001, o que
certamente
me deu bastante experiência sobre os assuntos que seriam
tratados durante o Comando em São Luis. Soube que seria
o Capitão dos Portos do Maranhão quando estava
fazendo o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia
da Escola Superior de Guerra. No momento em que recebi a notícia
pelo meu encarregado de turma, o então Contra-Almirante
Eduardo Monteiro Lopes, estava realizando uma visita de estudos
à Academia Militar das Agulhas Negras.
PORTOSMA
- Qual a sua
reação e da família?
Comandante FREITAS
- Num primeiro momento fiquei surpreso, pois apesar de ter sido
voluntário para o Cargo não esperava receber tamanha
mostra de confiança do Comandante da Marinha. Mas me
lembro que, refeito do susto, telefonei imediatamente para minha
esposa e juntos choramos emocionados de tão felizes e
agradecidos.
PORTOSMA
- O que o Senhor
sabia da cidade onde iria passar os próximos dois anos?
Comandante FREITAS
- Conhecia São Luís muito superficialmente, pois
quando comandei o
Navio-Patrulha
Piratini entre 1988 e 1989, em Belém, tinha tido a oportunidade
de visitar a cidade em uma operação naval. No
mais, procurei acompanhar alguns capítulos de uma novela
que passava na TV Globo em 2003, que mostrava partes da cidade
e dos lençóis maranhenses. Também passei
a ler diariamente o jornal O Estado do Maranhão - pela
Internet - buscando identificar-me com o dia-a-dia do Maranhão
e, mais especificamente, de São Luís. Durante
essa fase procurei listar as pessoas que deveria conhecer imediatamente
como forma de facilitar minhas ações no Comando,
e após chegar aqui segui rigorosamente o planejado.
PORTOSMA
- Até o comando em São Luís
qual havia sido seu maior desafio?
Comandante FREITAS
- Creio que se tivesse de escolher um, escolheria o cargo de
Encarregado da turma de Guardas-Marinha de 1994, quando da viagem
de instrução a bordo do Navio-Escola Brasil em
95. Ser encarregado e responsável pela formação
dos futuros Oficiais da Marinha é uma tremenda responsabilidade.
Você é observado 24 horas por dia em qualquer de
suas ações ou omissões, com a obrigação
de transmitir o que de melhor pode ser um Oficial, mostrando
o que deve e não deve ser feito ao longo da carreira.
Foi uma experiência muito enriquecedora.
PORTOSMA
- Em algum momento
o senhor pensou em desistir de ser marinheiro?
Comandante FREITAS
- Nunca. Jamais isso passou pela minha cabeça. E se voltasse
no tempo faria tudo igual. Ou seja, voltaria a ser marinheiro.
PORTOSMA
- Das coisas
que a Marinha lhe ensinou, qual o senhor considera a mais relevante?
Comandante FREITAS
- A perfeita noção de responsabilidade, por seus
atos, omissões, decisões, e pelas pessoas que
lhe estão subordinadas. Aprendi que responsabilidade
não se delega e que devemos aceitar riscos se queremos
alcançar as metas traçadas.
PORTOSMA
- A Marinha em
algum momento da carreira foi injusta com o Senhor?
Comandante FREITAS
- Já houve momentos em que esperei mais. Porém
não posso reclamar, pois a Marinha possui critérios
corretos de avaliação que visam exatamente evitar
as
injustiças. Mas esperar mais é natural do ser
humano. Considero que a Marinha, em sua justa medida, me permitiu
o que fiz por merecer.
PORTOSMA
- Comando em
São Luís. Como o senhor se preparou para esse
desafio?
Comandante FREITAS
- No tocante às atribuições como Capitão
dos Portos, busquei estudar as Normas da Autoridade Marítima
além das principais Leis e regulamentos que deveria seguir
e fazer cumprir. Ao assumir o cargo tracei metas a serem alcançadas
e as persegui incansavelmente. Tive o prazer de superá-las
nos dois anos à frente da organização.
PORTOSMA
- A decisão
de vir para o Maranhão foi de consenso ou foi uma determinação
dos seus superiores?
Comandante FREITAS
- Na verdade tive várias opções e a escolha
da capital maranhense foi voluntária. Eu quis vir. Me
foi dada a chance de escolher em uma lista de possibilidades
que incluíam outras organizações em outras
cidades ao longo do Brasil. A CPMA era um desafio que eu estava
disposto a vencer, uma experiência impagável, uma
oportunidade que não podia deixar passar.
PORTOSMA
- Se não
fosse São Luís seria...
Comandante FREITAS
- Se não fosse aqui gostaria de ter sido Capitão
dos Portos em Pernambuco, terra natal de minha esposa e meu
filho e onde possuo parentes e amigos.
PORTOSMA
- Qual a primeira
e mais marcante impressão que a Ilha causou?
Comandante FREITAS
- A limpeza da cidade. Cheguei aqui em plena época do
carnaval 2004 e via a empresa que fazia a coleta de lixo e limpeza
das ruas atuando imediatamente após as festas. As limpíssimas
logo pela manhã. Isso me marcou bastante.
PORTOSMA
- A Capitania
que o Senhor recebeu é diferente da que estará
entregando no próximo dia 17 ao seu sucessor, o CMG Ricardo
Achilles de Faria Mello?
Comandante FREITAS
- Meu antecessor fez o que estava a seu alcance para passar-me
uma
Capitania organizada e bem estruturada. Dessa forma foi fácil
cumprir minha missão, fazendo apenas as adaptações
necessárias para tentar tornar a Organização
mais eficiente. Mudanças são sempre bem-vindas
e já começam com a troca do Comando, quando o
substituto busca imprimir a sua forma de comandar, tentando
sempre melhorar algo que possa ter passado desapercebido por
seu antecessor. A CPMA hoje, eu diria, está bem diferente,
pois possui a minha personalidade. Mas com certeza muito há
ainda por fazer e que certamente será feito por meu sucessor.
PORTOSMA
- O complexo
portuário maranhense abriga grandes empresas, fundamentais
na balança de exportação. Como isso pesa
nos ombros de um Capitão dos Portos?
Comandante FREITAS
- Não pesa. Existem normas claras da Autoridade Marítima
e da própria Capitania dos Portos sobre os procedimentos
que devem ser adotados por cada um que opera nessa área.
Todos conhecem perfeitamente bem essas normas e o relacionamento
franco e aberto entre a Capitania dos Portos e a comunidade
marítima e portuária contribui decisivamente para
a correta operação do Porto do Itaqui. Quando
existem dúvidas sobre quaisquer procedimentos, elas são
tiradas pelo pessoal da Capitania com a devida antecedência,
de forma que não há casos de prejuízos
às atividades portuárias registrados na CPMA.
PORTOSMA
- A variação
da nossa maré representou alguma novidade em sua formação
de homem do mar?
Comandante FREITAS
- Eu não diria novidade mas, sem dúvidas, tivemos
de fazer as adaptações necessárias às
nossas operações, principalmente visando a manutenção
da segurança da navegação e a salvaguarda
da vida humana no mar. A primeira providência foi a elaboração
do Plano de Auxílio Mútuo Marítimo e Fluvial
da CPMA, plano esse que prevê o emprego, pela Capitania,
de embarcações civis pertencentes a empresas privadas
em casos de justificada emergência. Um exemplo foi o naufrágio
da biana Estrela da Guia I, em setembro de 2004, quando utilizamos
um rebocador do Consórcio de Rebocadores da Baía
de São Marcos e uma lancha da SERVPRAT para ajudar nossas
lanchas nas buscas.
PORTOSMA
- Quais as realizações na nossa
CPMA que mais lhe deram prazer?
Comandante FREITAS
- Posso citar três projetos: (a) A Escola vem
à Marinha - Iniciado em agosto de 2004, visa
a integração de jovens alunos dos Ensinos Fundamental
e Médio das
escolas
das redes pública e privada, com a Marinha do Brasil,
despertando o civismo, o respeito à segurança
da navegação e o interesse em ingressar na carreira
naval. Em 18 meses recebemos quase 900 jovens em nossas instalações.
(b) Adote uma Sala -Visa a melhoria de nossas
instalações e equipamentos utilizados para o ensino,
proporcionando uma melhor qualidade na formação
dos profissionais da área marítima. (c) Patrulhamento
do Rio Preguiças - Utilizando de modernas Lanchas-Patrulha,
o projeto – realizado pela primeira vez na história
da Capitania - foi iniciado em agosto de 2004, proporcionando
um notável incremento na segurança da navegação
daquela importante hidrovia.
PORTOSMA
- O que o senhor
pensou em fazer durante seu comando e não conseguiu?
Comandante FREITAS
- Posso me considerar um felizardo por ter conseguido levar
adiante todos os projetos que me propus a executar, e para tal
contei com imensa dose de boa vontade dos parceiros da comunidade
marítima ludovicense. Porém não foi possível
colocar em vigor as novas Normas e Procedimentos para a CPMA.
Este projeto foi concluído em outubro de 2005 e ainda
se encontra em fase de avaliação pela Diretoria
de Portos e Costas. Gostaria
de
tê-las posto em vigor durante meu Comando por ter trabalhado
nelas pessoalmente desde setembro de 2003, quando ainda me encontrava
no Rio de Janeiro.
PORTOSMA
- Qual a real
situação da área da Marinha que antes abrigava
o SSN-42, localizada dentro do perímetro do porto organizado
do Itaqui?
Comandante FREITAS
- Atualmente está arrendada a uma empresa privada que
nela pretende instalar um empreendimento ligado á área
marítima. Falta, no entanto, resolver algumas pendências
com a Prefeitura de São Luís.
PORTOSMA
- O seu comando
não enfrentou grandes problemas, exceto alguns naufrágios
como o caso da Biana de Ribamar. O senhor tem uma explicação
pra esse fato positivo?
Comandante FREITAS
- Os naufrágios foram casos que não puderam ser
evitados pela Capitania, em que pese as inúmeras campanhas
de conscientização que fazemos diariamente visando
que não ocorram. Reconheço que a avaliação
seja positiva. Os problemas que surgiram foram contornados com
muito trabalho e diálogo com os diversos setores envolvidos.
A CPMA desfruta de um excelente relacionamento com a comunidade
marítima maranhense e com os diversos setores ligados
à atividade, o que facilita a condução
e solução de qualquer crise. Diria que o relacionamento
profissional e harmônico com nossa Comunidade Marítima
contribuiu de forma decisiva para ampliar os padrões
de segurança da navegação em nossa jurisdição.
PORTOSMA
- A Capitania
chegou a ter um grupo de casas no bairro do Cohatrac. Por que
ela se desfez dessa que parecia ser uma conquista?
Comandante FREITAS
- A extinção do antigo SSN-42 e a transferência
de seu pessoal para Belém e outras cidades no ano de
2001 fez com que a Capitania dos Portos do Maranhão ficasse
sem ter pessoal suficiente para nele residir. Sem recursos financeiros
para mantê-lo fechado, a alta Administração
Naval achou por bem que deveria repassa-lo ao Exército.
Foi
então
oficializado um acordo e aquelas residências foram passadas
a responsabilidade do 24º Batalhão de Caçadores
por meio de cessão de uso. Ou seja, as casas estão
sendo usadas pelo Exército mas continuam pertencendo
à Marinha do Brasil.
PORTOSMA
- Uma das suas parceiras em São Luís foi a Soamar.
Quais as lembranças que o senhor leva da nossa Sociedade
Amigos da Marinha?
Comandante FREITAS
- A Soamar do Maranhão tem sido uma excelente parceira
na condução do Projeto Mearim, realizado a cada
ano com a determinação do empresário Zildêni
Falcão. A Soamar exerce também um papel fundamental
na ligação com o Comando do 4º Distrito Naval,
no planejamento e na reunião dos recursos materiais e
humanos da Marinha. Essa operação vem crescendo
e guardarei a lembrança de ter contribuído para
esse crescimento em 2004 e 2005. Outro destaque fica por conta
dos soamarinos Carlos Alberto Ramos e da Professora Joseth Coutinho
com o Projeto "A Escola vem à Marinha". As
ações possibilitam orientações e
coordenações de visitas ao Museu Marítimo
e administração de palestras sobre os patronos
das escolas visitantes, contribuindo, dessa forma, para despertar
o interesse dos alunos para aquilo que o projeto se propõe.
PORTOSMA
- O Senhor já conhecia o trabalho da Soamar/Ma antes?
Comandante FREITAS
- Na verdade, ao vir para o Maranhão em 2004, ouvia falar
de uma Soamar atuante e participativa, parceira inseparável
da Capitania em outras épocas. Infelizmente, nossa querida
entidade vem atravessando um delicado período de reestruturação
conduzida com carinho pelo atual Presidente, o empresário
Jorge Afonso. Estou certo de que isso será conseguido
com persistência e determinação, e para
tal, creio que deva ser avaliada a necessidade de renovação
em seu quadro de associados. Tenho certeza de que a Soamar do
Maranhão tem um futuro brilhante. Torço para que
isso aconteça em breve espaço de tempo. Aos Soamarinos
deixo minha eterna gratidão pela amizade e apreço
com que sempre me distinguiram e à minha família,
tornando nossa estadia em São Luís a mais agradável
possível.
PORTOSMA
- O que o Senhor
tem a dizer a um jovem que quer ser marinheiro?
Comandante FREITAS
- Diria a ele que nós marinheiros somos integrantes de
uma Instituição em que o trabalho é encarado
como vocação. A coragem para desafiar dificuldades
é uma prática diária, assim como a opção
pela evolução é uma escolha histórica.
Diria ainda que a Marinha do Brasil é uma das melhores
escolhas profissionais que ele poderia fazer, e que ser marinheiro
não é apenas ter uma profissão, é
optar por uma forma de vida especial. Considero-me um privilegiado
por pertencer à Marinha do Brasil, e, se tivesse de recomeçar,
faria tudo novamente.
PORTOSMA
- Onde o Senhor estará depois do dia 17 de fevereiro?
Comandante FREITAS
- Permanecerei em São Luís até o dia 23.
Depois sigo viagem para Brasília, passando antes por
Recife onde pretendo descansar por uns dias e rever familiares
e amigos. De volta ao batente, irei morar em Brasília,
servindo na Secretaria Interministerial para os Recursos do
Mar.
PORTOSMA
- É fácil ser Capitão dos Portos?
Comandante FREITAS
- Nenhum cargo de comando ou direção, onde você
trabalha e administra a vida pessoal e profissional de pessoas
e empresas, onde uma decisão errada ou precipitada pode
alterar o equilíbrio comercial de uma região inteira,
pode ser considerado fácil. Entretanto, a Marinha do
Brasil prepara muitíssimo bem seus oficiais para o exercício
do comando. Isso lhes permite enfrentar os desafios de cada
situação diferente, contando sempre com o suporte
de uma equipe de oficiais, praças e servidores civis
bem preparados para esse assessoramento. No caso específico
da CPMA, contei com o apoio de minha tripulação,
que se engajou no cumprimento da missão com lealdade,
cooperação, apoio e perseverança, sustentando
o fogo sagrado no curso das atividades desta Capitania.
PORTOSMA
- Alguém afirmou que a Capitania dos Portos do Maranhão
tem dois momentos: um antes e um depois do Senhor. Isso é
falso ou verdadeiro?
Comandante FREITAS
- Não creio que a situação deva ser encarada
dessa forma. Ocorre que em minha administração
o contato com a opinião pública foi mais direto
e aberto talvez que em épocas anteriores, dando-nos maior
visibilidade e oportunidade de divulgar sempre nosso trabalho
e os resultados positivos. Na verdade, cada Capitão dos
Portos possui a sua própria personalidade e característica,
tornado-o mais ou menos simpático à comunidade
que o cerca. Creio que tenha tido a sorte de ter uma personalidade
que muito me ajudou a conduzir a OM nesses dois anos. Além
disso, contamos com o imprescindível apoio do Comando
do Quarto Distrito Naval e da Diretoria de Portos e Costas.
Esse apoio nos permitiu melhorar em muito a situação
física da OM, dando melhores condições
de habitabilidade e conforto ao nosso pessoal, incentivando-os
a alcançar sempre melhores marcas. Estou certo que meu
substituto fará sua parte e contribuirá para o
permanente crescimento da nossa Capitania.
PORTOSMA
- O Senhor foi um dos comandantes da CPMA que mais fez Amigos
da Marinha. Ficou alguém de fora dessa lista?
Comandante FREITAS
- Muitos. Não por não terem sido indicados por
mim para serem agraciados com a Comenda, mas pela falta absoluta
de vagas para todos. Fui muito feliz em fazer amigos e saber
escolhê-los para serem Amigos da Marinha. Foram 10 em
2004 e 08 em 2005, todos personalidades influentes em suas áreas
de atuação e com destacados serviços prestados
à Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos
do Maranhão. As escolhas foram pessoais e baseadas em
critérios rigorosos que estabeleci. Procurarei deixar
com meu substituto indicações que levem essas
pessoas a ser reconhecidas em 2006, caso seja possível.
PORTOSMA
- Uma última pergunta: se lhe fosse dado autoridade para
alterar alguns procedimentos portuários em nosso complexo,
quais alterações o Senhor faria?
Comandante FREITAS
- Não creio que faria alguma mudança sem antes
estudá-la profundamente ou sem julgá-la absolutamente
necessária e, ainda assim, ouvindo todos os
atores
que nela labutam diariamente. Ressalto que o Porto do Itaqui
vem sendo conduzido com perfeição e maestria pela
sua atual administração e os números positivos
estão aí para comprovar isso.
PORTOSMA
- O Senhor gostaria de acrescentar alguma coisa?
Comandante FREITAS
- Não posso negar que não é fácil
deixar a Capitania dos Portos do Maranhão e, principalmente,
a cidade de São Luís. Faço para dar prosseguimento
à minha carreira naval, afastando-me do dia-a-dia da
Comunidade Marítima ludovicense, a quem expresso o meu
reconhecimento pelo bom relacionamento e pronto atendimento
às nossas necessidades. Quero ainda agradecer as autoridades
federais, estaduais e municipais. Aos membros da CESPORTOS,
do PROHAGE, do Núcleo de Policiamento Marítimo
da Polícia Federal, ao empresariado e membros da imprensa
que interagiram com a Capitania dos Portos do Maranhão
durante minha gestão. A todos manifesto meus agradecimentos
pela gentileza e fidalguia com que trataram esta Capitania,
além do imprescindível apoio prestado. Agradecimentos
também à Prefeitura e à Câmara Municipal
de São José de Ribamar, externo o meu profundo
reconhecimento e orgulho pelo Título de Cidadão
Ribamarense a mim concedido, que expressa a perfeita parceria
estabelecida em prol da segurança da navegação
naquele município. Por fim, agradecer a Deus por haver
me iluminado nas minhas decisões, e à minha família,
especialmente à minha mulher, Maria das Graças
Freitas, por ter-se privado do exercício de sua profissão
nesses dois anos, e pelo estímulo, compreensão,
companheirismo, amor e carinho constantes, que sempre me impulsionaram
a dar o melhor de mim, e a transpor os eventuais obstáculos
surgidos ao longo do caminho. À minha querida mãe
AUGUSTA FREITAS, todo o meu amor e reconhecimento por seu esforço
em procurar desde cedo proporcionar-me um futuro e uma vida
digna. Por sua influência direta cheguei à Marinha
do Brasil, meu lar há 33 anos.