ENTREVISTA
Jorge Afonso Quagliani Pereira
Presidente do Syngamar - Sindicato dos Agentes
de Navegação do Maranhão
“Ao
completar 20 anos, categoria aposta no crescimento e pede para já
os investimentos prometidos ao porto do Itaqui"
Jorge
Afonso Quagliani Pereira assumiu a presidência do Syngamar pela
primeira vez em 1998. De lá pra cá, são 11 anos
a frente de uma categoria que cresce a cada ano e consolida-se como um
dos pilares da economia do Maranhão. Atividades essenciais como
com importação, exportações e outras fainas
portuárias jamais poderiam ser realizadas sem a presença
competente do agente marítimo. Como líder da categoria,
Jorge Afonso aposta no Maranhão como alguém que acredita
em si mesmo. “Temos potencial, o estado comporta tudo que se imaginar
em termos de projetos, sobretudo na área portuária. Que
venham os grandes projetos”.
Portosma:
Qual o balanço que o senhor faz desde 1998, quando assumiu a primeira
presidência do Syngamar até agora, considerando as sucessivas
reeleições a frente desta importante categoria do setor
portuário do Maranhão?
JORGE AFONSO: Organização e valorização do
agente marítimo foi e continua sendo a nossa maior prioridade.
Era preciso, a todo custo, destacar a importância deste profissional
fundamental na operação de qualquer navio. Nada se faz
seja em portos públicos ou privados em termos de carregamento,
abastecimento ou descarregamento de uma embarcação sem
a nomeação do Agente Marítimo. Foi sempre essa a
nossa preocupação. No aspecto da valorização,
contamos com o apoio da nossa Federação, a Fenamar. Estamos
organizados hoje com 13 sindicatos, e este ano foi o primeiro ano que
se comemorou o Dia do Agente Marítimo, uma conquista da categoria.
Portosma:
O Maranhão acompanhou esse processo de valorização.
Ou seja, em termos de realidade nacional não estávamos
tão distante assim. Isso é verdade?
JORGE AFONSO: Claro, a Federação já foi criada com
esse objetivo de fortalecer esse segmento e dar ao Brasil a importância
que temos, e culminou com o reconhecimento do Congresso Nacional, no
dia 23 de junho como o do Agente Marítimo, data essa que foi comemorada
em todo o país e no Maranhão.
Portosma:
O senhor está no Maranhão, nesta atividade portuária,
há 17 anos. Qual a mudança mais significativa que se pode
destacar nesse período de tempo?
JORGE AFONSO: Houve uma evolução geral. As autoridades
mudaram regras, procedimentos e o relacionamento com as instituições
como, Saúde, Anvisa, Receita Federal, Capitânia dos Portos,
por exemplo, sempre caminharam em perfeita ordem. E cabe a nos, enquanto
categoria, colaborar para que os procedimentos sejam otimizados. Eu acho
mais importante que hoje todos os administradores de terminais, privados
ou públicos, reconhecem a importância do Agente Marítimo
e nos chamam, através do Syngamar, a opinar quando uma decisão
importante está prestes a ser tomada. Isso é um divisor
de águas, pois confirma na prática a importância
e a valorização que sempre buscamos enquanto categoria
e enquanto representante dela a frente do Syngamar. Isso vale também
para Rebocadores, Praticagem, Consórcios, Ogmo. Enfim, onde houver
discussão para melhoria do porto e de suas atividades, o Syngamar
está sempre sendo convocado a opinar. O que é muito salutar
para o desenvolvimento do nosso trabalho.
Portosma:
Relação atividade mão-de-obra. A categoria nunca
foi tão qualificada como em sua gestão. Fale um pouco dessa
determinação.
JORGE AFONSO: A questão da qualificação tem convênios
com universidades, assistência médica e empresas de formação
especializadas como a Femar, por exemplo. Nesse caso em particular, trata-se
de uma parceria entre o Syngamar com o Ogmo, a Marinha e a Emap que tem
proporcionado excelentes resultados. Claro, ai incluído todos
os Agentes Marítimos, sem os quais seria impossível realizar
tais cursos. Demorou a acontecer mas felizmente hoje é uma realidade.
Portosma:
As reuniões do Syngamar praticamente desapareceram do calendário.
O que houve?
JORGE AFONSO: Não é por falta de vontade do Syngamar, pois
reconhecemos ser essa prática uma forma única de interatividade
com a categoria marítima de um modo geral. Porém, com a
crise econômica batendo a porta de todas as empresas, não
havia alternativa senão rever a realização de tais
reuniões. Como ao longo dos meses, cabia as empresas bancarem
tais encontros, a retração de gastos e aperto nas despesas
de cada uma culminou com o cancelamento da quase totalidade dessas reuniões.
Mas é temporário. Acredito que logo o mercado se estabilize,
poderemos retornar com os encontros mensais, uma vez que a resposta em
termos de aprovação pela categoria é quase unânime.
Claro que ainda vamos sentar para rediscutir a prática, o formato
e ouvir todos os envolvidos. Só então deveremos anunciar
um novo calendário.
Portosma:
Dos três portos de São Luís – Vale, Itaqui
e Alumar – tem um que seja melhor que o outro em termos de condições
de trabalho para o Agente Portuário?
JORGE AFONSO: Eu não diria isso. Muito pelo contrário.
Todos são excelentes em relação aos processos de
atividade marítima. Existem diferenças e elas variam de
empresas para empresa. A Vale tem um estilo, a Alumar tem outro e a Emap
por sua vez tem o seu próprio sistema operacional. Porém,
todos tem como política render sempre o melhor e o nosso trabalho,
enquanto agente marítimo, faz parte desse processo. Como disse
antes, com a valorização da categoria, qualquer administrador
portuário, seja público ou privado, reconhece e valoriza
o agente marítimo. Como somos chamados sempre, quando uma nova
regra está sendo estudada, os nossos argumentos acabam aprimorando
tais decisões de modo a contribuir para o sucesso desejado por
todos.
Portosma:
Na sua administração agências se foram e agências
chegaram. Existe sinalização para que novas venham a se
instalar em nosso Estado?
JORGE AFONSO: As agências que se instalaram de forma mais recente
foram a ISS e a Fertimport, mas não temos sinalização
de nenhuma outra que esteja realmente interessada ou que tenha feito
algum tipo de solicitação junto ao Syngamar. Claro, o Maranhão
cresce a cada ano e isso desperta o mercado. Natural que no futuro tenhamos
sim a afluência de novas empresas querendo se instalar, atraídas
pelo pool portuário que todos acreditamos vai acontecer por aqui
nos próximos anos. Hoje temos 19 associadas.
Portosma:
A promessa da refinaria da Petrobras no Maranhão, acena com a
impactação de um movimento de navios acima de 1,3 mil por
ano. Temos condições portuárias para tal demanda?
JORGE AFONSO: Tudo isso que está sendo dito é possível.
O problema é o tempo. Não existe limite para se ter mais
de mil, dois mil navios. Potencialmente nos temos espaço para
tudo isso. O problema é quando isso vai acontecer. Ainda mais
quando se tem problemas de ontem, muito mais urgentes para serem resolvidos
agora independente de termos ou não refinarias. Depois sim, vamos
tratar da expansão para atender demandas futuras. E saber onde
buscar dinheiro para tudo isso.
Portosma:
Qual seria essa prioridade de ontem a qual o senhor se refere?
JORGE AFONSO: Primeiro é preciso dividir as coisas. A Emap promete
para ainda este ano a conclusão das obras dos piers 101 e 102.
Prioridades absolutas para a realidade atual. Para ontem. A questão
da dragagem, para ontem. A obra do berço 100. A construção
do cais 108. São obras que gostaríamos de ver realizadas
já no próximo ano. Também seria ótimo de
ver a obra do berço 100 sendo tocada, assim como a do berço
108. Queremos chegar ao local e ver, ver a obra, ver engenharia, ver
movimento de construção. Todas essas coisas são
que entendemos, enquanto categoria, que já deveriam estar prontas.
São prioridades absolutas das quais o porto do Itaqui precisa
para operar hoje. Já as expansões para adequação
de uma nova demanda fruto de um processo desenvolvimentista impactado
um uma refinaria, como essa que estão prometendo construir aqui,
é outra coisa. Depende de tempo, dinheiro e decisões políticas.
Portosma:
O senhor tem uma expectativa real em termos de tempo para que essas coisas
deixem o discurso e entrem de vez na prática?
JORGE AFONSO: É muito complicado se determinar prazos, mesmo porque
não é fácil. Eu diria até que é muito
difícil. Os governantes que agora estão prometendo todas
essas benfeitorias e obras para o Estado e para o porto têm apenas
mais um ano de mandato. Depois das eleições, cada um deles
terão outro projeto de vida, outras prioridades e vamos recomeçar
com outras administrações. Por isso é difícil
se precisar datas. Um projeto de uma refinaria por exemplo exige muitos
anos para sua implantação e falta mandato para essa gente
cumprir o que hoje estão se comprometendo a realizar. As pessoas
se reposicionam e a vida é assim. No geral, tudo depende de quem
irá gerir os destinos deste país e do Maranhão.
Portosma:
E o porto de Bacabeira, o senhor acredita na viabilidade desse projeto?
JORGE AFONSO: Ta nesse mesmo contexto. E quem disse que não pode
ser possível? É possível sim, pois aqui temos potencial
pra tudo. Pra refinaria, pra estaleiros, pra novos portos, para Esquadra
da Marinha. O que se pensar em termos de potencial natural para implantação
de projetos de grande porte o Maranhão tem condições
de receber. O potencial deste estado é imensurável. E qual
é nossa expectativa enquanto Syngamar? Ver todas essas coisas
acontecerem. É isso que queremos. Tudo que desejamos caminha nesse
sentido. De ver as coisas ditas e prometidas se tornem realidade e que
o Maranhão, possa de verdade, dado o seu imenso potencial, experimentar
esse crescimento que tanto merece.
Portosma:
Vinte anos de Syngamar, qual sua mensagem para a categoria dos agentes
marítimos e para os portuários de modo geral?
JORGE AFONSO: Otimismo, esperança, lutar sempre para que esses
potenciais de investimentos e desenvolvimentos de projetos novos e os
que estão sendo desenvolvidos agora venham de fato acontecer.Temos
que acreditar nisso e lutar para que tais coisas façam parte da
realidade dos nossos portos. É o nosso maior objetivo. Ver o Maranhão
em atividades com seu potencial pleno. Temos que lutar de forma aguerrida
para que as coisas aconteçam, e rápido, sem demora.