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ENTREVISTA
OSVALDO PEREIRA ROCHA
Grão-Mestre da Loja Maçônica GOAM - Grande Oriente Autônomo do Maranhão

“Na Maçonaria de grão em grão se faz um GRÃO-MESTRE”.

Entrevista publicada no Portal Mhário Lincoln, com colaboração do editor deste portal, Carlos Andrade.

Pedreiro bruto, pedreiro livre, filhos da luz. Não importa. Qualquer que seja a tradução dada aos Maçons e/ou a Maçonaria remete sempre para um elemento de construção. É uma associação universal de homens livres e de bons costumes cultivando entre si a justiça social, aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade. Os Maçons estruturam-se em células autônomas, “todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si”, e reúnem-se nas designadas oficinas ou lojas. Trata-se de uma obediência iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e educativa. Esse é o mundo de Osvaldo Pereira Rocha. Eleito por unanimidade para o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente Autônomo do Maranhão - GOAM, com mandatos de três anos, este maranhense de Pedreiras, hoje com 70 anos, consolida uma ascenção iniciada em 1968, quando, pela primeira vez, foi paramentado como Aprendiz-Maçom. Desde então, graças a um patrimônio de dedicação incomum, tornou-se referência entre seus pares e passou por muitos cargos da Instituição com mérito e admiração. Antes de assumir o cargo mais importante da sua trajetória maçônica, ele conversou com o Portal Mário Lincoln do Brasil.

Portal: Como foi o seu primeiro contato com a Maçonaria?
Osvaldo Rocha: Eu era ainda bem jovem quando fui convidado pelo amigo Antonio Loyola Martins da Silva. Era 1967 e já no ano seguinte, mais precisamente em 7 de agosto de 1968, fui Iniciado como Aprendiz-Maçom na Loja 17 de Outubro, da Obediência Grande Oriente do Brasil no Maranhão (na época era GOM – Grande Oriente do Maranhão) que, por coincidência, a referida Loja tem como nome a data de nascimento do meu pai, Antonio da Silva Rocha, já no Oriente Eterno.

Portal: A Maçonaria sempre foi cercada de lendas e crendices. Como você trabalhava essas informações diante da curiosidade natural da juventude.
Osvaldo Rocha: Eu, como todos os jovens da minha época – hoje felizmente já não é mais assim – tinha um conceito errôneo do que era ser maçom e mais errôneo ainda das atividades praticadas pela Maçonaria. Felizmente, a expectativa positva que me levou a querer ser um deles se concretizou logo nas primeiras sessões. Além de ser bem acolhido e esclarecido, encontrei na fraternidade um grande número de amigos comuns que eu não sabia que eram Maçons.

Portal: Na sua família, alguém se manifestou contrário a sua decisão?
Osvaldo Rocha: De certa forma todos eles, movidos pela ignorância do desconhecido e por entender que eu me daria mal. Porém, a maior delas veio por parte de mamãe. Dona Luiza Pereira Rocha, de saudosa memória, que me disse textualmente. “Filho, isso é coisa do demo, você não pode fazer parte de uma comunidade com pactos tão anti-Cristo que lembra bode preto e exige que se dê um filho pra se ficar rico. Não foi pra isso que eu lhe dei uma educação cristã.”

Portal: E então? Com contornar lendas e “verdades” tão contundentes?
Osvaldo Rocha: Como todo bom filho, tratei de não tirar suas razões e fiz um acordo que a deixou tranqüila. Disse-lhe então eu vou, mamãe. Eu quero entrar. Mas se for verdade tudo que dizem prometo que deixo a Maçonaria no dia seguinte e ainda venho aqui lhe contar tudo que vi de errado por lá. Felizmente eu voltei, mas para tranqüilizá-la que ali era uma congregação de paz, de amor, de fraternidade e da prática da virtude e do bem; de homens confiantes no Grande Arquiteto do Universo, que é Deus. Mamãe então me disse o seguinte: eu confio no seu espírito cristão.

Portal: O então maçom iniciante sabia que iria mais adiante dentro da Maçonaria?
Osvaldo Rocha: Sabia sim. Quando entrei fui informado que só havia três graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre. Porém isto não é de todo verdade. São duas carreiras maçônicas. A simbólica e a filosófica. Esta última, que abracei depois de chegar a Mestre, vai até o grau 33. São filosofias distintas que obedecem a linhas básicas ou ritos como Adonhiramita, de York e Escocês Antigo e Aceito. No Brasil o mais comum é este, justamente no que Iniciei para minha trajetória dentro da Maçonaria. Hoje pertenço a Lojas que praticam os três supracitados ritos.

Portal: A sua entrada primeira deu-se a um convite. E depois, pertencer a também a outra Loja depende de ser convidado, ou quem é aceito em uma é naturalmente membro da outra?
Osvaldo Rocha: Ninguém entra na Maçonaria (a iniciação é, sempre, através de uma Loja) sem que seja convidado ou proposto. Esta é uma regra padrão que não pode ser quebrada, uma vez que além do convite, existem critérios específicos de aceitação do candidato. Ser proposto, não significa necessariamente ser aceito. O Maçom pode pertencer a mais de uma Loja, desde que filiado a uma ou a duas Oficinas.

Portal: Qual a cronologia da sua ascendência dentro da Maçonaria até agora?
Osvaldo Rocha: Aprendiz-Maçom em agosto de 1968; Companheiro em maio de 1969 e Mestre Maçom em outubro desse mesmo ano. A partir de então, vivo periodicamente uma nova etapa. Na Maçonaria Filosófica comecei no quarto grau e, hoje, estou no grau décimo oitavo. Registre-se que, por razões particulares, estive afastado das atividades maçônicas templárias por alguns anos o que retardou a minha progressão nos graus filosóficos.

Portal: Quantos Maçons existem em sua família hoje?
Osvaldo Rocha: Apenas eu, primeiro e único. Somos oito irmãos, mas nenhum deles quis ser Maçom, talvez com receio do desconhecido.

Portal: O que é ser um Grão-Mestre?
Osvaldo Rocha: É o mais importante cargo eletivo de uma potência maçônica. Seria o cargo semelhante ao de um governador de Estado, todavia o Grão-Mestre é a mais importante autoridade de uma Potência Maçônica, dada a sua importância administrativa na Maçonaria simbólica diante de sua Potência e em relação aos Poderes Legislativo e Judiciário Maçônicos, as Lojas e aos membros da Instituição.

Portal: Como foi sua eleição para Grão-Mestre?
Osvaldo Rocha: Fui indicado pela unanimidade dos Veneráveis Mestres (presidentes) das Lojas jurisdicionadas ao GOAM. A indicação de um postulante a Grão-Mestre é feita por no mínimo três Lojas ou pelo menos por 30 Mestres Maçons ativos e regulares, ou seja, em condições de votar e ser votado e fui Eleito pelo voto direto e secreto, com mais de 90% dos sufrágios. Nos termos estatutários, deverei ser diplomado e empossado dia 24 de junho de 2009 para um mandato de três anos, ou seja,: até 24 de junho de 2012. Receberei o cargo do Soberano Grão-Mestre Raimundo Ferreira Marques.

Portal: Na Maçonaria Simbólica cada etapa tem um nome. E na Filosófica?
Osvaldo Rocha: Cada um dos graus tem uma denominação específica, tanto na Maçonaria Simbólica como na Filosófica.

Portal: Quem o senhor estará substituindo como líder do GOAM?
Osvaldo Rocha: Como já afirmei acima, o Grão-Mestre que irá me passar a Potência é o Irmão e Amigo Raimundo Ferreira Marques que estará completando seu quarto mandato à frente do nosso querido GOAM e já presidiu mais de uma vez a COMAB. Na mesma oportunidade será empossado o irmão e amigo Carlos Craveiro Pessoa, eleito comigo na condição de Grão-Mestre Adjunto.

Portal: Então é um cargo com direito a reeleição?
Osvaldo Rocha: A reeleição é prevista no Estatuto Social do GOAM, desde que se obedeça a regra do limite de dois mandatos consecutivos. Sendo alternados, não existem restrições de limite dentro da Instituição Grande Oriente Autônomo do Maranhão.

Portal: Quando o Grão-Mestre Adjunto pode substituir ou suceder o titular?
Osvaldo Rocha: Em qualquer situação de afastamento ou impedimento. No caso de morte do titular, por exemplo, só haverá uma nova eleição se a vacância ocorrer antes do prazo de um ano de mandato.

Portal: O senhor quis ser Grão-Mestre?
Osvaldo Rocha: Sim e não. Fiquei muito feliz pela indicação, porém – a exemplo de todos os cargos exercidos dentro da Maçonaria – não pedi para ser Grão-Mestre, assim como jamais pedi para ser eleito para qualquer dos cargos já exercidos na Sublime Ordem. Foi uma escolha única. Não houve disputa e consegui mais de 90% dos votos possíveis.

Portal: O senhor falou em cargos dentro da Maçonaria. Poderia mencionar alguns deles?
Osvaldo Rocha: Sim. Fui Orador da Loja Guardiã da Independência e sou Orador da Loja Guardiã da Fraternidade; fui Assessor Especial do Grão-Mestre; fundador e Segundo Secretario da Academia Maçônica Maranhense de Letras, assim como seu Tesoureiro e seu Diretor de Comunicação e atualmente sou o seu Primeiro Secretário; fundador do Instituto Histórico da Maçonaria Maranhense – IHMM, seu primeiro presidente, por aclamação unânime dos seus membros e escolhido novamente presidente por eleição direta e secreta, também obtendo a unanimidade dos votos dos irmãos e confrades historiadores. Atualmente sou o Grão-Mestre Adjunto do GOAM e agora, deverei assumir o cargo mais importante que é o de Grão-Mestre. Ressalte-se que tanto a Academia como o Instituto, entidades culturais maçônicas, cada uma com 33 cadeiras, são constituídas por Mestres Maçons ativos e regulares das três potências que compõem a Maçonaria Unida do Maranhão, isto é, GOB/MA, GLEMA e GOAM, sendo 1/3 de suas cadeiras preenchidas por Irmãos de cada uma destas.

Portal: Trajes maçônicos. Fale um pouco sobre eles?
Osvaldo Rocha: Na verdade quando Iniciamos na Maçonaria, como Aprendiz-Maçom, já somos revestidos de um traje maçônico, característico que chamamos de paramento. Basicamente é formado por um avental, e já como Mestre, dependendo do cargo que exerce, de um colar e punhos. Varia de cor conforme o Rito praticado pela Loja ou o cargo que exerce.

Portal: O que é o CONSIMA?
Osvaldo Rocha: É o Conselho Inter-Maçônico do Maranhão, formado pelo conjunto dos três Grão-Mestres das mencionadas Potências que constituem a Maçonaria Unida do Maranhão. Uma decisão pra ser abrangente a todos os maçons do Estado, precisa ser tomada e/ou referendada pelo Consima.

Portal: Qual a plataforma do Grão-Mestre Osvaldo Pereira Rocha?
Osvaldo Rocha: Eu tenho a intenção de tentar, com a ajuda das outras potências tirar a Maçonaria do estado de inanição que vive hoje. Somos saudosistas demais e isso de certa forma nos compromete. Entendo que não devemos viver só do passado, mas levantar algumas bandeiras importantes e mostrar mais serviços em prol da sociedade. Caso da ética, do civismo, da solidariedade, da preservação do meio ambiente e do bem estar social coletivo, assim como da melhoria crescente da qualidade de vida das pessoas. Essas seriam as bases daquilo que pretendemos realizar nesses três anos que estaremos à frente do GOAM, além de construir novos Templos Maçônicos e de fundar novas Lojas Maçônicas, sempre unido com as Potências co-irmãs, as Lojas da Obediência e todos os Irmãos Maçons.

Portal: E por falar em ética. Um maçom corrupto pode ser expulso das suas fileiras?
Osvaldo Rocha: Pode e deve. Temos Conselho de Família, Tribunal do Júri nas Lojas e o Conselho Maçônico que, quando provocado, analisa o comportamento dos seus membros. Com os poderes de um Tribunal, as acusações são analisadas, com o direito de ampla defesa e, dependendo do veredicto dos seus membros, o irmão maçom pode ser absolvido ou não.

Portal: Ser Grão-Mestre do GOAM significa ser líder de quantos maçons?
Osvaldo Rocha: No Grande Oriente Autônomo do Maranhão – GOAM somos, hoje, 350 irmãos.

Portal: A quem as mencionadas Lojas ou Potências estão subordinadas?
Osvaldo Rocha: As referidas Lojas pertencem à Obediência GOAM e este integra / é filiado à Confederação Maçônica do Brasil - COMAB, que tem a partir do dia dez do presente mês novo presidente. É o soberano irmão e Grão-Mestre José Aristides Firmino, do Rio Grande do Sul. Todavia não existe subordinação entre estas duas entidades maçônicas.

Portal: O que mais acrescentar que ainda não fora dito?
Osvaldo Rocha: sim, desejo agradecer aos Irmãos Veneráveis Mestres pela indicação do meu nome para o cargo de Grão-Mestre, assim como aos Maçons em geral que votaram na chapa Osvaldo Pereira Rocha e Carlos Craveiro Pessoa, para Grão-Mestre e Grão-Mestre Adjunto, respectivamente e ser grato ao Grande Arquiteto do Universo que é Deus, por nos dar vida e saúde, bem como pedir-Lhe que nos dê inteligência e serenidade para bem dirigir a Potência Maçônica Grande Oriente Autônomo do Maranhão – GOAM no triênio 2009/2012. Finalmente, desejo agradecer ao Portal Mhário Lincoln do Brasil pela oportunidade desta entrevista, através do amigo Jornalista Carlos Andrade.