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ENTREVISTA
Carlos Roberto Frisoli, Diretor Superintendente da Companhia Operadora Portuária do Itaqui - COPI


Carlos Roberto Frisoli
“O Itaqui que hoje é referência em minério e combustível, logo conquistará seu lugar de destaque em produtos agrícolas e fertilizantes”

Texto: Carlos Andrade, da Redação.

Carlos Roberto Frisoli é um homem do porto por definição. Nascido no Paraná, tem sua história de vida ligada as áreas de cais, guindastes, contêineres e navios. Como diretor Superintendente da COPI – Companhia Operadora Portuária do Itaqui, ele falou ao Portosma da sua experiência que envolve recordes de desempenho de operacionalidade em manuseio de cargas como fertilizantes e dos desafios que o principal porto público do Maranhão tem para se consolidar como referência, também, em produtos agrícolas e fertilizantes. Pertencente a um grupo que descarrega 70% de todo o fertilizante no Brasil, a Copi responde por 50% desse tipo de produto que entra no Itaqui e não está acomodada. Consciente da importância da retro área está investindo em uma estrutura de grande porte na Vila Maranhão o que lhe garantirá autonomia de armazenagem de três milhões de toneladas/ano. Além disso, garante Carlos Roberto Frisoli, outros investimentos virão e cita como exemplo a implantação de novos e mais potentes guindastes para o Itaqui, um item onde o porto maranhense está longe de ser referência, mesmo operando com cargas de grande porte como locomotivas, super pneus e trilhos.

PORTOSMA - O porto é sempre um termômetro da economia de um país que vai bem se o porto vai bem e vai mal se o porto vai mal. Isso é verdade?
Carlos Roberto Frisoli - O Brasil vive numa economia do agronegócio e quando você se dá conta que nos últimos três anos o ritmo de consumo de fertilizantes vai diminuindo é certo que algo está errado. É claro que o agricultor tem seus recursos de enfrentamento para as adversidades. No primeiro ano vai utilizando o resíduo que tinha na terra. Vai se virando com o que tem. No segundo e no terceiro percebe que o volume de fertilizantes – que é um parâmetro importante - não cresce. Ai sim ele se dá conta que o país está em crise. Ou seja, a produção agrícola cresce, mas o insumo continua estático em suas linhas de produção. Esse quadro mostra que o país está queimando gordura acumulada de reservas dos anos anteriores. Essa é a nossa realidade hoje. O Brasil está parado no insumo, pois importa 90% do fertilizante que consome e já estamos praticamente com quatro anos onde os números são sempre negativos em relação ao exercício anterior. Existe uma expectativa de que agora em 2017 se volte a crescer alguma coisa. Seja de forma mínima, mas que cresça gradativamente até atingir os patamares pré-crise.




PORTOSMA - O que seria esses 10% dos fertilizantes produzidos no Brasil?
Carlos Roberto Frisoli - É pouca coisa diante do que importamos.  Uma quantidade mínima de nitrogenados produzidos em Sergipe ou ainda o cloreto. Mas é quase nada diante do volume importado. O Brasil não produz, mas precisa muito, pois seu consumo cobre praticamente todo território nacional. Essa curva de consumo, infelizmente, tem sido negativa por conta da crise pela qual o país atravessa em toda a sua linha de produção.


PORTOSMA - Custo Brasil. Taxas portuárias. Taxas alfandegárias.  O que a crise tem ensinado ao país neste aspecto de rever o encarecimento de suas atividades produtivas?
Carlos Roberto Frisoli - Não mudou nada. Pelo contrário, ficou mais caro ainda. O país vem aumentando de forma sistemática sua carga tributária e a mais recente delas afetou duramente a atividade portuária. Acabou com desoneração dos contêineres. Essa decisão vai encarecer os custos de tosos os setores produtivos que precisam importar seus insumos através de cargas conteinerizadas e certamente seus preços finais vão aumentar. Não tem erro. O que vale para o agronegócio vale para a indústria.  Quando o agricultor paga mais caro pelos seus custos de produção o tomate mais caro no supermercado.  Do mesmo modo se a indústria paga mais tributo por usar um contêiner, esse valor a mais será inevitavelmente acrescido ao valor que chega mais caro ao consumidor.

PORTOSMA - Esse aumento da carga tributária então cria custos em cadeia. Isso não reflete também na folha de pagamentos das empresas?
Carlos Roberto Frisoli - Ninguém escapa. Seja o alimento, o automóvel ou o eletrônico qualquer. Vai das necessidades básicas até os bens de consumo do cidadão. Essa política de repassar tudo para o setor produtivo explica a incapacidade econômica das empresas em contratar. Hoje se emprega muito menos do que se gostaria justamente pela extinção de algumas isenções na folha de pagamentos.  No Brasil temos encargos em cima da folha muito altos e isso gera um efeito cascata danoso para o empregador. É bem verdade que na atividade portuária quase não se paga tributos estaduais, mas o municipal e o federal são os que mais penalizam as empresas deste segmento da economia que é, sabidamente, um gerador de riquezas para qualquer país. Hoje se emprega menos porque se paga mais. Além dos ISS, PIS, Confins, Fins Social, estes seria, os tributos diretos, ainda existem os chamados tributos indiretos que se paga quando se compra insumos, caso do ICMS estadual, por exemplo.  Só não está pior porque uma decisão da Justiça acabou com a cobrança absurda do ICMS em cima de outros tributos. Era tributação sobre tributação.




PORTOSMA - Podemos quantificar a queda de consumo de fertilizantes no país nestes quatro anos que a crise tem se mostrado de forma feroz para o setor do agronegócio?
Carlos Roberto Frisoli - São números preocupantes, considerando que tínhamos um movimento de trinta milhões de toneladas/ano e hoje estamos quase três milhões a menos dessa marca em todo o país. Essa realidade, porém, se mostra inversa em termos do Itaqui. É um porto que assiste até mesmo um crescimento, considerando que a produção agrícola do Maranhão está subindo em termos de toneladas e isso faz com que os nossos produtores tenham mantidos suas encomendas de fertilizantes em um patamar estável. Se não é um crescimento expressivo, mas, diferente de alguns números negativos de outros portos, o Itaqui manteve suas médias, o que é muito bom. Tanto que em alguns casos, estamos até puxando cargas de outros portos, como é o caso de Paranaguá, por exemplo.

PORTOSMA - O que explicaria essa performance diferenciada?
Carlos Roberto Frisoli - Em principio o aumento real da área plantada do Estado e a capacidade logística de se atingir outros núcleos de produção, como o Tocantins e até mesmo pedaços do Mato Grosso, conhecidos celeiros de produção de grãos. Além disso, o Itaqui está quase sete dias mais perto da Europa pelo modal de navio e isso conta bastante na hora do importador decidir por onde pretende comprar ou exportar seu produto. No caso dos Estados Unidos, nossa proximidade encurta distância entre cinco a seis dias. Tudo isso faz diferença ao nosso favor.

PORTOSMA – Qual a representativa dos contêineres no volume de cargas operadas hoje no porto do Itaqui?
Carlos Roberto Frisoli - Bem pouco, quase incipiente, considerando que temos dois grandes concorrentes que trabalham muito esse tipo de cargas e que são próximos do Itaqui. Caso de Vila do Conde e Pecém.




PORTOSMA - Taxas portuárias. Como o Itaqui, leia-se a Emap, está tratando os seus parceiros neste item tão sensível para as finanças das empresas que, como a Copi, atuam em suas áreas de cais?
Carlos Roberto Frisoli - Posso lhe garantir que o Itaqui tem evoluído. Ainda tem coisas para fazer, mas o modelo está bem encaminhado. Porém não se trata apenas da Emap. Porto é um conjunto de ações que obedece regras ditadas pelo mercado e não por sua administração. São segmentos distintos como a transportadora, a administração portuária, o trabalhador portuário, o Ogmo, a Estiva. Nossa concorrência não é interna. Nossos concorrentes são os portos de Vila do Conde e Pecém. Estes sim devem merecer nossas principais preocupações comerciais. O produtor do Tocantins, por exemplo, não quer saber se o fertilizante que ele precisa vem através de A ou de B. Ele vai escolher sempre o mais barato. Isso vale para o produtor rural e para a indústria também. Quando se trata de serviço, o contexto portuário tem que ser competitivo sempre.  E nesse aspecto o Itaqui tem muito a melhorar. Porém, é visível uma evolução, o que é positivo.

PORTOSMA - A partir de quando podemos precisar que estamos evoluindo nessa acirrada concorrência de ganhar clientes?
Carlos Roberto Frisoli - Podemos dizer que nos últimos dois anos essa evolução se ampliou de forma consistente, porém o projeto de mudanças se iniciou bem antes. Eu diria de três a quatro anos para ser mais exato. Diante da realidade atual, podemos antever um Itaqui muito mais eficiente nos próximos dez anos. Certamente deverão ser priorizadas ações de reduzir o custo portuário e aumentar sua competitividade em relação aos nossos vizinhos. É preciso entender que reduzir custo não significa necessariamente diminuir preço. E sim, aumentar produtividade. Agilizar procedimentos. Desburocratizar. Reduzir prazos. O porto é um conjunto e não pode ser avaliado sem considerar todas as suas variáveis.

PORTOSMA - Uma das vulnerabilidades do Itaqui era a capacidade dos seus guindastes de cais, quase obsoleta. Essa realidade mudou?
Carlos Roberto Frisoli - Nesse aspecto eu diria que evoluiu muito pouco, mas as opções atuais são bem mais consistentes em termos de tonelagem. A Copi, por exemplo, tem equipamentos para descarregar até 84 toneladas. Além disso, algumas cargas de maior porte, como locomotivas, por exemplo, são transportadas por navios específicos. Por isso são chamadas de cargas de projeto. Mas é claro que essa autonomia de um só guindaste é muito pouca para essa expectativa de crescimento que antevemos para o Itaqui. E a Copi, é certo, tem estudos de investimentos nesse sentido, adquirindo mais um ou dois guindastes para fazer frente a essa nova demanda de cargas que todos almejamos.

PORTOSMA - Considerando essa expectativa de demanda crescente, o que o Senhor consideraria como prioridade zero para o porto?
Carlos Roberto Frisoli - Investimento em infra-estrutura portuária. Falo de balança, informatização, armazém de retro área, pois temos uma muito pequena em relação ao tamanho dos berços de atracação dos navios. O porto não é só a sua área interna. O porto é mais eficiente quanto maior for sua capacidade de trocar modal. Porto é lugar de trocar cargas e não de armazenar carga. Os armazéns devem estar fora da área do cais, quatro, cinco, seis km distante. A carga chega e assim que sair do modal aquaviário (navio) logo deve ser transferida para o modal rodoviário ou ferroviário. Então eu diria ser essa a prioridade das prioridades do Itaqui hoje. Investir em sua retro área. Estamos falando de armazéns refrigerados, armazéns de fertilizantes, armazéns de carga geral, terminal de transbordo ferroviário. Não adianta fazer mais berço. Pois se corre o risco da carga ficar dentro do navio uma vez que não existem áreas alternativas que garanta a mudança continuada e eficiente de modal para transportá-las.

PORTOSMA - Mas esse é apenas um discurso otimista ou existem exemplos reais nesse sentido?
Carlos Roberto Frisoli - Existem sim e as opções estão surgindo da iniciativa privada, como deve ser, uma vez que não se pode esperar tudo do poder público. A Suzano já anunciou investir em novos armazéns, a Copi está fazendo um investimento na Vila Maranhão, a Iara também está com projetos em andamentos nessa direção. Essa é a realidade portuária eficiente dos modelos do mundo e o Itaqui precisa dessa capacidade de retaguarda para trabalhar melhor e de forma mais eficiente as suas cargas além da beira do caís. Isso passa, também, ou necessariamente, pela otimização da malhar ferroviária através de peras eficientes e bitolas compatíveis com as da Norte Sul, por exemplo.

Lugar: PORTOSMA
Fonte: Redação
Data da Notí£©a: 21/07/2017

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