
OS ESCALPELADOS DO SÉCULO XXI
Por
Elson de Azevedo Burity
Engenheiro,
militar aposentado da Marinha do Brasil e ex-Capitão dos Portos
do Maranhão
Durante a década de 60, muitos de nós assistimos filmes
no cinema e na televisão, referentes ao velho oeste norte-americano,
onde apareciam cenas de índios apaches, comanches ou sioux, que
escalpelavam suas vítimas, geralmente constituídas de homens
brancos. O escalpelamento era praticado numa época em que os meios
de transporte eram constituídos por cavalos e carroças e
num ambiente em que prevalecia a lei do mais forte.
Anos e anos se passaram e aquela cena horrível de homens com o
couro cabeludo sendo cortado por índios passaram a acontecer aqui
no Brasil, em plena Amazônia. Enquanto lá, no velho oeste,
o fato acorria em terra firme e no meio de intermináveis combates
entre índios e brancos, aqui o escalpelamento é a bordo
de pequenas embarcações artesanais, que normalmente possuem
seus motores instalados no seu centro. Por deficiência na construção
do pequeno barco, o eixo que liga o motor ao hélice, fica exposto
e sem proteção. Como este mesmo eixo gira em alta velocidade,
qualquer objeto frágil é facilmente por ele sugado e enrolado.
Neste contexto, as maiores vítimas são as mulheres de cabelo
comprido que, não alertadas para prendê-los ou encurtá-los
com grampo ou tiara, têm seus cabelos escalpelados instantaneamente
pelo eixo do motor. São senhoras, jovens e crianças que
uma vez vitimadas, necessitam submeter-se a várias cirurgias reparadoras
até terem a chance de ver um dia o seu cabelo de volta. Imaginem
a dor física e o sofrimento que tais vítimas são
obrigadas a suportar? As lesões são tão graves que
a hemorragia chega a provocar a morte e os que sobrevivem carregarão
sequelas irreversíveis para o resto da vida.
Na tentativa de eliminar tamanho problema social, a Marinha do Brasil,
através de suas Capitanias dos Portos, incrementou a fiscalização
naquelas embarcações ribeirinhas e após a promulgação
da lei nº 11.970/2009, passou a existir um dispositivo legal para
exigir de seus proprietários a instalação de uma
proteção no motor, eixo e partes móveis das embarcações,
de forma a proteger os passageiros e tripulações do risco
de acidentes. Em paralelo foram instaurados dezenas de inquéritos
administrativos visando apurar possíveis responsabilidades e principalmente,
proporcionar apoio médico e financeiro às vítimas.
Assim, procurou-se obter uma cobertura pecuniária através
do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Embarcações
ou por sua Carga, o tão conhecido DPEM, instituído pela
lei nº 8.374/1991.
No universo de acidentados existem hoje cerca de mais de 120 pessoas,
somente em relação aos estados do Pará e Amapá,
que perderam seus cabelos ao deixá-los soltos e sem nenhuma proteção.
Há também um quantitativo, não revelado, ainda de
jovens que por descuido encostaram o cordão da bermuda no eixo
e tiveram o pênis arrancado instantaneamente. Imaginem se as vítimas
de toda a Amazônia e demais estados brasileiros fossem computadas
e saíssem do anonimato? O problema ganhou tamanha dimensão
que, no dia 14 de janeiro deste ano, o Presidente da República
sancionou a lei nº 12.199 que institui o Dia Nacional de Combate
e Prevenção ao Escalpelamento, a ser comemorado anualmente
no dia 28 de agosto.
Que fique, portanto, um alerta para todos aqueles que utilizam as pequenas
embarcações, onde o eixo do motor está exposto, para
que o cubra com uma proteção em madeira e proteja o motor
e demais partes móveis das embarcações. Assim agindo
estarão salvando inocentes vidas e sofrimentos daqueles, que em
muitos casos, são os próprios familiares dos donos das embarcações.
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Michael, apenas Michael
Carlos
Andrade (portosma@gmail.com)
Quando
em 1977 esteve no Brasil para gravar um dos seus mais lindos clipps, para
a música “they don´t care abbout us”, uma voz
brasileira anunciava: Michael, eles não ligam pra gente. E não
ligam mesmo. Nem eles, nem ELE. Como ídolo de multidões
não tinha o direito de fazer consigo o que fizera. Nem com seus
pais, nem com seus irmãos, nem com os filhos e muito menos com
os milhões de fãs ao redor do planeta azul que tanto ele
cantou em vida.
Sua
vida, assim como seu maior de todos os sucessos, foi um terror. Trhiller
tem em sua trilha sonora uma quantidade enorme de barbaridades e de episódios
macabros que ultrapassam a ficção. E não estou falando
da música. Estou me referindo ao próprio. Do seu clareamento
esquisito. Da sua deformidade facial. Das suas paternidades inimagináveis.
Assim como inimaginável é a capacidade humana de amar tanto
alguém ao ponto de ver, num rosto de fera, como ele se tornara
ultimamente, um príncipe tão lindo. Tão meigo. Tão
suave. Tão bondoso. Tão maravilhoso.
Aliais,
Michael, até mesmo com você cometeste injustiças.
Veja no que você se transformou? Um homem de cinqüenta com
voz de menino. Um adulto feito com trejeitos infantis. Um pai tríplice
de virgindade questionável. Por quê tudo isso? Óvulos
congelados, banco de esperma, mães de aluguel e filhos de um sobrenome
só: Jackson, apenas Jackson.
Para
a namorada
mais famosa, a Brook Shields, seu maior orgasmo se resumia a grandes sorrisos.
A filha de Elvis, sua primeira e mais normal das esposas, esteve três
anos ao seu lado, assim como ao lado eram os quartos onde dormiam. Seu
leito de Peter Pan só aceitava meninos. Sua sana de salvador do
mundo só via crianças e pra elas cantou “we are the
world”, “earth song” e "healf the world".
Mais: construiu uma terra do nunca, um parque de diversões e salvou,
com seus passos inigualáveis, milhões delas. Centenas de
milhões delas.
Sua
família porém, bem mais próxima da sua realidade
já não merecia tanto. E não merecia por uma razão:
cometera a heresia de crescer. Um é mecânico em uma oficina
de Los Angeles, outro não grava há dez anos, outro é
guitarrista de uma banda gospel e as irmãs, com exceção
da caçula, têm mais dívidas que talento. A nos outros
soa como uma punição. O crescimento, na terra do nunca,
é o maior de todos os pecados. Pobres Jacksons Fives.
Mas
como disse, eles não ligam pra gente. Nem você. Como rei
do pop nunca ouviu um súdito. Nunca perguntou se queríamos
um nariz mais bonito; Uma pele mais clara; Uma vida com menos horror;
Um cabelo mais liso; Menos esquisitices; Menos sobressaltos? Nunca. Nós,
assim como os Five também crescemos. E sua relação
com adultos foi sempre difícil. Quando estava cercado deles o palco
era sempre um tribunal. Quando dependia deles, o motivo era uma receita
para uma dosagem a mais de medicamentos.
E
será que precisava? Quem sabe, agora morto e (ainda não)
enterrado - sabe-se lá quando isso vai acontecer - você consiga
enxergar o óbvio. Nunca na história da musica se viu tanta
idolatria por um astro só. Desmaiar era pouco para os fãs.
Era preciso mais. Beirava a histeria e o clipper se mostrava repleto de
closes de rostos emocionados, chorando, gritando, se descabelando. Ao
fundo, bem no fundo, da alma, a trilha sonora de sempre: Michael, Michael,
Michael...
É
Michel, você não ligou nada pra gente. Foi morrer justamente
agora, quando as crianças, sobretudo elas, mais precisavam de um
ídolo. Para elas e para os jovens em geral você se tornara
uma referência de paz, de candura, de amor e de bondade. Se não
ligou para elas imagine pra nós os cinquentões – eu
incluído - que mesmo crescidos, nunca deixamos de valorizar o seu
talento e a sua capacidade de cantar e encantar.
O NOVO REGULAMENTO
ADUANEIRO
*João
dos Santos Bizelli
Em
relação ao tratamento aduaneiro dispensado à entrada
ou à saída de mercadoria do País, destaca-se o advento
do Decreto-Lei nº. 37/66, ainda em vigor, que dispõe sobre
o imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros
e dá outras providências.
O referido ato legal
foi regulamentado, a partir da sua publicação, por aproximadamente
40 decretos e inúmeras outras normas esparsas. Em 1985, foi editado
o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030, antiga
reivindicação do setor importador ao governo, consolidando
a regulamentação anterior e constituindo-se em sistematização
lógica da matéria aduaneira. Este regulamento vigorou até
o advento, em 2002, do Decreto nº. 4.543, que, além da atualização
normativa, regulamentou a administração das atividades aduaneiras,
a fiscalização, o controle e a tributação
das operações de comércio exterior.
Decorridos aproximadamente
seis anos, temos a publicação do Decreto nº. 6.759,
no Diário Oficial da União de 06/02/09, que novamente vem
atualizar e consolidar as normas aduaneiras em função de
diversos atos legais (Leis nºs 10.833/03, 10.865/04 etc.) que foram
sancionados nesse período.
O Regulamento Aduaneiro
aprovado pelo Decreto nº. 6.759/09, assim como o seu antecessor,
incorpora as normas relativas à organização dos serviços
aduaneiros, aos impostos de importação e de exportação,
bem como dos tributos federais vinculados (IPI, PIS-Importação
e Cofins-Importação), aos regimes aduaneiros especiais,
aos procedimentos do despacho aduaneiro de importação e
de exportação, às multas e outras penalidades e demais
matérias correlatas.
Por se tratar de ato
regulamentar, não existe modificações de caráter
legal. Entretanto, cabe observar a possibilidade de alterações
normativas de natureza infralegal, como, por exemplo, o novo parâmetro
da proporcionalidade no recolhimento de tributos para as operações
de admissão temporária de bens com a utilização
econômica no País ou a submissão, após ser
disciplinada a forma pela RFB, da aprovação em exame de
qualificação técnica para a investidura na função
de despachante aduaneiro.
Assim, a consolidação
ora efetivada vem mais uma vez atenuar o especial cuidado dos profissionais
de comércio exterior no acompanhamento da legislação
sobre a área aduaneira.
*João
dos Santos Bizelli é advogado, especialista em legislação
aduaneira e consultor em assuntos relacionados à importação
da Aduaneiras.
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Os danos da corrosão
na economia
Duperron Marangon*
Um
quinto da produção mundial de aço é destinada
a repor perdas causadas pela corrosão. E essa é apenas a
ponta de um iceberg que representa o impacto desse problema na economia.
Desde 1949, os EUA estudam o problema da corrosão por uma ótica
econômica. Mas foi apenas com o início do movimento ecológico,
nos anos 1970, que essa começou a ser uma preocupação
mundial. Consequentemente, o número de estudos aumentou, desde
então, espalhando-se por países como Japão e Reino
Unido.
Em 2001, a CC Technologies Laboratories, a Nace International, conhecida
como a Sociedade da Corrosão, e o Federal Highway (FHWA), que administra
as rodovias norte-americanas, conduziram um estudo mais completo sobre
o impacto da corrosão na economia dos EUA. A conclusão só
reforçou a suspeita de que a corrosão é um dos maiores
problemas enfrentados pela indústria. Só naquele país
os gastos associados à corrosão consumiam, há dez
anos, cerca de 3% PIB, algo próximo de US$ 400 bilhões,
em valores atuais.
De uma forma geral, os estudos em diferentes países têm chegado
a conclusões parecidas, estimando custos variáveis entre
1% e 5% do PIB. No Brasil, os gastos podem chegar a cerca de US$ 10 bilhões,
grande parte na indústria petrolífera. Nas grandes estruturas
navais utilizadas pelas companhias de petróleo, a corrosão
é uma das principais responsáveis pelos desastres ambientais
que são os derramamentos de óleo no mar. Quando não
são causados por falha humana, esses desastres fatalmente são
obra de estruturas comprometidas pela corrosão.
Por isso, essa é uma das maiores preocupações atuais
das companhias de petróleo. Além do componente ambiental,
elas podem ter grandes prejuízos financeiros causados pela corrosão.
A British Petroleum, por exemplo, no primeiro trimestre do ano passado
apresentou queda de 17% no seu lucro, na comparação com
o primeiro trimestre de 2006, por causa da suspensão da exploração
no campo de Prudhoe, no Alasca, após derramamentos ocorridos devido
a problemas de corrosão.
Com a intensificação dos estudos sobre o assunto, a cada
ano têm surgido novas técnicas para prever e evitar seus
danos. Cientistas da Universidade do Arizona, nos EUA, por exemplo, concluíram
recentemente uma pesquisa que procura criar métodos para dar maior
precisão e rapidez às estimativas sobre os riscos da corrosão
em certos tipos de ligas metálicas. O trabalho é fundamentalmente
teórico, porém essencial para o entendimento de como a corrosão
age nas ligas.
Com esse conhecimento, é possível desenvolver técnicas
para se predizer por quanto tempo e sob quais condições
essas ligas metálicas resistirão. Essas técnicas
permitem a criação de uma espécie de "prazo
de validade" das estruturas, um período além do qual
elas deverão ser avaliadas com muito maior cuidado ou, no caso
de operações muito críticas, como em usinas nucleares,
simplesmente substituídas.
Hoje são usados diversos métodos para prevenir a corrosão,
quase todos baseados em ações práticas da engenharia,
como o controle do Ph das estruturas, a utilização de revestimentos
protetores de materiais e o isolamento elétrico. Já existe,
inclusive, tecnologia para fazer esse trabalho de maneira mais integrada
e eficiente. E o Brasil, na dianteira da exploração de petróleo
no mar, é pioneiro nessa tecnologia, tendo desenvolvido, no âmbito
da Petrobras, um software que não existe em nenhum outro lugar
do mundo.
Esse software é capaz de mapear plataformas e navios em 4D e de
se antecipar à corrosão, prevendo a necessidade de reparos.
E, como em tudo que envolve tecnologia, a tendência é que
seu uso em larga escala transcenda a aplicação original
para outros setores fortemente afetados pela corrosão, como parques
industriais, e se traduza na diminuição dos custos em geral
associados ao problema.
*Duperron Marangon
é especialista em manutenção de estruturas navais
e CEO da PhDsoft
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OS TERMINAIS PRIVATIVOS
E OS GARGALOS NA
INFRA-ESTRUTURA
LOGÍSTICA PORTUÁRIA
Rodnei Iazzetta
sócio do Koury Lopes Advogados (KLA)
Após a lei de modernização
dos portos, passou-se a permitir a exploração da operação
de movimentação portuária pelo setor privado, através
de três modalidades fundamentais: a concessão da administração
portuária, a atuação de operadores portuários
privados e o arrendamento de áreas e instalações
portuárias. Fundamentalmente, a legislação portuária
prevê dois tipos de portos: o porto organizado, ainda sob jurisdição
da autoridade portuária, e os portos de uso privativo. As instalações
portuárias de uso privativo ou de uso misto são isentas
de taxas, tarifas, contribuições e adicionais portuários
quando não utilizam acessos ao porto organizado, sendo que a sua
exploração depende de prévia autorização
da ANTAQ - Agência Nacional de Transportes Aquaviários, bem
como da celebração de um contrato de adesão.
Utilizando-se também de terminais
portuários de uso privativo, o setor privado passou a ser responsável
por boa parte da movimentação de cargas nos portos brasileiros.
Segundo dados fornecidos pelo setor, os investimentos privados nos terminais
privativos já atingiram cerca de US$ 600 milhões. Todavia,
esses valores ainda são modestos se comparados com outros portos
no exterior. É nesse contexto que muito se
fala na necessidade de investimentos na
infra-estrutura portuária brasileira e nos entraves para o desenvolvimento
de mecanismos de investimentos nas áreas comuns dos portos organizados.
Dentre esses entraves, pode-se mencionar a dificuldade de financiamento
dos atuais operadores portuários. Note-se que os atuais operadores
portuários (as Companhias Docas) fazem parte integrante da Administração
Pública e, portanto, o financiamento de suas atividades encontra-se
submetido aos limites de contingenciamento de crédito ao setor
público, dificultando o apoio de instituições financeiras
aos seus projetos.
Paralelamente, tem-se observado que existem
algumas alternativas para estimular o desenvolvimento da estrutura portuária
nacional e, assim, contribuir para a diminuição dos gargalos
na infra-estrutura portuária. A utilização
dos terminais portuários de uso privativo misto pode ser uma dessas
alternativas. Mas a otimização desse uso depende muito de
uma adequação da regulamentação aplicável
ao setor. Em termos gerais, necessário se
faz uma adequação da Resolução ANTAQ n.º
517, de 18 de outubro de 2005 ("Resolução") que
regulamenta a outorga de autorização para a construção,
a exploração e a ampliação de um terminal
portuário de uso privativo misto, ou seja, aquela instalação
localizada fora do porto organizado, que movimenta e/ou armazena carga
própria ou de terceiros.
Consoante a Resolução,
o requerente da autorização para a instalação
de um terminal portuário privativo de uso misto precisa demonstrar
à Agência Reguladora que a estimativa de movimentação
anual mínima de carga própria justifica, por si só,
a implementação do terminal. Ocorre
que a legislação em momento algum esclarece os critérios
objetivos para determinar qual seria a "movimentação
anual mínima" capaz de justificar a instalação
do terminal portuário solicitada. Ainda,
a Resolução exige declaração da estimativa
de movimentação anual de carga própria, sem considerar,
portanto, a movimentação de cargas de terceiros no futuro
terminal portuário. Se um terminal privativo de uso misto possibilita
a movimentação e/ou a armazenagem de carga de terceiros,
não parece ser razoável que a implementação
do terminal dependa tão somente do volume de carga própria
que será movimentada. O volume de carga de terceiros também
deveria ser levado em consideração quando da análise
da viabilidade técnica do terminal.
Assim, ao invés de exigir a implementação
de um terminal portuário sustentável, a legislação
determina requisitos técnicos que apenas justifiquem a sua implementação.
Aparentemente, tem-se a idéia de que a exploração
dos terminais portuários destina-se apenas à utilização
da área para proveito próprio e não para a prestação
de um serviço a terceiros interessados. Todavia, a realidade pode
ser bastante diferente. A própria legislação possibilita
a instalação de terminais portuários privativos de
uso misto, com o evidente propósito de otimizar a exploração
de cargas pela iniciativa privada, obtendo, assim, ganhos de eficiência,
celeridade
operacional e viabilidade de incremento nos investimentos. Aliás,
ao contrário das Companhias Docas, o financiamento de projetos
nos terminais privativos, quando explorados pela iniciativa privada, não
encontram obstáculos nas restrições de contingenciamento
ao crédito ao setor púbico.
Se o grande desafio é atrair investimentos
para o desenvolvimento da infra-estrutura brasileira, dificultar a exploração
de portos não organizados não se revela a via mais apropriada.
A falta de clareza em qualquer marco regulatório é crucial
para a atratividade de qualquer setor de infra-estrutura. Independentemente
da aprovação do Projeto de Lei de Conversão n.º
21/2007, que atualmente encontra-se em tramitação na Câmara
dos Deputados, o qual pretende criar a Secretaria Especial de Portos e
alterar determinados dispositivos da legislação portuária,
pequenos ajustes na regulamentação vigente poderão
certamente estimular a implementação de terminais portuários
de uso privativo misto e, assim, criar melhores condições
para as exportações brasileiras que dependem da infra-estrutura
portuária.
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A
ferrovia pede passagem
Paschoal De Mario
Diretor do Comitê Ferroviário do Congresso
SAE
BRASIL 2006 e assessor técnico
Dispor
as grandes metrópoles de sistemas de transporte público
compatíveis com as necessidades básicas da população
e garantir, assim, a movimentação das pessoas de forma rápida,
segura e eficiente é uma meta a se alcançar. Não
existem, no entanto, soluções para essas metrópoles
que não sejam as redes de transportes baseadas no sistema metroferroviário.
Daí a necessidade de implantação de uma política
de investimentos continuados e priorizados para esse sistema.
Devemos priorizar o transporte metroferroviário, incentivar e incrementar
o seu desenvolvimento, e integrá-lo aos sistemas de ônibus
com corredores exclusivos. São Paulo, apesar de contar com 328,6km
de linhas férreas, sendo 58,6km de metrô e 270km de trens
urbanos da CPTM, se verifica a necessidade urgente de ampliação
desses sistemas. Está previsto que, até 2010, o Metrô/SP
deverá ter 88,5km e a CPTM 296,3km, perfazendo um total de 384,8km
de linhas férreas.
Já no transporte ferroviário de carga, os investimentos
foram alavancados a partir de 1996, com a concessão das malhas
ferroviárias. Isso possibilitou uma mudança em todo o cenário
da indústria das empresas fabricantes de materiais e equipamentos.
As encomendas de vagões foram retomadas, sendo que, em 2005, registramos
produção recorde com quase 7 mil unidades fabricadas, e
o faturamento, que era de R$ 180 milhões em 1996, atingiu R$ 2,5
bilhões em 2005.
De acordo com a Associação Nacional dos Transportadores
Ferroviários (ANTF), a frota atual de vagões é de
72 mil unidades e a de locomotivas, 2,3 mil unidades e, os números
do setor indicam que suas associadas são responsáveis pela
criação de quase 30 mil empregos diretos e indiretos e por
investimentos que superam R$ 9,5 bilhões. Ainda segundo a ANTF,
as associadas planejam investir R$ 2,35 bilhões em 2006, fechando
o ano com um crescimento entre 9% e 11% sobre o volume transportado em
2005, atingindo 435,7 milhões de toneladas (TU) e 245 bilhões
de Toneladas-Quilômetro Útil (TKU).
Temos então dois universos diferentes sobre o mesmo modal, que
por um lado carece de investimentos e uma política de transporte
público de passageiros mais efetiva, enquanto o setor de transporte
de carga caminha por conta própria após a privatização.
Mais detalhes sobre esses dois cenários serão conhecidos
no dia 23 de novembro, durante o Painel Ferroviário do Congresso
SAE BRASIL 2006.
Inédito em congressos da SAE BRASIL, o Painel Ferroviário
trará também assuntos técnicos que estão em
pauta nas engenharias brasileiras e estrangeiras, como as tendências
tecnológicas em anel anti-ruído para rodas ferroviárias
e fabricação de trilhos para via permanente. Além
disso, haverá apresentação da Unicamp sobre a contribuição
da universidade na formação de profissionais que, com a
crescente demanda por mão-de-obra qualificada, faz-se necessário
a realização de cursos em níveis de especialização
como o MBA que começa a ser ministrado no Senai Francisco Matarazzo,
em São Paulo, fruto de aliança entre Simefre (Sindicato
Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários
e Rodoviários), Abifer (Associação Brasileira da
Indústria Ferroviária) e Cepefer (Centro de Estudos e Pesquisas
Ferroviárias).
Outra iniciativa tomada para fomentar o desenvolvimento tecnológico
das empresas fabricantes de materiais e equipamentos ferroviários
e operadoras ferroviárias foi a criação do Comitê
Internacional de Estudos Técnicos Metroferroviários, unidade
autônoma sem fins lucrativos, idealizada pela MRS Logística,
Simefre e a ANTF, para fornecer subsídios para o ABNT/CB06, Comitê
Brasileiro de Normas Técnicas Metroferroviárias do qual
o Simefre é a entidade mantenedora.
Este primeiro fórum ferroviário do Congresso SAE BRASIL
será, portanto, um canal efetivo para mostrarmos que, para o desenvolvimento
do País, necessitamos de um sistema ferroviário eficiente
e integrado com os demais modais, permitindo assim que os nossos produtos
sejam competitivos nos diversos continentes.
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Acidentes
da Navegação – parte III
Luiz
Augusto Oliveira de Freitas
Capitão-de-Mar-e-Guerra - Auditor ISPS Code
Como
afirmamos anteriormente, os acidentes da navegação ocorrem
normalmente devido a um erro, ou a uma sucessão de pequenos erros
em matérias de natureza simples, quase sempre na operação
de equipamentos de navegação ou na interpretação
da informação disponível. Esses acidentes quase sempre
provocam sérias conseqüências para embarcações,
tripulantes, banhistas e meio ambiente. Para comprovar essa afirmação,
mais um acidente da navegação com vítimas fatais
aconteceu em São José do Ribamar, no Maranhão, no
último dia 10 de setembro, praticamente 1 ano após acidente
com a biana Estrela Guia I ocorrido na mesma localidade, que vitimou 14
pessoas. Desta vez uma pequena canoa conduzida por um adolescente de 12
anos, virou ao bater na corda de outra embarcação que estava
ancorada perto da margem do canal. Uma criança de três meses
morreu afogada e outra de três anos desapareceu.
Como vemos, mais um acidente envolvendo embarcação miúda,
possivelmente provocado por falha humana, que vem se somar aos cerca de
65% do total de acidentes envolvendo embarcações nos últimos
cinco anos, causados por esse fator. Relembro aqui que as embarcações
miúdas são responsáveis por cerca de 50% do total
de acidentes, sendo que em relação às vítimas
fatais, a participação dessas embarcações
é de cerca de 80%, segundo dados da CIPANAVE (Comissão de
Investigação e Prevenção de Acidentes da Navegação).
O acidente em questão comprova que, a despeito de todo o esforço
de fiscalização promovido diuturnamente pela Autoridade
Marítima, é impossível presenciar todas as violações
cometidas ao longo da costa e em hidrovias interiores em um país
de proporções continentais. Portanto, a única fiscalização
que permanece 24 horas junto ao navegante é a sua própria
consciência.
Fruto das análises dos acidentes na navegação, a
CIPANAVE, órgão pertencente à Diretoria de Portos
e Costas, elaborou algumas recomendações de segurança,
destinadas a amadores, proprietários de embarcações
de todos os tipos e responsáveis por marinas, colônias de
pescadores e clubes náuticos, com a finalidade de promover a conscientização
desses atores da comunidade náutica, de forma a atingir o propósito
da prevenção de acidentes, das quais destaco as seguintes:
1 – Mantenha uma leitura atualizada do Regulamento Internacional
para Prevenir Abalroamentos no Mar (RIPEAM), das normas da Capitania de
sua jurisdição e da NORMAM 03/DPC, cujo conteúdo
contempla as experiências obtidas em acidentes anteriores; e, sobretudo,
cumpra as normas e regulamentos. A violação consciente de
normas e regulamentos é a principal falha humana cometida por navegantes
e constitui o principal fator causal de acidentes com embarcações
de esporte e recreio;
2 – Negue o uso de sua embarcação a inabilitados.
Essa prática coloca em risco a tripulação, banhistas
e outras embarcações. Cabe lembrar que o proprietário
responderá por essa atitude imprudente perante o Tribunal Marítimo,
bem como nas esferas civil e penal;
3 – Realize uma manutenção preventiva eficaz, sem
adaptações grosseiras. Você sabe se sua embarcação
oferece segurança ou não. Não se engane a esse respeito,
nem deixe para amanhã. Faça o que deve ser feito e tenha
uma embarcação confiável;
4 – Conduza a embarcação a uma velocidadede segurança
adequada à situação, na qual possa reagir com segurança
às intempéries da navegação;
5 – Evite o consumo de bebidas alcoólicas no exercício
do comando da embarcação e o excesso por parte de sua tripulação;
6 – Respeite a lotação recomendada pelo fabricante.
Emborcamentos de botes por faltada estabilidade necessária, em
virtude do excesso de pessoas a bordo, está entre as causas de
acidentes que registram o maior número de vitimas fatais na navegação
amadora;
7 – Antes de suspender com sua embarcação, inspecione
seu material de salvatagem e verifique se há coletes em boas condições
em número suficiente para todos que irão embarcar;
8 – Antes de suspender, inspecione o casco quanto à sua estanqueidade;
9 – Antes de suspender, inspecione sua embarcação
quanto a vazamentos de combustível, principalmente no compartimento
de motores;
10 – Antes de suspender com sua embarcação, faça
um planejamento de sua singradura evitando “imprevistos” que
poderiam ter sido previstos. Se sua embarcação não
tem luz de navegação, o planejamento deve conceber o regresso
antes do anoitecer. E não esqueça de calcular o consumo
de combustível para ir e voltar;
11 – Saiba, a todo instante, para que bordo está a menor
profundidade. Muitas vezes, em caso de alagamento descontrolado, o único
recurso disponível para evitar o naufrágio é executar
uma varação, ou seja, um encalhe deliberado com o objetivo
de salvar a embarcação. Alguns naufrágios de embarcações
de esporte e recreio foram evitados com esse procedimento;
12 – O condutor da embarcação é o seu comandante,
e como tal deve estar atento à movimentação e à
segurança dos tripulantes e deve tomar as providências necessárias
para que o padrão de segurança seja o máximo possível;
13 – Nada de manobras radicais. Curvas fechadas, principalmente
em alta velocidade, geram dúvidas e incertezas para outros Comandantes
que podem tomar decisões equivocadas com prejuízo para ambos;
14 – Não navegue a menos de 200 metros da praia; e
15 – Ao fundear, o faça a baixa velocidade e utilize um comprimento
de amarra adequado, considerando a amplitude da maré e a proximidade
de outras embarcações. Acidentes com vítimas fatais
já aconteceram por ocasião de fundeios de embarcações
com comprimentos de amarra inferiores à profundidade, provocando
seu emborcamento e queda de pessoas na água.
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A
implantação do ISPS Code
Luiz
Augusto Oliveira de Freitas
Capitão-de-Mar-e-Guerra - Auditor ISPS Code
Após o atentado ao World Trade Center, em Nova Iorque, no dia 11
de setembro de 2001, a preocupação mundial voltou-se para
a proteção contra atos terroristas. No ano seguinte, durante
conferência diplomática sobre segurança, a Organização
Marítima Internacional (IMO, sigla em inglês) instituiu uma
série de medidas de segurança, denominada ISPS Code (Código
Internacional para a Proteção de Navios e Instalações
Portuárias), a ser implementada pelos 162 países que a compõe,
incluído o Brasil que é um de seus signatários. A
Conferência Diplomática sobre Segurança Marítima
realizada em Londres em dezembro de 2002 adotou novas disposições
na Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana
no Mar de 1974 e esse Código com vistas a intensificar a proteção
marítima.
O ISPS Code tem o objetivo de estabelecer uma cooperação
internacional entre governos, organismos governamentais, administradores
locais e empresários dos setores naval e portuário para
detectar ameaças à proteção dos navios ou
às instalações portuárias. Para tal, é
exigida avaliação de riscos à proteção
marítima, compartilhamento dessas informações, manutenção
de protocolos de comunicação, proibição de
acessos não-autorizados aos navios e às instalações
portuárias, e combate à introdução de armas,
artefatos incendiários ou explosivos nos navios e nas instalações
portuárias.
O Brasil adotou o ISPS Code como diretriz para a elaboração
dos Planos de Segurança Portuária de cada porto e terminal
do país, público e privado, que opere no comércio
internacional, e a tarefa da condução e coordenação
dos trabalhos coube à Comissão Nacional de Segurança
nos Portos e Vias Navegáveis (CONPORTOS), um colegiado formado
por representantes dos Ministérios da Justiça, Relações
Exteriores, Marinha, Transportes e Fazenda. Essa Comissão foi encarregada
de elaborar e implantar normas de proteção e repressão
a atos ilícitos nos portos, tais como roubo, pirataria, tráfico
de drogas e armas, imigração ilegal, contrabando, entre
outros. Fazendo parte da estrutura da CONPORTOS foram criadas as Comissões
Estaduais de Segurança Pública nos Portos Terminais e Vias
Navegáveis (CESPORTOS), compostas regionalmente por representantes
do Departamento da Polícia Federal, o qual coordena a Comissão,
das Capitanias dos Portos, Secretaria da Receita Federal, ANVISA, Administrações
Portuárias, e dos Governos dos Estados.
Essas Comissões coordenaram os Portos, Terminais e Instalações
de todo o Brasil para a realização de Estudos de Avaliação
de Risco e elaboração dos seus respectivos Planos de Segurança
Pública Portuária. Esses planos devem estar adequados para
atender as demandas ligadas a interface navio/porto, e servem para garantir
a aplicação de medidas criadas para proteger instalações
portuárias e navios, pessoas, cargas, unidades de transporte de
cargas e provisões do navio dentro da instalação
portuária contra riscos de um incidente de proteção.
São basicamente medidas para prevenir que armas, substâncias
perigosas e dispositivos destinados ao uso contra pessoas, navios ou portos,
e cujo transporte não seja autorizado, sejam introduzidos em uma
instalação portuária ou a bordo de um navio. Portanto,
a implementação dos Planos de Segurança requer monitoramento
e controle de acessos, de pessoas, de veículos e de cargas, e garantia
da pronta disponibilidade de comunicações e segurança.
A CONPORTOS vem fazendo as vistorias nos Portos e Terminais para que possa
ser emitida a Declaração de Proteção exigida
pela IMO, de forma a atender as normas definidas no Código ISPS
evitando assim, possíveis prejuízos comerciais à
Exportadores Brasileiros em função do não embarque
de mercadorias para os Estados Unidos e Comunidade Européia.
Das 228 instalações portuárias brasileiras, até
o mês de julho de 2006, 152 já estão certificadas
pela CONPORTOS por cumprirem todas as recomendações da IMO.
Assim, operadores de portos e navios têm certeza de que, nessas
instalações, medidas de segurança foram tomadas para
proteção contra ataques terroristas. O desempenho brasileiro
está acima da média mundial. Segundo a Organização
Marítima Internacional (IMO), criadora do código, 69% dos
portos já tinham seus planos de segurança aprovados em 1º
de julho de 2004, data em que o ISPS Code passou a ser obrigatório
nos países signatários, inclusive no Brasil. Na prática,
o descumprimento do estabelecido pelo ISPS poderá trazer divisão
entre portos e navios, que serão classificados como aptos ou não
aptos. Os portos não aptos podem deixar de participar das cadeias
internacionais de abastecimento ou seja, os navios estrangeiros podem
se recusar a neles atracar. Importante ressaltar que essas embarcações
são responsáveis pelo escoamento da produção
brasileira aos centros consumidores de todo o mundo, o que gera ao Brasil
cerca de US$73 bilhões em exportações anuais. Além
disso, a falta do Certificado prejudicaria o turismo marítimo,
segmento em pleno crescimento, já que em média 100 mil estrangeiros
entram anualmente no País pelo mar. Por outro lado, os navios que
não cumprirem ou que cumprirem parcialmente o ISPS poderão
ficar de fora do circuito das principais rotas comerciais, o que trará
efeitos diretos e indiretos.
Especificamente no Maranhão, onde, no exercício do cargo
de Capitão dos Portos durante o período de fevereiro de
2004 a fevereiro de 2006, participei dos trabalhos da CESPORTOS-MA como
membro titular representente da Marinha do Brasil, foram certificadas
no ano de 2005 todas as instalações portuárias que
operam no comércio exterior, fruto de um grande esforço
de todos os envolvidos, direta ou indiretamente, na adoção
das providências necessárias. Assim, receberam a Declaração
de Cumprimento a Empresa Maranhense de Administração Portuária
(EMAP - porto do Itaqui), a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB),
a Companhia Vale do Rio Doce (Terminal marítimo da Ponta da Madeira),
a Granel Química Ltda, o Moinho Cruzeiro do Sul Ltda, a Petrobrás
Transporte S/A (Transpetro - terminal aquaviário de São
Luis) e o terminal portuário privativo do Consórcio de Alumínio
do Maranhão – ALUMAR).
Na prática, a Declaração de Cumprimento (chancela
do Governo Federal) certifica a total implementação do Plano
de Segurança Portuária e do ISPS Code, de forma que essas
instalações portuárias são consideradas aptas
a continuar operando no comércio exterior.
O próximo passo será a realização de auditorias
de verificação nessas instalações, a cargo
da CONPORTOS, para atender as exigências contidas no Código
ISPS. Conforme a resolução nº 37 da CONPORTOS, de 21
de junho de 2005, a primeira auditoria será realizada, obrigatoriamente,
no prazo de até 03 (três) anos, contado de 1º de julho
de 2004, data em que passou a vigir o Código ISPS ou seja, a partir
de julho de 2007. Até lá, todas as instalações
já certificadas deverão realizar, obrigatoriamente, auditorias
internas de implementação do Código, também
atendendo às suas exigências.
Segundo
estimativas da Organização para Cooperação
Econômica e Desenvolvimento (OCDE), 46 mil embarcações
e 4 mil instalações portuárias em todo mundo deverão
aplicar o Código Internacional para a Segurança de Navios
e Instalações Portuárias, esperando-se com isso uma
substancial redução nos riscos de proteção
envolvidos nas atividades marítimas.
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Acidentes
da navegação - Parte II
A
Inspeção Naval e o Tribunal Marítimo
Luiz Augusto Freitas- Capitão-de-Mar-e-Guerra
Conforme vimos no artigo passado, grande quantidade de acidentes de barco,
alguns com vítimas fatais têm sido provocados por atos irresponsáveis:
consumo de álcool em excesso, alta velocidade, número de
passageiros acima do permitido e a falta de experiência no tráfego
noturno, para citar apenas alguns motivos. Com o intuito de prevenir os
acidentes da navegação, a Marinha do Brasil, por meio dos
Representantes da Autoridade Marítima ou seus Agentes, realiza
em todo território nacional a Inspeção Naval, que
nada mais é que uma ação de fiscalização
realizada com a finalidade de efetuar uma verificação inopinada
das condições de segurança das embarcações.
É importante entender o que é a Inspeção naval
e como ela se processa e, principalmente, o que acontece aos infratores
depois que são autuados pelas equipes de inspeção
naval das Capitanias, delegacias e Agências. Essa era a maior dúvida
existente entre a população enquanto exerci o cargo de Capitão
dos Portos do Maranhão entre 2004 e fevereiro de 2006, exatamente
saber se os desrespeitos flagrados pela inspeção naval não
ficavam impunes. Naquele período, os inspetores navais da Capitania
abordaram 5246 embarcações de todos os tipos, autuando quase
1000 delas por desrespeitos diversos à Lei de Segurança
do Tráfego Aquaviário (LESTA), e ainda assim existia em
muitas pessoas a sensação da impunidade por conta da desinformação.
As Normas da Autoridade Marítima Para a atividade de Inspeção
Naval (NORMAM-07) define-a como uma atividade de cunho administrativo,
que consiste na fiscalização do cumprimento da Lei no 9537
de 11/12/97 (LESTA), das normas e regulamentos dela decorrentes, e dos
atos e resoluções internacionais ratificados pelo Brasil,
no que se refere exclusivamente à salvaguarda da vida humana e
à segurança da navegação, no mar aberto e
em hidrovias interiores, e prevenção da poluição
ambiental por parte de embarcações, plataformas fixas ou
suas instalações de apoio.
A
fiscalização se atém à verificação
de documentos relativos aos tripulantes das embarcações
de todos os tipos, e se divide em duas verificações distintas:
a documental e as reais condições do material e equipagem
da embarcação. No cumprimento de suas tarefas, os Inspetores
Navais poderão lavrar Notificações, ou elaborar relatos
de ocorrência a serem transformados em Autos de Infração.
Constatada
a infração será lavrada pelo Inspetor Naval uma Notificação
para Comparecimento para convocar o responsável pelo seu eventual
cometimento para prestação de esclarecimentos e obtenção
de orientação nos casos de infringência à legislação
vigente afeta à segurança da navegação, salvaguarda
da vida humana, no mar aberto e em hidrovias interiores, que antecede
a lavratura do respectivo Auto de Infração.
Sem esse procedimento legal, nenhuma penalidade poderá ser imposta.
Lavrado
o Auto de Infração, o infrator disporá de quinze
(15) dias úteis de prazo para apresentar sua defesa, contados da
data do seu conhecimento. O julgamento do Auto de Infração
deverá ser proferido pela AUTORIDADE COMPETENTE, com decisão
devidamente fundamentada, no prazo de trinta (30) dias corridos, contados
da data de recebimento da defesa ou julgado, caso esta defesa não
seja apresentada, após decorrido o prazo para sua apresentação
e, considerado procedente o Auto, será estabelecida a pena.
As
penalidades poderão ser multa, suspensão do certificado
de habilitação até 12 meses e/ ou cancelamento do
certificado de habilitação.
Importante
saber que da decisão do julgamento do Auto de Infração
caberá recurso, sem efeito suspensivo, no prazo de cinco (5) dias
úteis, contados da data do conhecimento da decisão, dirigido
à AUTORIDADE COMPETENTE da estrutura da Autoridade Marítima,
imediatamente superior àquela que proferiu a decisão. Ela
disporá de um prazo de trinta (30) dias para proferir a sua decisão,
devidamente fundamentada.
Caso não tenha sido julgado procedente o recurso e o infrator não
concorde com a pena imposta, poderá ainda recorrer mais uma vez
da decisão, através de recurso em última instância
administrativa sem efeito suspensivo, dirigido ao Representante da Autoridade
Marítima para a Segurança do Tráfego Aquaviário
(Diretor de Portos e Costas), e essa autoridade disporá de trinta
(30) dias para proferir sua decisão, devidamente fundamentada.
Pelo
que foi apresentado fica claro que a demora muitas vezes sentida para
a aplicação e cumprimento das penas impostas aos infratores
deve-se aos aspectos legais, e não a falta de ações
nesse sentido.
Quando
da ocorrência de um acidente ou fato da navegação,
são instaurados Inquéritos Administrativos sobre Acidentes
e Fatos da Navegação (IAFN), que tramitam até o Tribunal
Marítimo (TM). O IAFN deve ser instaurado imediatamente ou até
o prazo de 5 (cinco) dias, contados da data em que um dos Agentes da Autoridade
Marítima houver tomado conhecimento do acidente ou fato da navegação
e durante a fase de instrução do IAFN serão colhidas
pelo encarregado do inquérito provas testemunhal, pericial e documental
na busca da causa determinante e do responsável pelo evento.
O
Tribunal Marítimo, criado em 5 de julho de 1934, com jurisdição
em todo o território nacional, é um órgão
autônomo, auxiliar do Poder Judiciário, vinculado ao Comando
da Marinha, e tem como atribuições julgar os acidentes e
fatos da navegação marítima, fluvial e lacustre,
bem como manter o registro da propriedade marítima. Sua principal
razão de ser tem sido a de contribuir para a segurança da
navegação, de modo que seu propósito não se
limita a meramente punir, mas também o de estabelecer as circunstâncias
relevantes de cada acidente, perscrutar os fatores que lhes deram origem,
publicar suas causas e fazer recomendações apropriadas à
Autoridade Marítima, com vistas a alterações preventivas
às Normas que tratam da segurança da navegação,
à preservação da vida humana e proteção
do meio ambiente marinho.
########################################.
Acidentes
da navegação I
Luiz Augusto Freitas
Capitão-de-Mar-e-Guerra
Os
acidentes da navegação são fruto de uma cadeia de
eventos que redundam em penosas conseqüências para embarcações,
tripulantes, banhistas e meio ambiente. Ao analisar os dados referentes
aos acidentes e fatos da navegação, a Marinha do Brasil,
como Autoridade Marítima Brasileira, busca identificar não
só a causa determinante, mas também os fatores que contribuíram
para a mesma e os segmentos da comunidade náutica envolvidos, a
fim de elaborar recomendações de segurança que possibilitem
a interrupção da propagação dessa perigosa
seqüência de acontecimentos. Tal trabalho cabe à Comissão
de Investigação e Prevenção de Acidentes da
Navegação (CIPANAVE), da Diretoria de Portos e Costas.
A prevenção dos acidentes da navegação é
obtida não só pelas ações promovidas pela
Autoridade Marítima mas pelo esforço conjunto de todos os
segmentos envolvidos nas atividades náuticas. Vale mencionar que,
a despeito de todo o esforço de fiscalização promovido
diuturnamente pela Autoridade Marítima, é impossível
presenciar todas as violações cometidas ao longo da costa
e em hidrovias interiores em um país de proporções
continentais. Portanto, a única fiscalização que
permanece 24 horas junto ao navegante é a sua própria consciência.
Segundo o acompanhamento da CIPANAVE, em que pese os trabalhos de prevenção
e conscientização realizados, apenas entre os anos de 2003
e 2005 foram contabilizados pelas Capitanias dos Portos, Delegacias e
Agências, 1637 acidentes e fatos da navegação em todo
território nacional, sendo que 310 deles resultaram em 444 vítimas
fatais. Dessas vítimas fatais, 21% foram motivadas por acidentes
com embarcações de pesca, 21% no transporte de passageiros
e carga e 19% no esporte e recreio. As falhas humanas predominam como
as principais causas dos acidentes da navegação, chegando
a 83% dos casos registrados entre 2001 e 2005, geralmente por violações
às diversas Normas da Autoridade Marítima. O excesso de
passageiros ou de carga também é um fator que contribui
de maneira decisiva nos acidentes. Dessa forma, mais da metade dos acidentes
analisados poderiam ter sido evitados por meio de conscientização
da importância do cumprimento do contido nas Normas por parte de
proprietários e por parte de alguns condutores das embarcações,
que tendem a cometer imprudências, a despeito das orientações
nelas contidas.
Quanto à natureza desses acidentes fatais, destacam-se os naufrágios
em 31% dos casos, a queda de pessoas na água em 15%, os abalroamentos
em 12% e acidentes com tripulantes e passageiros a bordo em 7%. Cerca
de 35% das colisões e abalroamentos foram fruto do excesso de velocidade.
Os emborcamentos, acidente no qual são registrados os maiores números
de vítimas fatais na atividade, registram 90% dos casos com embarcações
miúdas, em virtude do excesso de lotação, de suspenderem
com a embarcação sem atentar para a previsão do tempo,
e de navegarem em mar aberto, o que não é permitido.
A propósito, as embarcações miúdas são
responsáveis por cerca de 50% do total de acidentes, mas com 80%
de participação quanto às vítimas fatais.
Ou seja, as embarcações miúdas, com destaque para
botes a motor e jet ski, apresentam maior risco de perdas de vidas humanas.
Nos acidentes envolvendo a moto-aquática ou jet ski suas conseqüências
tendem a ser mais graves, em virtude da velocidade que rapidamente pode
ser atingida pela embarcação que não possui uma estrutura
que evite o impacto direto contra o corpo do condutor. A despeito do permanente
crescimento do número de embarcações inscritas na
atividade de esporte e recreio, o número de acidentes da navegação
envolvendo tais embarcações vem sofrendo uma gradual redução
desde o ano de 2001, chegando a 2005 com 96 casos registrados em todo
território nacional contra 112 registrados em 2001.
Entretanto, a maior vitória de todos os segmentos da comunidade
náutica envolvidos na sua prevenção encontra-se na
redução de perdas de preciosas vidas humanas. No ano de
2005 foram registradas 26 vítimas fatais em acidentes com embarcações
de esporte e recreio contra 57 no ano de 2001. Essa queda acentuada no
número de fatalidades mostra que, a despeito de acidentes continuarem
ocorrendo, suas conseqüências vêm sendo reduzidas a proporções
menores. A conscientização da importância do uso efetivo
de coletes salva-vidas em embarcações miúdas e de
pequeno porte teve grande influência nesse resultado.
No esporte e recreio os principais fatores causadores de acidentes têm
sido a violação de normas e regulamentos por parte de proprietários
e condutores habilitados, e o desconhecimento de normas e regulamentos
da navegação, por parte dos condutores sem habilitação.
Cerca de 30% dos acidentes registrados no período de 2001 a 2005
envolviam condutores inabilitados, não pertencentes ao segmento
da comunidade náutica amadora, à margem da lei e desprovidos
dos conhecimentos necessários à segurança no mar.
O condutor inabilitado não tem o conhecimento necessário
para navegar em segurança e ao suspender com sua embarcação,
expõe ao risco sua tripulação, banhistas e outras
embarcações e tripulações, promovendo a degradação
da segurança da navegação. Ressalta-se que em muitas
ocasiões as embarcações são cedidas aos inabilitados
pelos proprietários habilitados, apenas para “dar uma voltinha”.
Essa condução irresponsável é forte colaboradora
da geração da cadeia de eventos indesejáveis que
pode resultar em prejuízo para as embarcações e,
principalmente, para a vida humana.
Os amadores, aqueles habilitados pela Autoridade Marítima, também
cometem erros e violações às Normas que resultam
em acidentes e fatalidades. Um exemplo dessas violações
é o não cumprimento da dotação de coletes
salva-vidas exigida pela Autoridade Marítima, sendo que mais de
40% das vítimas fatais poderiam ter sobrevivido à ocorrência,
caso as embarcaçãoes estivessem dotadas da quantidade de
coletes salva-vidas prevista nas Normas.
Outra causa freqüente de acidentes envolvendo embarcações
de esporte e recreio é o desrespeito às áreas seletivas
de navegação, à proibição da navegação
na área destinada a banhistas e à velocidade de aproximação
para fundeio. Colisões de embarcações com pessoas,
em virtude da violência do choque, resultam em lesões graves
e fatalidades.
Contribuem ainda para os acidentes fatais diversos fatores tais como a
ingestão de bebidas alcoólicas, o excesso de confiança
e o excesso de velocidade.
A ausência de manutenção eficaz da embarcação
é um dos mais freqüentes fatores contribuintes para acidentes
na navegação. Cabe ao proprietário da embarcação,
portanto, providenciar as condições adequadas de sua manutenção,
o que não exime o Comandante da embarcação da responsabilidade
de verificá-la. A negligência do proprietário com
o aprestamento de sua embarcação, principalmente no tocante
aos sistemas de governo e propulsão, representa uma falha latente
que, a qualquer momento, poderá colocar o Comandante da embarcação
a prova. A avaria torna-se o evento inicial de uma seqüência
de acontecimentos que resultará em conseqüências graves.
Felizmente, a análise dos acidentes da navegação
ocorridos no período de 2001 a 2005 indica que o índice
de acidentes e de fatalidades vem decrescendo significativamente, fruto
não somente do esforço de fiscalização empreendido
pela Autoridade Marítima por meio de inspeções navais,
como também pela maior conscientização do navegador
sobre a importância do cumprimento das normas de segurança
em vigor. Espera-se assim evitar ou reduzir a ocorrência futura
de acidentes como o que vitimou duas pessoas, em maio último, em
Angra dos Reis, litoral sul do estado do Rio de Janeiro, envolvendo a
lancha September V e uma traineira.
########################################.
Auto-suficiência
em petróleo e a Marinha
ROBERTO DE GUIMARÃES
CARVALHO*
Possibilitar
que a Marinha possa patrulhar a nossa "Amazônia Azul"
é um dever do Estado. Talvez a Petrobras possa ajudar. O BRASIL
todo comemora, com fundadas razões, a auto-suficiência na
produção de petróleo: enfim, para justo orgulho de
todos os brasileiros, produzimos mais do que consumimos! Essa conquista
compõe páginas que enriquecem a própria história
recente do Brasil. Seja a heróica visão do estadista que
decidiu, em contexto de difíceis circunstâncias políticas
e econômicas, pelo "O Petróleo é Nosso";
seja a vibrante epopéia da Petrobras; seja a confiança dos
governos, que, por mais de cinco décadas, jamais deixaram de investir
nesse segmento; ou, por fim, seja pela mística de uma calada torcida
de todo o povo brasileiro para que essa meta fosse alcançada.
O
fato inconteste é que o Brasil venceu. O Brasil conseguiu. A Marinha
se junta ao mutirão nacional de orgulho por essa vitória.
Contudo, a consciência do dever constitucional a obriga a reflexões
de ordem estratégica sobre esse fato, considerando que um percentual
bastante significativo da produção de petróleo -cerca
de 85%- é realizado nas águas da nossa "Amazônia
Azul", e que visões prospectivas anunciam a descoberta de
novas jazidas no mar. O direito do mar (Convenção da Jamaica),
ao mesmo tempo em que concede ao Estado costeiro o direto de explorar
os recursos vivos e não-vivos do solo, subsolo e da camada líquida
da sua zona econômica exclusiva (ZEE), reconhece o direito à
livre navegação internacional nas ZEE.
Isso
significa que qualquer país pode deslocar uma força naval
para operar nas proximidades das áreas marítimas onde se
localizam as nossas plataformas de exploração de petróleo
sem nenhum constrangimento de ordem jurídica, embora possa haver
de ordem política. Daí ser o mar, por excelência,
o cenário próprio para o surgimento de crises internacionais
de natureza político-estratégica. Tais crises, quando mal
conduzidas, podem escalar para conflitos armados que sempre interessam
aos mais fortes ou, mesmo quando bem manobradas, tendem a sujeitar os
mais fracos a aceitar as condições impostas pelos mais fortes.
No caso em apreço, ou seja, para evitar crises no cenário
marítimo ou para poder enfrentá-las com a cabeça
erguida, caso elas ocorram, a existência de uma Marinha com capacidade
crível de dissuasão é o único recurso plenamente
satisfatório.
Outro
aspecto que não pode ser negligenciado é o das denominadas
"novas ameaças", entre as quais, além dos crimes
transnacionais e ambientais, está incluído o terrorismo
internacional. Plataformas de exploração de petróleo
são alvos potencialmente tentadores para ações terroristas.
Assim, além da capacidade de dissuasão já mencionada,
a Marinha necessita ter uma outra capacidade, qual seja, a de poder patrulhar
de forma permanente todo o imenso mar que nos cerca, incluindo, prioritariamente,
as áreas marítimas de exploração de petróleo.
Para tal tarefa, em tempo de paz, o navio-patrulha é o meio adequado.
Somente um navio pode, além de detectar e identificar, interceptar
as embarcações que estejam navegando nas nossas águas
jurisdicionais. Pode ainda, utilizando o Grupo de Visita e Inspeção
(GVI) e a Guarnição de Presa (GP), que fazem parte da sua
tripulação, inspecionar e, se for o caso, obrigar a demandar
o porto nacional mais próximo aquelas que estiverem infringindo
as nossas leis, entregando-as às autoridades competentes para as
providências posteriores.
Prover
à Marinha os meios e os recursos necessários para que ela
possua uma capacidade de dissuasão com credibilidade é,
sem dúvida, um dever do Estado -e para isso existem os royalties.
Possibilitar que a Marinha possa, efetivamente, patrulhar a nossa "Amazônia
Azul" também é um dever do Estado. Mas talvez a Petrobras
possa ajudar. Como? Tornando-se, mais do que já é, uma efetiva
parceira da Marinha, celebrando com ela um acordo administrativo que permita
o repasse de recursos extra-orçamentários diretos para a
Marinha e, portanto, fora do alcance dos contingenciamentos do Orçamento,
para que a Força Naval possa implementar o seu projeto de navios-patrulha
a serem construídos no país.
Tais
recursos seriam uma pequena parcela dos pesados investimentos feitos pela
Petrobras -e que continuariam a ser investimentos, só que voltados
para a proteção e a segurança do imenso patrimônio
que não é só daquela empresa, já que também
pertence a todo o povo brasileiro. Pode parecer um sonho, mas a vitória
que estamos comemorando também era um sonho que se transformou
em realidade. Orgulhemo-nos e saudemos a auto-suficiência do petróleo,
sem descurar, porém, da responsabilidade de protegê-la e
defendê-la.
*ROBERTO DE
GUIMARÃES CARVALHO,
67, almirante-de-esquadra, é o comandante da Marinha.
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O naufrágio do ‘Estrela Guia I’
Elson
de Azevedo Burity
Engenheiro e Capitão-de-Mar-e-Guerra
(RRM) da Marinha do Brasil
O
Decreto nº 968/93, que regulamenta o Fundo de Desenvolvimento do
Ensino Profissional Marítimo (FDEPM), determina que seus recursos
são constituídos das arrecadações de todas
as folhas de pagamento das empresas particulares, estatais, de economia
mista e autarquias, quer federais, estaduais ou municipais, de navegação
marítima fluvial ou lacustre e até de serviços portuários,
o que deixa claro que os recursos não são oriundos de verbas
orçamentárias do Governo Federal. O FDEPM é aplicado
no desenvolvimento do ensino e aperfeiçoamento profissional do
pessoal da Marinha Mercante e todas as demais atividades correlatas em
todo o Brasil e nelas estão ainda incluídos os custeios:
dos Centros de Instrução de Belém e Rio de Janeiro
na formação de oficiais da Marinha Mercante e toda uma infinidade
de cursos de qualificação desde os mais complexos para navios
de grande porte até aqueles ministrados aos nossos humildes e valorosos
pescadores. Assim, ao aspecto educativo também se agrega a fiscalização,
pois estas duas atividades relacionadas ao mar encontram-se intimamente
ligadas. Se não houver uma boa formação profissional,
a fiscalização será muito exigida e acidentes fatalmente
ocorrerão.
Com o passar dos anos, o FDEPM foi incluído na política
de cortes e limitação de gastos do governo federal e as
liberações ocorrem após demoradas autorizações.
Como as Capitanias dos Portos também recebem verbas orçamentárias
e normalmente sempre abaixo do montante solicitado, que não atendem
as necessidades globais, o orçamento anual para ser administrado
exige uma verdadeira engenharia de economias e gastos. Em outras áreas,
como por exemplo, os cortes do Governo Federal influenciam no reduzido
número de jovens que cumprem o serviço militar e na economia
que se faz no fornecimento das refeições diárias
aos militares. Esta política de enxugamento em cascata prejudica,
obviamente, o fim da linha que é a ação da Capitania
dos Portos do Maranhão (CPMA) e de todas as demais Capitanias do
Brasil, que poderiam ser muito mais abrangentes caso tivessem os meios
humanos e materiais compatíveis com as suas reais, inúmeras
e árduas atribuições. Qualificação
técnica, pendor ao trabalho, censo humanitário e capacidade
para enfrentar adversidades não faltam naqueles valorosos e abnegados
militares e servidores civis que não têm feriado, final de
semana com suas famílias, dia ou noite para bem exercer suas obrigações
em prol da comunidade marítima e fluvial, enfim, do Brasil.
Apesar das críticas infundadas sempre existentes, chegamos então
no âmago do problema que influencia diretamente nos acidentes marítimos:
habilitação, formação profissional e uma fiscalização
que possa cobrir toda a demanda do vasto litoral do estado. Isto só
pode ser alcançado com uma sistemática liberação
de recursos à altura das necessidades que atendam todo universo
daqueles que vivem das atividades relacionadas com o mar, ampliação
dos meios materiais e efetivo de pessoal civil e militar, que proporcione
em paralelo um aumento da fiscalização. Lamentavelmente,
deparamos com o naufrágio do “Estrela Guia I”, quando
pessoas inocentes são vitimadas e o condutor da embarcação,
que não possuindo habilitação, autorizou o excesso
de pessoas a bordo e pior, tratava-se de um barco de pesca que não
podia conduzir passageiros. Será que este irresponsável
desconhecia tudo isto? É óbvio que esta irresponsabilidade
isolada não pode ser imputada à Capitania.
Que este momento de dor das famílias enlutadas possa, de alguma
forma, sensibilizar as autoridades financeiras do Governo Federal, no
sentido de priorizar as reais necessidades da nossa Capitania dos Portos
do Maranhão.
########################################
Israel,
Gaza e Cisjordânia
Elson
de Azevedo Burity
Engenheiro e Capitão-de-Mar-e-Guerra
(RRM) da Marinha do Brasil
Em
14 de maio de 1948, após uma verdadeira dizimação
dos judeus na Segunda Guerra Mundial, durante uma assembléia geral
da ONU, era criado Israel com a divisão da Palestina em dois estados:
um judeu e um árabe. O novo país nasceria em terra habitada
pelos palestinos, sem que houvesse a concordância dos países
árabes vizinhos.
Logo após a chegada dos novos colonizadores, aconteceria o primeiro
conflito ao eclodir a guerra nos anos de 1948 e 1949 com o Egito, Síria,
Líbano e Iraque. A partir daí, a paz nunca mais predominou
naquela região e em 1967 novamente tropas do Egito, Jordânia,
Síria e Líbano invadiram Israel pelo sul, leste e norte,
perdendo mais uma vez a guerra. Após a vitória, Israel avançou
suas tropas para muito além das fronteiras estabelecidas pela ONU,
ocupando ao sul toda a península do Sinai até o Canal de
Suez, ao norte avançou até as colinas de Golan em território
da Síria e a leste ocupou toda a Cisjordânia até a
fronteira com a Jordânia.
A partir daí, Israel formou uma área de segurança
ao longo de toda sua fronteira, prevenindo-se e antecipando-se contra
novos ataques de seus vizinhos.
Em 1982, Anuar Sadat e Menahem Begin assinam o acordo de Camp David, que
permitiu a devolução do Sinai ao Egito. Como os demais territórios
não foram devolvidos, a ocupação israelense provocou
a formação de milhões de refugiados palestinos, que
se viram forçados a abandonar suas terras, alojando-se na Jordânia,
Líbano e Síria. Entretanto, aqueles que não fugiram
e permaneceram em suas terras, passaram a viver como refugiados em seu
próprio território, sem pátria, sem soberania e desprovidos
de qualquer projeto de desenvolvimento urbano, políticas públicas
de saneamento e escolas especializadas.
Não
há registro na história de povos que permaneceram eternamente
dominados, sem rebelar-se e esta longa opressão iniciou um novo
ciclo de retaliação com a formação dos grupos
extremistas Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmico e OLP.
A radicalização da luta contra a ocupação
israelense alcançou maiores proporções quando em
29 de setembro de 2000 o primeiro ministro Ariel Sharon visitou a esplanada
da mesquita de Al Aqsa, que curiosamente situa-se a poucos metros do Muro
das Lamentações, dando-se início a uma Entifada.
Aquela divisão geopolítica é tão complexa
que a cidade de Belém, onde Cristo nasceu, não sendo considerada
terra santa para judeus e muçulmanos, é cultuada pelos cristãos
e militarmente controlada por Israel.
Há três anos, na tentativa de evitar os efeitos dos homens-bomba,
Israel iniciou a construção de um muro cuja demarcação
ultrapassa as atuais fronteiras com a Cisjordânia e abrangerá
cerca de 700Km, possuindo sensores eletrônicos, torres de observação,
cercas de arame farpado e muito armamento, é semelhante ao outrora
famigerado muro de Berlim.
Atualmente, pressionado pela ONU, União Européia e Estados
Unidos, Israel demonstra ter adotado o chamado Mapa da Paz ao desativar
os assentamentos judeus na Faixa de Gaza e Cisjordânia, deixando
as áreas livres para o retorno e fixação de milhões
de refugiados palestinos. Para se alcançar a tal sonhada estabilidade
será imprescindível neste momento que os diversos grupos
extremistas, de ambos os lados, renunciem ao fanatismo religioso e ódio
acumulado durante milhares de anos.
Aquela região considerada altamente perigosa, paradoxalmente tem
a cidade de Jerusalém como terra santa para judeus, muçulmanos
e cristãos de todo o mundo.
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O
Muro de Berlim
Elson
de Azevedo Burity
Engenheiro e Capitão-de-Mar-e-Guerra
(RRM) da Marinha do Brasil
No
término da Segunda Guerra Mundial, para que ocorresse a tomada
do bunker de Hitler, os soviéticos já haviam marchado sobre
a Polônia, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Romênia
e Hungria, posicionando as tropas então comandadas pelo marechal
Zukov no limite da parte oriental de Berlim e os exércitos aliados
por sua vez, estacionaram-se na parte ocidental de Berlim, ficando a partir
de então, virtualmente, dividida e com dois sistemas políticos
implantados, totalmente antagônicos.
Os
Estados Unidos defendiam a expansão capitalista baseada na economia
de mercado, propriedade privada e sistema democrático, enquanto
os soviéticos aplicavam a igualdade social, economia planificada
e falta de democracia, através de um único partido político,
o Partido Comunista. O mundo, a partir de então, bipolarizou-se
politicamente e, em 1948, com o objetivo de desenvolver economicamente
a Alemanha, então arrasada pelos bombardeios, os Estados Unidos
colocaram em prática o Plano Marshall, que oferecia ajuda econômica
para a reconstrução do país. Isto propiciou um inesperado
surto de desenvolvimento no lado ocidental, causando um desequilíbrio
entre as duas Alemanhas e os alemães do lado oriental, menos desenvolvido,
passaram a transpor a fronteira, principalmente em busca de trabalho.
Enquanto o número de refugiados se aproximava dos 3 milhões,
o governo da República Democrática da Alemanha (RDA) principiava,
em 13 de agosto de 1961, a construção do Muro de Berlim,
com o objetivo de sustar o constante fluxo de alemães orientais
para a República Federal da Alemanha (RFA). O muro atingiu um comprimento
de 43 km, sendo 37 km na área residencial, media 3,6 metros de
altura, possuía 302 torres de observação, cercas
de arame farpado, armadilhas, explosivos e 20 bunkers, de onde os soldados
comunistas patrulhavam, atiravam e matavam aqueles que tentassem ultrapassá-lo.
Durante
a sua vigência, 192 pessoas foram assassinadas, mais de 200 feridas
e outras milhares foram detidas na tentativa de fuga para a liberdade
ocidental, sendo presas e condenadas a pesadas penas. Aquele muro, que
nasceu como se fosse uma herança maldita do nazismo de Hitler e
afiançado pelo então líder soviético Nikita
Krushev, encarnava o fracasso do comunismo mundial, resultando num processo
de isolamento dos alemães orientais, separando amigos, familiares
e uma nação inteira, seria derrubado somente em 1989, quando
da derrocada do comunismo, após humilhar, oprimir e privar aquele
povo por 28 anos.
Lamentavelmente,
os erros do passado parece que não serviram de exemplo para os
governantes do presente. Hoje, vemos o Estado de Israel, em nome de uma
política de defesa contra ataques terroristas, decidir pela construção
de muro semelhante que desta vez separe árabes de judeus, considerados
povos irmãos quando do surgimento do cristianismo no mundo.
Resta-nos apenas torcer para que, mais uma vez, a paz mundial possa ser
cultuada de verdade e que os 44 anos de construção daquele
famigerado Muro de Berlim, símbolo de um desastre ideológico
e do fracasso do comunismo internacional, seja apenas a lembrança
de um triste passado contado nos livros da história contemporânea.
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DEVASTAÇÃO
RIMA COM PRISÃO
Elson
de Azevedo Burity
Engenheiro e Capitão-de-Mar-e-Guerra
(RRM) da Marinha do Brasil
Mais uma vez a Amazônia é tema de críticas na imprensa
mundial e desta vez os comentários partiram dos jornais Financial
Times e Independent, da rede de TV BBC e revista Economist. Também
não era pra menos! Como podemos aceitar um crescimento da área
desmatada, somente no estado de Mato Grosso, de 20% no período
de 2003/2004? Os dados recentes do IBGE indicam que a devastação
atingiu uma área total de 26.130Km², equivalente a uma extensão
territorial maior que a Bélgica. Se fizermos uma autocrítica,
não poderemos deixar de constatar que há algo de errado
no controle de autorizações para desmatamento.
Segundo levantamentos do Ministério Público Estadual do
Mato Grosso, aquele estado, sozinho, é responsável por 48%
de toda a devastação da Amazônia, havia irregularidades
na emissão das Autorizações para Transporte de Produtos
Florestais (ATPF) emitidas pelos órgãos ambientais e as
áreas indígenas eram invadidas, exploradas e desmatadas.
Pois bem, há cerca de dois anos e sigilosamente, o assunto vinha
sendo monitorado na esfera federal e eis que ao ser deflagrada a Operação
Curupira pela Polícia Federal, felizmente tudo ficou mais claro.
Descobriu-se que há uma quadrilha ramificada nos estados do Amazonas,
Pará, Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina, Paraná
e Distrito Ferderal, o que levou a prisão de dezenas de pessoas,
inclusive autoridades ambientais do Estado do Mato Grosso e do IBAMA.
As licenças ambientais eram vendidas ao preço de R$2.000,00
e extraídas em nome de empresas madeireiras fantasmas, que ao se
tentar confrontar a localização chegavam-se em cemitérios,
postos de gasolina, casa residenciais e empresas diversas.
Em decorrência, áreas de preservação ambiental
e reservas indígenas foram sumariamente devastadas e toda a madeira
ilegalmente extraída foi comercializada e até exportada,
como o nosso cedro e mogno, que levarão muitos e muitos anos para
serem replantados e atingirem a idade adulta. Para se ter uma idéia
do dano ambiental causado, calcula-se que o desmatamento corresponde ao
transporte de 66 mil caminhões de madeira nobre, que caso pudessem
ser alinhadas dariam para cobrir um trecho rodoviário equivalente
à distância entre Salvador e Curitiba. A operação
que mobilizou um efetivo de 430 policiais federais, ainda conseguiu apreender
vários carros de luxo, lancha e até avião.
Quanto ao
lucro daqueles canalhas, calcula-se que nestes anos a quadrilha conseguiu
abocanhar a quantia de R$890 milhões. A roubalheira era tão
grande que haviam licenças irregulares expedidas para cerca de
431 empresas fantasmas, com o objetivo de “esquentar” os grandes
estoques de madeiras . Graças a ação das nossas autoridades
policiais federais e o profícuo trabalho sempre desenvolvido pelos
Procuradores da República, o Brasil pôde dar uma dura e real
resposta àquela imprensa estrangeira sempre pronta a denegrir nossa
imagem. Agora é o momento da justiça processar os envolvidos:
demissão do serviço público, corrupção
ativa e passiva, estelionato e formação de quadrilha.
########################################.
Aniversário
de uma guerra?
Elson
de Azevedo Burity
Engenheiro e Capitão-de-Mar-e-Guerra
(RRM) da Marinha do Brasil
Ao
findar a Primeira Guerra Mundial, em 1918, pensava-se na impossibilidade
de surgir um outro conflito. Mas a história viria mostrar outra
guerra em 1939 e mais uma vez liderada pela Alemanha, agora sob o comando
de Adolf Hitler, quando suas tropas em 1º de setembro invadiram a
Polônia. A insanidade germânica permitiu a conquista da Europa
e os ataques expandiram-se pelo Mediterrâneo, Índico, Atlântico
Sul, Atlântico Norte, Mar do Norte e Báltico, ocasião
em que centenas de navios mercantes ingleses, americanos, canadenses,
australianos e brasileiros eram afundados.
A ditadura brasileira de Getúlio Vargas, inicialmente, tolerava
o regime alemão, mas, após o torpedeamento dos navios mercantes
Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba e Arará, pelo
submarino alemão U-507, o Brasil declarou guerra aos países
do eixo (Alemanha, Itália e Japão) em 31 de agosto de 1942.
Em 8 de maio de 1945 a Alemanha capitulava diante do avanço das
tropas aliadas, após as forças soviéticas do general
Zukov, conseguirem invadir o bunker onde Hitler comandava aquela guerra
que ceifou a vida de mais de 40 milhões de pessoas. Mas o ditador
não pôde ser preso, pois, não querendo ficar exposto
após sua morte, a exemplo de Benito Mussolini, deixara instruções
para que seu corpo e de sua mulher fossem queimados, após seu suicídio,
que ocorreu ao ingerir cápsulas de cianureto e disparar um tiro
em seu próprio crânio, para ter a certeza da morte.
Com a queda da Alemanha, pôde-se descobrir os famigerados campos
de concentração onde mais de três milhões de
judeus foram assassinados e recuperadas as riquezas saqueadas dos países
dominados, como ouro (uma grande parte oriunda das dentaduras dos judeus
assassinados), jóias, quadros e demais obras de arte. O Brasil
também pagou sua cota de sacrifício, pois dos 25.334 integrantes
da Força Expedicionária Brasileira (FEB), foram mortos 13
oficiais, 422 soldados do exército e oito oficiais da FAB. A Marinha
de Guerra contabilizou 486 mortos, o afundamento do navio-transporte “Vital
de Oliveira”, da corveta “Camaquã” e cruzador
“Bahia”; a Marinha Mercante 972 mortos e 32 navios torpedeados;
e para nosso júbilo a Marinha e Força Aérea conseguiram
afundar 12 submarinos alemães no litoral brasileiro.
Lamentavelmente, a paz mundial até hoje não foi obtida,
a desconfiança e o ódio campeiam pelo mundo: os Estados
Unidos e Inglaterra não se alinham com a China, Rússia,
Cuba, Coréia, Vietnam, Líbia, Líbano, Síria
e Irã; Israel é detestado pelos países muçulmanos;
o Japão não se acerta com a China e Coréia.
Enfim, que os 60 anos do término daquela guerra sirvam para uma
mudança nos rumos das políticas externas dos países
desenvolvidos. A despeito do grande desenvolvimento científico
e industrial, herdamos o flagelo das armas atômicas, a corrida armamentista,
as diversas guerras localizadas e em conseqüência a miséria,
a fome, doenças e desigualdades sociais instalaram-se em diversos
continentes, principalmente na África, Ásia e América
Latina. Fatalmente, o mundo seria muito melhor se os governantes das grandes
potências debitassem grande parte dos gastos em armamentos nas verdadeiras
necessidades das populações famintas e desassistidas.
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AD
SUMUS!
Elson
de Azevedo Burity
Engenheiro e Capitão-de-Mar-e-Guerra (RRM) da Marinha do Brasil
Criada pela rainha de Portugal D. Maria I, em 1797, a antiga Brigada Real
da Marinha portuguesa, que mais tarde deu origem ao Corpo de Fuzileiros
Navais, teve no Brasil sua primeira missão ao garantir a segurança
da família real, que trazendo seus principais efetivos, chegou
ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808, data em que é comemorada
a sua fundação. Em represália à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão, D. João VI determinara
a invasão da Guiana francesa, que após ferozes combates
rende-se em 14 de janeiro de 1809. Estava assim consumado o primeiro batismo
de fogo dos Fuzileiros Navais. Anos se passaram quando na segunda guerra
mundial um destacamento foi instalado na Ilha da Trindade, para a defesa
contra um possível estabelecimento de base de submarinos inimigos,
o que poria em risco a navegação no Atlântico Sul;
foram criadas Companhias Regionais ao longo da costa brasileira que mais
tarde se transformariam nos atuais Grupamentos de Fuzileiros Navais; e
durante muitos anos guarneceram uma série de destacamentos ao longo
de toda a fronteira com a Argentina e Uruguai, cujo comando situava-se
na cidade de Uruguaiana, no estado do Rio Grande do Sul .
Hoje o Corpo de Fuzileiros Navais possui um efetivo superior a 14.000
homens, entre praças e oficiais, oriundos de diversas camadas sociais
e de várias regiões do país. Pertencendo à
estrutura organizacional da Marinha do Brasil e no contexto da estratégia
naval, é empregado na projeção de poder sobre terra
e para tanto são lançados dos navios, empregando embarcações
de desembarque, veículos anfíbios e helicópteros,
ainda contando com apoio de fogo lançado dos navios da esquadra,
aviões e helicópteros. Quando em terra, operam seus próprios
meios, que incluem carros blindados, artilharia antiaérea, artilharia
de campanha, comunicações, guerra eletrônica e engenharia
de combate. Também podem ser empregados em situações
de crises internas, auxílio ao policiamento ostensivo e operações
conjuntas na nossa fronteira amazônica, executando a segurança
em algumas embaixadas do Brasil no exterior e até em campanhas
de vacinação pelo interior ou apoio às vítimas
de enchentes e calamidades públicas.
No plano internacional, em 1965 participaram da Força Interamericana
de Paz na República Dominicana, posteriormente como observadores
Militares da Organização das Nações Unidas
(ONU) em áreas de conflito como El Salvador, Bósnia, Honduras,
Moçambique, Ruanda, Peru, Equador e Angola, e estão presentes
na missão de assistência ao Timor Leste. Atualmente, integram
o Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais no Haiti, contribuindo para
a manutenção da segurança naquele país amigo,
realizando várias atividades humanitárias como atendimento
médico, distribuição de água potável
e fornecendo alimentos para aquela população carente e ainda
apreendendo centenas de pistolas, fuzis e grande quantidade de munição.
Entre as instituições mais antigas do Brasil, os Fuzileiros
Navais são facilmente identificados pelo uniforme vermelho garança,
usado em datas especiais e também são conhecidos em todo
Brasil pelo garbo das suas famosas banda marcial, orquestra sinfônica
e quinteto de sopro. E neste particular, São Luís teve a
grata satisfação de contar com a presença da banda
de música do Grupamento de Fuzileiros Navais de Belém, nos
anos de 2000 e 2001, que aqui fez várias apresentações
públicas, bailes e participou das comemorações do
aniversário do município da Raposa.
Com batalhões e unidades nas cidades de Rio Grande, Ladário,
Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Brasília, Belém, Manaus
e mais recentemente em Tabatinga, na longínqua tríplice
fronteira entre Brasil,Colômbia e Peru , os Fuzileiros Navais, marinheiros
de terra e soldados do mar, constituem exemplo de profissionalismo e dedicação
ao Brasil e à Marinha.
Neste 7 de março ao completar 197 anos de sua fundação,
saudemos todos os bravos combatentes Fuzileiros Navais, que no silêncio
da caserna e no cumprimento do dever servem ao nosso imenso Brasil e,
pela presença nos três ambientes de combate - terra, mar
e ar – cultuam um lema que tornou-se muito conhecido pelos seus
integrantes: Ad Sumus! (Aqui Estamos!).
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Males que vêm
para o mal
Antonio Sepulveda, Escritor
Publicado no Jornal do Brasil em 23/FEV/2005
A derrota do governo foi
uma sova bem aplicada por trezentos insatisfeitos
O
deputado Severino Cavalcanti personifica a maldição
de um país condenado a preservar indefinidamente a pecha de republiqueta
sul-americana, graças à falta de seriedade de suas principais
instituições e ao enxovalho de uma prática política
abjeta. O recente processo eleitoral para a presidência da Câmara
dos Deputados foi o golpe de misericórdia em qualquer pretensão
dos nossos congressistas de passarem à opinião pública
uma impressão mínima de respeitabilidade. O Poder Legislativo
da República Federativa do Brasil encontra-se irremediavelmente
desmoralizado.
As
diferenças entre Severino, Greenhald e caterva são
meramente técnicas, conceituais. Severino talvez seja mais bronco,
mais caricato, mais característico das funestas tradições
politiqueiras desta nossa República emporcalhada por desmandos,
corrupção e incompetência. Eis a verdadeira tragédia:
os demais candidatos interessados, de um modo geral, definitivamente também
não estariam à altura da relevância do cargo. Sob
uma visão exclusivamente tupiniquim, Severino representa o que
o vulgo entende por conservadorismo, o que consideramos uma injúria
àqueles que são hostis a determinadas inovações.
Ele nos parece mais uma criatura engendrada pelo bolor do velho coronelismo
nordestino; e Greenhald, por sua
vez, não passa de mais um dos muitos filhotes bastardos do ridículo
socialismo subequatorial.
Podemos
até concordar que, com uma vitória petista, não
estaríamos em situação melhor; e sabemos que a prepotência
e a insensibilidade das hordas do governo tombaram ante o ressentimento,
a ambição e o instinto de vingança de deputados frustrados
em suas inconfessáveis pretensões, as quais costumam gerar
um conflito acirrado de interesses puramente pessoais. Em suma, a derrota
do governo foi uma sova bem aplicada por trezentos insatisfeitos irresponsáveis
nos igualmente irresponsáveis acólitos do comissariado petista,
todos eles covardemente acobertados pela vilania do voto secreto, inadmissível
numa assembléia representativa que deveria, por definição,
submeter-se ostensivamente ao crivo popular.
O
novo presidente da Câmara, ao contrário do seu conterrâneo
do Executivo, anda a cumprir à risca a palavra empenhada: quer
prorrogar por dois anos o mandato de Lula da Silva com o costumeiro entusiasmo
anticonstitucional dos áulicos de republiqueta; instituiu o nepotismo
seletivo; aumentou os proventos dos deputados, os quais, segundo a figura,
têm salários equivalentes aos dos motoristas de caminhão;
manteve as férias de três meses para toda aquela súcia
de mandriões que só trabalham dois ou três dias por
semana; e promoveu outros agrados, sob a forma de mordomias e vantagens,
com o propósito de saciar a voracidade dos colegas legisladores.
A
patética vitória de Severino veio demonstrar que
os males só vêm mesmo para o mal, ao contrário do
que prega o adágio. Nunca, em sua longa história de cobiça,
velhacarias e presepadas fisiológicas, o Congresso Nacional esteve
tão abaixo de um patamar minimamente aceitável; aos olhos
sempre críticos da população, os deputados, sôfregos
por maiores salários, menos trabalho, mais férias e muito
mais mordomias, são a escória da nação. Nem
o ululante banditismo que aterroriza a desamparada cidade do Rio de Janeiro
conseguiu notoriedade tão negativa. Devemos, pois, reconsiderar,
seriamente, a validade da célebre assertiva de Lula da Silva que
sentenciou serem nossos parlamentares renomados picaretas; tal afirmação
foi um evidente abrandamento da verdade que ora vemos diante de nossas
barbas estarrecidas. Este fato lastimoso resume-se nos sorrisos triunfais
estampados na fotografia de Severino abraçado a Anthony Garotinho,
uma amostra tangível daquilo que nossa política tem de pior:
o escárnio da mediocridade. Esse retrato deveria ser encaixilhado
para adornar o túmulo de nossa esperança por dias melhores.
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Auschwitz: 60 anos
Elson
de Azevedo Burity
Engenheiro, capitão-de-mar-e-guerra
(RRM) e capitão dos portos do Maranhão de 1999 a
2002
E-mail: esburity@globo.com
Foi
com grande tristeza, dor e preocupação que o mundo reverenciou
a memória dos mortos nos campos de concentração nazistas,
que foram assassinados covardemente e sem a menor chance de defesa. Eram
na sua grande maioria judeus, prisioneiros russos, poloneses, ciganos
e homossexuais, que inicialmente eram recrutados como mão-de-obra
escrava, mas a partir de 1942 passaram a ser sumariamente envenenados
em câmaras de gás ou simplesmente fuzilados.
Construído em 1940 e localizado no sul da Polônia ocupada
pelas tropas alemães, o principal campo de concentração,
Auschwitz, transformou-se no maior genocídio da história
contemporânea. Com dezenas de edifícios para abrigar os milhares
de prisioneiros, possuía ainda quatro salões de banho, onde
dos chuveiros saíam gases letais, celeiros para os cadáveres
e fornos crematórios, reservados à incineração
dos corpos. O comandante de Auschwitz era o capitão Rudolf Franz
Höss e o chefe das experiências com seres humanos, o médico
Josef Mengele, que mais tarde se refugiaria no nosso Brasil, onde morreu.
A prática assassina dos nazistas era tão intensa que não
se contentaram somente com um único campo de concentração,
pois outros foram sucessivamente construídos e sempre com a mesma
finalidade: assassinar em massa prisioneiros e povos que não se
alinhavam com as ideologias nazistas. Assim, os números, a seguir
de mortos em todos os campos de concentração, não
deixam dúvidas de que os alemães violaram todos tratados
internacionais, eram simplesmente assassinos, covardes e desumanos: Auschwitz
1.000.000; Treblinka 800 mil; Belzec 400 mil; Majdaek 350 mil; Chelmno
340 mil; Sobibor 260 mil; Maly Trostenets 250 mil.
Para se ter idéia da dimensão da barbárie cometida,
quando as forças soviéticas libertaram Auschwitz em 27 de
janeiro de 1945, foram encontrados gigantescos estoques com cerca de 850
mil vestidos, 350 mil ternos, milhares de pares de sapatos e roupas de
crianças, 8 toneladas de cabelos humanos que serviriam para encher
colchões e travesseiros e ainda puderam ser salvas mais de 7.000
pessoas famintas, desnutridas e que mal podiam se locomover.
Muitos líderes mundiais estiveram lá em recente cerimônia,
montada para relembrar os fatos passados, que teve início com um
apito de trem, simbolizando os deportados que chegavam de diversos pontos
da Europa e Rússia. Ao recordarmos tão triste passagem da
história, quando o mundo reverencia 60 anos da libertação
de Auschwitz, considerado o símbolo da devastação
e barbárie humana, devemos refletir muito e transpor tais fatos
para os dias atuais, quando encontramos ainda milhares de seres humanos
morrendo de fome, doença, assassinatos e atentados.
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Derrubem
aeronaves
Elson
de Azevedo Burity*
Tornaram-se
rotineiras as manchetes estampadas em todo o Brasil retratando os casos
de filhos que matam os pais, guerras de quadrilhas rivais que matam concorrentes
e invadem morros e favelas, envolvimento de policiais com traficantes,
conflitos e assassinatos nas penitenciárias, envolvimento de crianças
na comercialização de drogas ilícitas e a conseqüente
degradação dos princípios morais de milhares de famílias
brasileiras, e tudo tem sua origem, principalmente, na cocaína
e no contrabando de armas.
Com
o advento da Colômbia como principal pólo produtor e exportador
de cocaína, seguido de perto pelo Peru e tendo o Paraguai como
centro exportador de armas, o Brasil tornou-se um grande mercado consumidor
e importador de armas e entorpecentes. Somando-se o fato do crescente
desequilíbrio social naqueles países, ficamos vulneráveis
às quadrilhas internacionais que usam aeronaves para rapidamente
penetrar no espaço aéreo brasileiro e desovar cocaína
e armas que passaram a contaminar um grande contingente da nossa população.
Assim, centenas de pistas de pouso clandestinas são freqüentemente
utilizadas na nossa fronteira, quer na Amazônia, no Pantanal ou
nos estados do sul.
Eis
que, em boa hora, o governo brasileiro sancionou a tão chamada
Lei do Abate, através do Decreto nº 5.144 de 16 de julho de
2004, que entra em vigor no dia 17 de outubro.
Somente
de janeiro a julho deste ano a Força Aérea Brasileira (FAB)
registrou mais de 2.000 vôos irregulares, o que é um absurdo.
Com a instalação do sofisticado Sistema de Vigilância
da Amazônia (Sivam), com radares instalados em diversos pontos da
extensa fronteira amazônica, ficou mais fácil a localização
dos aviões clandestinos que transportam cocaína e armas
para as quadrilhas que atuam no Rio e São Paulo.
Entretanto,
vários procedimentos serão adotados até a consumação
do abate do avião clandestino e as aeronaves de interceptação
da FAB, acionadas pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra),
tomarão as seguintes medidas: reconhecimento à distância;
confirmação da matrícula da aeronave suspeita; interrogação
nas freqüências internacionais de emergência; realização
de sinais visuais; determinação na mudança de rota;
pouso obrigatório; tiros de advertência com munição
traçante; e finalmente o tiro de destruição. São
oito procedimentos seguidos até a aeronave hostil ser abatida,
mesmo assim, será necessária a autorização
final do Comandante da Aeronáutica e ainda não poderá
ocorrer em área densamente povoada.
Parece
que finalmente é chegada a hora de vermos medidas eficazes serem
tomadas para coibir o tráfico de armas e drogas ilícitas
que tanto degradam nossa sociedade. Que surja num céu de Brigadeiro
a esperança de dias melhores para a atual violência que corrói
as cidades, as famílias e a juventude brasileira. E que os traficantes
que insistirem, como até então vinham fazendo acobertados
pela inexistência de uma legislação específica
e rigorosa, com suas ações lesivas ao Brasil, tenham seu
destinos selados pela destruição de suas aeronaves, suas
mercadorias e suas vidas e nós com certeza aplaudiremos a nossa
gloriosa FAB.
Engenheiro,
capitão-de-mar-e-guerra (RRM) e capitão dos portos do Maranhão
de 1999 a 2002
E-mail: esburity@globo.com
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A
derrota do Japão
Elson
de Azevedo Burity
Na
manhã de domingo do dia 7 de dezembro de 1941 um numeroso
contingente de aviões japoneses de caça e bombardeio atacou
a base naval norte-americana de Pearl Harbour, no Hawaí, destruindo
19 navios de guerra, 188 aviões, hangares, instalações
de apoio, oficinas, paióis de munição e combustíveis,
diques e deixando um saldo de mais de 2.000 mortos. Tal fato precipitou
a entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial, mudando o cenário
para as águas do Pacífico, onde se travariam uma infinidade
de combates e batalhas navais entre as tropas comandadas pelo general
Douglas Mac-Arthur e os japoneses do imperador Hirohito. Durante aquele
período vários países foram palco de conquistas japonesas:
Filipinas, Hong Kong, Java, Malásia, Manchúria, China e
Indochina francesa.
Somente
com a vitória americana nas batalhas de Midway, Mar de
Coral, Guadalcanal e Ilhas Marianas, os nipônicos sentiriam o sabor
da derrota e iniciaram um novo ciclo de agressão caracterizado
pelo emprego de armas suicidas como os aviões Kamikaze, mini-submarinos
Kaiten, com um único tripulante, e homens-rãs, que apenas
retardaram a derrota que se aproximava. Em 1945 os dois últimos
focos de resistência caíram, após a conquista da ilha
de Iwo Jima e a seguir Okinawa, com um saldo de 49 mil americanos e 107
mil japoneses mortos. O comando japonês não aceitou a rendição
imposta por Washington e logo a seguir nos dias 6 e 9 de agosto seriam
lançadas as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, quando
mais de 150.000 vidas foram ceifadas instantaneamente, na maioria crianças,
mulheres e velhos. Mesmo assim, havia um grupo de oficiais japoneses que
se opunha à rendição e na noite de 14 de agosto invadiram
o palácio imperial, assassinando o general Mori Takechi, comandante
da guarda imperial, com o intuito de impedir a divulgação
da rendição pelo imperador Hirohito Entretanto, o golpe
fracassou e seus líderes, generais Hatanaka, Shizaki, Koga e Tanaka
suicidaram-se, praticando harakiri em frente do palácio imperial.
Em 2 de setembro de 1945, a bordo do encouraçado
“Missouri”, o ministro Shigemitsu, general Umezu, almirante
Tomioka e outros altos funcionários representantes do governo nipônico,
assinaram a ata de capitulação, diante do comando supremo
das forças armadas de diversos países que compunha aquele
teatro de operações. Posteriormente, era criado o Tribunal
Internacional Militar para o Extremo Oriente, quando 7 generais foram
enforcados e outros 18 líderes receberam prisão perpétua
e nos países invadidos pelos japoneses, ocorreram 174 condenações
à morte e muitos outros japoneses receberam a prisão perpétua,
encerrando assim o processo de punição de todos aqueles
que cometeram crimes contra a humanidade.
Ao relembrarmos a rendição ocorrida há
59 anos, quando se encerraram todos os combates da 2ª Guerra Mundial,
que o sacrifício e sofrimento impostos a milhões de seres
humanos, não sejam em vão e possamos aspirar, cada vez mais,
por dias bem melhores de concórdia e paz neste mundo, ainda, tão
conturbado por atentados terroristas, conflitos e guerras.
Engenheiro,
Capitão-de-Mar-e-Guerra(RRM)
E-mail: esburity@globo.com
########################################.
Dia
do Soldado
Elson de Azevedo Burity
Em
25 de agosto de 1803, onde hoje se localiza o Parque Histórico
Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, nascia Luís Alves
de Lima e Silva, que aos 15 anos de idade matriculou-se na Academia Real
Militar, iniciando assim sua longa e importante carreira no Exército.
Participou de diversas crises institucionais, conflitos e guerras, iniciando-as
em 1825 comandando as tropas na Campanha Cisplatina, em 1837 pacificando
a Província do Maranhão, em 1842 apaziguando levantes nas
Províncias de São Paulo e Minas Gerais e em março
de 1845 pôs fim na revolta farroupilha. Posteriormente, em setembro
de 1851 combatia nas fronteiras dos pampas gaúchos expulsando as
tropas uruguaias do presidente Manoel Oribe e em 1º de janeiro de
1869 terminava com a guerra da Tríplice Aliança ao tomar
a cidade de Assunção, capital do Paraguai.
Um fato que marcou para sempre as ações daquele grande chefe
militar, era o seu caráter de homem simples, mister de sua capacidade
administrativa, técnico-militar, pacificadora e de magnanimidade
e respeito à vida humana, conquistando o reconhecimento até
de seus adversários. Por tudo isso, recebeu durante sua carreira
os títulos nobiliárquicos de Barão, Conde, Marquês
e Duque de Caxias, constituindo-se no único Duque brasileiro, sendo
marechal-do-Exército seu último posto no serviço
ativo. Após ser nomeado por 3 vezes ministro da Guerra do Brasil,
Caxias veio a falecer no dia 7 de maio de 1880, tendo dedicado mais de
60 anos de serviços à Pátria e ao Exército.
Daquela época para os dias atuais o Exército integrou-se
ao longo do território nacional, estando presente em todos os estados
do Brasil, principalmente na região amazônica, representada
por uma área de 5,2 milhões de km², 1/3 das florestas
tropicais da Terra e a maior bacia de água doce do mundo. Lá,
estão sendo ativadas diversas unidades militares que operavam no
sul e leste do Brasil, o que vem permitindo o povoamento em áreas
longínquas e inóspitas, dentro de um trabalho silencioso,
profissional e altamente patriótico. E, neste particular, aqueles
guerreiros que servem nos quartéis da amazônia, adotaram
um famoso grito de guerra: selva!
No plano externo, o Exército brasileiro tem participado em diversas
missões de paz nos mais variados países do mundo: República
Dominicana, Guatemala, Angola, Moçambique, El Salvador, Croácia,
Oriente Médio, Uganda, Ruanda, Ex-Iugoslávia, Haiti, Guiné-Bissau,
Costa do Marfim, Chipre e Timor Leste.
Dentro de um efetivo aproximado de 170 mil oficiais e praças, conta
com a participação da mulher brasileira, que optando como
militar de carreira poderá cursar a Escola de Admi-nistração
em Salvador, Instituto Militar de Engenharia e Escola de Saúde,
ambos no Rio de Janeiro. Quanto aos homens, terão amplas chances
de ingresso através da Academia Militar das Agulhas Negras, Escola
Preparatória de Cadetes, Instituto Militar de Engenharia, Escola
de Administração, Escola de Saúde e Escola de Sargentos
das Armas. São, portanto, milhares de vagas que se abrem para uma
completa profissionalização dos nossos jovens brasileiros.
Dentro de sua permanente modernização, o Exército
ainda participa do Programa Fome Zero, em todos os estados do Brasil;
em missões conjuntas com a Marinha, Aeronáutica e Polícia
Federal na intensa fiscalização das nossas fronteiras, combatendo
o tráfico de armas, o narcotráfico e o descaminho; quando
solicitado pelas autoridades competentes auxilia no combate à crescente
criminalidade, principalmente como ocorreu nas favelas cariocas; e mais
recentemente auxiliando a Polícia Federal no programa de recolhimento
das armas portáteis.
Neste 25 de agosto, instituído como o Dia do Soldado, torna-se
oportuno reverenciarmos a memória do Patrono do Exército,
Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, e de todos aqueles
que deram o sangue e suas vidas no cumprimento do dever, quer seja na
guerra, nas missões de paz, nas operações ou atividades
internas. Enfim, saudemos os militares que na ativa fazem o Exército
de hoje e aqueles que na inatividade não esquecem a famosa frase
de Caxias: “Sigam-me os que forem brasileiros!”
Engenheiro
e Capitão dos Portos do Maranhão de1999 a 2002
Email: esburity@globo.com
#####################################################
Quer
o governo entravar o crescimento?
Alfried
Plöger*
A arrecadação tributária prevista pelo próprio
governo este ano, no que diz respeito apenas à esfera federal,
deverá representar 24,71% do Produto Interno Bruto (PIB), ou 0,9
ponto percentual acima do registrado em 2003. Pior: o aumento da carga
no primeiro semestre irá manter-se no segundo, de acordo com relatório
de avaliação das receitas e despesas mandadas ao Congresso
Nacional pelo Ministério do Planejamento na noite de 23 de julho.
Transformando
os frios percentuais em reais, verificamos que a União já
está contando oficialmente com R$ 4,5 bilhões adicionais
em impostos. Apesar deste reconhecido excesso de arrecadação,
o setor privado recebeu um forte golpe, que teve o agravante de vir de
maneira inesperada: no bojo da Lei 10865/04, um documento extenso, o governo
ofereceu, como surpresa, a restrição à dedutibilidade
das despesas financeiras na base de cálculo do PIS e da Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Tal
dispositivo, que entrou na lei sem explicações ou fundamentação,
eleva substancialmente o custo do dinheiro para as empresas. Trata-se
de mais uma evidência do divórcio entre o discurso e a prática.
Afinal, o governo diz querer que o País cresça, anuncia
medidas de apoio ao aumento da produção, comemora os sinais
de que a retomada está começando, mas insere em uma lei,
um tanto sub-repticiamente – para dizer o mínimo -, um dispositivo
que redunda em maior custo do dinheiro, tão necessário neste
momento para sustentar a retomada do fomento do nível de atividades.
O sentimento que nos fica é o de perplexidade, pois, além
de tudo, o aumento do custo do dinheiro veio em uma lei supostamente destinada
a compor o arsenal da luta contra a cumulatividade de impostos, reconhecidamente
um dos mais sérios entraves ao desempenho da economia brasileira.
A
Associação Brasileira das Companhias de Capital Aberto (Abrasca)
reagiu prontamente. Seu Conselho Diretor decidiu empreender ações
no sentido de aglutinar os esforços de todas as entidades representativas
de empresas, com vistas a revogar o dispositivo contido de maneira tão
surpreendente na lei. Para a entidade, impõe-se o imediato restabelecimento,
por lei, do direito ao crédito das despesas financeiras no cálculo
da Contribuição do PIS e da Cofins, como forma de preservar
o princípio constitucional da não-cumulatividade.
Todos
querem crescer, e há uma série de pressupostos favoráveis
no cenário, neste momento. Hoje podemos dizer - o que raramente
foi possível na nossa história – que dinheiro, o governo
tem. Estes recursos vieram de um arrocho brutal sobre o setor produtivo,
mas está nos cofres oficiais. Assim, o golpe desfechado na Lei
10865/04 sequer teria como ser classificado de "lamentavelmente indispensável".
Observe-se que, só com a Cofins, o governo arrecadou R$ 37 bilhões
no primeiro semestre e, até o final do ano, deverá chegar
a R$ 79 bilhões, cerca de R$ 5,5 bilhões a mais do que tinha
projetado no início de 2004. Em relação ao PIB, seu
peso, que era de 3,9%, vai chegar a dezembro em 4,7%.
A
Abrasca manifesta firme posição contrária ao peso
da carga tributária em geral e aos movimentos e regras legais que
de alguma forma representem entrave aos investimentos das empresas, à
geração de renda e emprego, enfim, ao crescimento do País.
Lembra que o sistema tributário brasileiro tradicionalmente ostentou
o grave problema da cumulatividade de tributos. Nesta linha, na sua criação
a contribuição ao PIS e à Cofins revelaram-se um
exemplo típico de cumulatividade, ou seja, reforçaram a
tendência do sistema brasileiro pela qual, havendo vários
impostos e contribuições calculados sobre o faturamento,
todas as empresas de uma mesma cadeia que concorram para a elaboração
de um produto final pagam impostos sobre impostos, à medida que
os bens intermediários são vendidos de uma empresa a outra.
Como até mesmo o governo reconhece os males de tal reprodução
de custos em cadeia, editou normas, no final de 2002 e de 2003, em que
concedeu créditos calculados em relação a custos
e despesas incorridos.
Em
contrapartida, com o pretexto de evitar a perda de arrecadação,
houve aumento aproximado de 150% das alíquotas. E de tudo isso
resultou mais carga tributária, pois o movimento do governo com
relação à extinção da cumulatividade
não foi completo, apesar do aumento das alíquotas do imposto,
justamente para compensar o que seria deixado de arrecadar. A não-cumulatividade
deixou de abranger o direito ao crédito da totalidade dos custos
e despesas já tributados, ocasionando, assim, um aumento substancial
da carga tributária das empresas. Agora, para completar o arsenal
contra a produção, a Lei nº 10.865/04 restringiu o
direito aos créditos decorrentes das despesas financeiras.
A
sucessão de fatos deste tipo, ao longo da nossa história,
não conseguiu impedir o surgimento e a expansão de uma categoria
de empresas que, contra todos os obstáculos e empecilhos, conseguiu
conquistar espaço no mercado externo e assegurar o atendimento,
pelas forças produtivas internas, da demanda do mercado doméstico.
Mas quantas outras, que poderiam vicejar, acabaram morrendo ou simplesmente
vegetando, por não ter forças para lutar contra tantas adversidades?
Uma
nação cuja máquina governamental esteja de fato empenhada
em promover o crescimento da economia e a qualidade de vida dos seus cidadãos
não toma medidas que só deixam sobreviver as empresas heróicas,
matando no nascedouro aquelas que poderiam vir a sobreviver, ganhar músculos,
crescer, gerar empregos, renda e prosperidade. Esta situação
lembra o diálogo entre dois personagens do dramaturgo alemão
Bertold Brecht (1898-1956), na peça Vida de Galileu. Um deles afirma:
"Infeliz do país que não tem heróis"; e
o outro rebate: "Não, infeliz do país que precisa de
heróis". É isto. O Brasil precisa que suas empresas
tenham condições de investimento e produção
menos díspares em relação às de outros países,
inclusive latino-americanos, para que sua participação na
economia global seja um exercício de competência e profissionalismo
e não o repetitivo roteiro de uma epopéia.
*Alfried Karl
Plöger é presidente da Associação Brasileira
das Companhias de Capital Aberto (Abrasca) e da Abigraf Regional São
Paulo (Associação Brasileira da Indústria Gráfica)
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DISCURSO
DE HENSEL GONÇALVES
Diretor Executivo da Astromarítima/CBR
Apoio Portuário, proferido durante a solenidade de batismo
do Rebocador Alcântara, no porto do Itaqui, no dia 08
de julho de 2004.
Inicialmente,
gostaríamos de registrar a nossa imensa satisfação
pelo fato de estarmos aqui hoje, diante de Autoridades , Parceiros e
Amigos , para proceder ao batismo da nossa nova embarcação:
o Rebocador Oceânico Alcântara.
O
cenário não poderia ser outro que não o
desta região privilegiada que abriga, um complexo portuário
que tem a inexorável vocação de ser um dos mais
importantes do País.
A
ASTROMARITIMA, através da sua controlada a CBR Apoio
Portuário, completou em 2004 mais de 20 anos de operações
seguras no Itaqui, com destaque para o índice zero de acidentes
em todo este período.
Ao
longo desta afortunada trajetória tivemos a prazerosa
oportunidade de conviver e aprender com a comunidade portuária
local. Hoje, podemos considerar a CBR não só uma empresa
100% brasileira mas também uma empresa 100% maranhense. Não
tenham dúvidas todos aqui presentes que a nossa ligação
com o Maranhão certamente tem muitos anos pela frente.
Já
que estamos falando da nossa ligação com o Maranhão,
vamos detalhar um pouco o projeto do Rebocador Alcântara:
O
projeto RAMPARTS 3000 , do Escritório de Arquitetura
Naval – Robert Allan – Vancouver – CA, teve o seu início
de desenvolvimento em 2001, quando nossa equipe técnica viajou
aquele País para discutir o seu detalhamento técnico e
ao mesmo tempo verificar a operação de rebocadores do mesmo
tipo já existentes . Definida a escolha do projeto, procedemos
às modificações necessárias para a obtenção
de um produto final confiável, de alta capacidade de manobra e
com recursos adicionais para reboque, manuseio, salvatagem, transbordo
e combate a incêndio e poluição. Acrescentamos ainda
ao projeto refinados recursos de navegação e comunicação.
Construído
pelo EISA – Estaleiro Ilha S.A. – Rio de Janeiro,
o rebocador foi entregue ä ASTROMARITIMA/CBR no último dia
18 de junho e teve um custo total da ordem U$ 4,000,000. , financiados
pelo BNDES, com recursos do Fundo de Marinha Mercante do Ministério
dos Transportes.
A
partir de hoje o Alcântara inicia a suas operações
no Maranhão e temos plena confiança, de que a jornada será
das mais exitosas. Para chegarmos neste ponto tivemos a chance de contar
com um excelente trabalho desenvolvido pela nossa equipe técnica
e pela tripulação envolvida no projeto. Durante todo o
desenvolvimento e execução do projeto estes dois times
demonstraram altos níveis de qualidade profissional, empenho e
dedicação. Foi justamente este desempenho que nos permitiu
colocar à disposição dos nossos clientes um produto
de primeira linha como o que está aqui diante de nós
Cabe-nos
uma menção também ao EISA - Estaleiro Ilha
S/A, cujas Diretoria, Equipe técnica e operários conseguiram
manter ao longo de todo o projeto , excelentes níveis de produção
e qualidade, além de grande fluidez no relacionamento diário
com a nossa equipe. Estes foram sem dúvida fatores preponderantes
para o sucesso do empreendimento. Destacamos a presença aqui conosco,
no dia de hoje, do Dr. Nobuo Oguri, Menbro do Conselho de Administração
do Estaleiro EISA e um dos maiores expoentes da Indústria de Construção
Naval no Brasil. Dr. Oguri, a sua presença em muito abrilhanta
o nosso evento.
Com a entrada do Alcântara em operação
a ASTROMARITIMA ultrapassa mais uma etapa do seu plano de crescimento,
cujos investimentos atuais montam em U$ 80 milhões destinados
à construção de novas embarcações
de apoio marítimo e portuário, assim como à modernização
da frota existente. Em novembro próximo estará chegando
ao Itaqui o segundo rebocador da série, o “Imperatriz”,
embarcação gêmea do Alcântara.
Nós
da ASTROMARITIMA temos orgulho de poder, com capital 100% nacional
atuar fortemente no setor de navegação, gerando empregos
diretos e indiretos, desenvolvendo novas tecnologias e participando do
crescimento econômico do nosso País. Atualmente contamos
com mais de 500 funcionários, distribuidos por Rio de Janeiro,
Macaé, Natal , Paracuru e São Luis ; e uma frota total
de 18 embarcações. Temos a plena confiança de estar
no caminho certo, especialmente no que se refere à nossa estratégia
para acompanhar o crescimento deste magnífico Estado do Maranhão
e do seu portal de desenvolvimento qual seja o Porto do Itaqui.
Não
poderíamos encerrar nossa fala sem fazer algumas menções
e agradecimentos:
-
A nossa Madrinha, Dnª Célia Grespan Pereira Souza,
esposa do Dr. Nilson Prereira Souza (Diretor da Alumar) pela gentileza
e a honra que nos deu em aceitar o convite e vir até aqui batizar
a nossa embarcação. Ficamos muito gratos Dna. Célia.
-
- A CODOMAR, que aqui nos viu chegar há duas
décadas, e que conosco sempre manteve os melhores entendimentos
visando a expansão do nosso porto.
-
À EMAP, a que agradecemos primeiro que tudo, pela inestimável
colaboração para que pudéssemos estar aqui hoje
conduzindo este evento. O binômio seriedade / competência
tem sido uma característica marcante da administração
desta empresa que, com muito dinamismo e forte abnegação,
certamente conduzirá o Porto do Itaqui ao seu certo destino que
é o de ser o maior porto do País em movimentação
de cargas.
-
- O Consórcio de Alumínio do Maranhão
- Alumar, nosso cliente há 20 anos , parceiro desde os nossos
primeiros passos aqui na região, e que sempre confiou no nosso
trabalho sendo, inclusive, um dos incentivadores do empreendimento que
hoje inauguramos e colocamos à sua disposição;
-
- A Petrobrás, com que trabalhamos em várias
regiões do Brasil, em diferentes tipos de atividades, sendo que
aqui no Maranhão, a Transpetro é o nosso elo de ligação
.
-
- A Capitania dos Portos do Estado do Maranhão,
esta competente unidade da Gloriosa Marinha de Guerra, nossa segurança
no mar e nosso símbolo maior de Patriotismo e Soberania, valores
fundamentais para qualquer nação que tenha o desejo de
ser grande.
-
- A Servprat, cujos profissionais convivem conosco diariamente
executando operações muitas vezes de alto risco e de alto
grau de dificuldade. São vocês os Práticos os maiores
usuários dos nossos rebocadores e também a nossa maior
fonte de retro-informação operacional. Esperamos que vocês
gostem e façam bom uso da nova ferramenta que estamos disponibilizando
para vocês.
-
- O Syngamar e Agências Filiadas, que constituem
um suporte comercial importante para a nossa empresa e por que não
dizer , também para a movimentação geral do nosso
complexo portuário.
- A nossa equipe da CBR em São Luis, que com dedicação
e sobretudo, com muita vibração, mantém a nossa
atividade na linha de resultados com segurança operacional e responsabilidade
ambiental.
o Cumpre-nos fazer uma especial menção ao nosso Gerente,
o Comte. Luis Viegas, a quem confiamos nossas operações
no Maranhão por mais de 20 anos e quem , do nosso Grupo, foi de
certo aquele que por mais tempo e que com maior persistência, perseguiu
a construção de novos rebocadores. Parabéns Viegas
por mais esta conquista.
-
Por fim , agradecemos e enaltecemos o trabalho de todos que
conosco interagem, direta ou indiretamente, e que porventura não
tenham sido citados neste momento já que, para tal, alongaríamos
demais a nossa fala.
Parabéns
a todos, mais uma vez muito obrigado pela honra das suas presenças
e que Deus nos abençoe!
###########################################
O
super transatlântico
Elson de Azevedo Burity *
Muitos
de nós ouvimos falar daquele que no início do século
XX foi o maior e mais luxuoso transatlântico do mundo, o “Titanic”.
Recentemente, vimos no cinema a sua triste história, que, ao realizar
uma viagem da Inglaterra aos Estados Unidos, após chocar-se com
um gigantesco iceberg no dia 15 de abril de 1912, naufragou nas gélidas
e profundas águas do Atlântico Norte, ficando para sempre
a uma profundidade de 4.200 metros e ceifando a vida de 1.513 pessoas,
entre passageiros e tripulantes, quando somente cerca de 300 corpos puderam
ser resgatados para um posterior sepultamento. O tempo passou e, no ano
de 2002, os mesmos proprietários da empresa de navegação
Cunard Line, fundada em 1840 e detentora do extinto “Titanic”,
iniciaram a construção do super transatlântico “Queen
Mary 2”, no estaleiro francês Alstom Chantiers de L’Atlantique
em Saint-Nazaire, França. A cerimônia de batismo que foi
presidida por sua majestade, a rainha Elizabeth II da Inglaterra, contou
também com a presença do príncipe Phillip e, logo
depois, dava-se início a sua primeira viagem, em 12 de janeiro
de 2004, com um cruzeiro entre a Inglaterra, Europa e Flórida.
Embora o “Titanic” nunca tenha atracado no Brasil, desta
vez tivemos a oportunidade de conhecer o maior e mais moderno super transatlântico
do mundo, o “Queen Mary 2”, que, após permanecer um
dia em Salvador, atracou no sábado de carnaval no Rio de Janeiro,
trazendo cerca de 2.500 pessoas e só zarpou para o Caribe na quarta-feira
de cinzas. E, para que isto ocorresse sem problemas, previamente houve
uma dragagem do canal de acesso ao porto e da bacia de evolução,
com a utilização de dragas autotransportadas, o que permitiu
a manobra e atracação daquele navio com seus 345 metros
de comprimento.
Ao penetrar-se naquela cidade flutuante, o luxo e a tecnologia são
predominantes nos seus 17 conveses, que somente acima da linha d’água
equivale a um edifício de 23 andares. As suas características
não deixam dúvidas de ser considerado o maior e melhor
de todos, haja vista o seu preço final orçado em 800 milhões
de dólares: são 22 elevadores, 2.000 banheiros, 3.000 telefones,
academias de ginástica, sala de jogos, 5 piscinas, cinema com
500 poltronas, teatro para 1.100 pessoas, 14 bares, 10 restaurantes,
boate, cassino, bibliotecas, lojas, centro de informática para
navegar na internet, curso de línguas e de história da
arte, e até um planetário. Tudo isso é apoiado por
1.250 tripulantes e o navio pode transportar até 3.100 passageiros.
A velocidade máxima de 30 nós (55,5 Km/h) permite que a
travessia entre Nova York e Londres dure sete dias, independente das
condições do tempo e do estado do mar, mantendo uma excelente
estabilidade durante toda a viagem; toda água consumida a bordo
é tratada e reutilizada para lavagens em geral; e não há
descarga de lixo ou óleo em alto mar.
O luxo e o requinte são tão marcantes, que no restaurante
Queen’s, o mais luxuoso de todos, o traje masculino no jantar é
o smoking. Para que possamos algum dia participar também dessa
maravilha tecnológica, os preços do pacote mínimo,
por pessoa, para uma viagem de 7 dias entre Nova York e Southampton,
na Inglaterra, variam de R$6.400,00 para uma suíte padrão
com cabine interna, ate´ R$26.300,00 para uma suíte Premium
com varanda externa, elevador e mordomo exclusivos.
Enfim, vamos torcer para que essa maravilha dos mares, algum dia, atraque
em São Luís e possa satisfazer o deleite e a curiosidade
do ludovicense e quem sabe um de nós, terá o prazer de
realizar um cruzeiro a bordo daquele que hoje é considerado o
maior e o mais luxuoso transatlântico do mundo.
*
Engenheiro, Capitão-de-Mar-e-Guerra (RRM) e
Capitão dos Portos do Estado do Maranhão de 1999
a 2002
#######################################
PORTO
DO ITAQUI: O ESTIVADOR, O ALUMÍNIO E O AÇO
Paulo Urubatan
paulourubatan@ig.com.br
Aluno do Curso Seqüencial Gestão em Segurança
do Trabalho. (São Luis, abril
de 2004)
O
estivador - Raimundo é nome fictício do
personagem desta história real que não gostaria de ser
identificado, têm o perfil da nova geração de trabalhadores
portuários, jovem estivador com formação secundária
e consciente de sua responsabilidade para com o futuro da categoria.
Conheceu o Porto do Itaqui ainda adolescente quando vinha ajudar o pai
no embarque e desembarque de navios. Observava as dificuldades existentes,
tanto de equipamentos quanto da organização das equipes,
fazia-se muito esforço físico e os colegas pareciam “insensíveis”
com aqueles menos dotados de massa muscular, como o franzino Raimundo.
O aprendiz de estivador ia tomando gosto pelo trabalho, sonhava com um
porto melhor para todos, sabia que o futuro estava na educação
e tinha o incentivo do pai. Em algumas ocasiões sua família
passou por dificuldades financeiras e Raimundo lembrava dos conselhos
do seu genitor em persistir no trabalho honesto, dígno e falava
de sentimentos superiores, era um homem sábio dentro das suas
limitações, queria que o filho estudasse para ser um “doutor”,
achava que a vida de portuário não tinha futuro. Mas Raimundo
em seus sonhos de adolescente sentia que ali poderia estar seu “porto
seguro”.
No inicio da década de noventa, o destino prega uma peça
no nosso personagem, é promulgada a chamada Lei de Modernização
dos Portos, projeto do Governo Federal, que entre outras coisas, normatizou
a utilização da mão de obra portuária avulsa,
impedindo que Raimundo pudesse continuar ajudando seu pai na estiva.
Justamente a modernização com que tanto sonhava o adolescente,
veio impedi-lo de trabalhar. Sofreu uma grande decepção,
mas não se deixou abalar, continuaria ligado ao porto pelo pensamento.
Foi obrigado a continuar seus estudos e trabalho em outras paragens.
Passados alguns anos, já formado e casado, agora mais “racional”
em seus sonhos, surgiu a possibilidade de retornar a trabalhar na estiva,
provavelmente no lugar do seu pai, já aposentado.
Superados os trâmites burocráticos, Raimundo viu-se de repente
na portaria do Itaqui, sentiu um “arrepio na espinha” pois
não sabia o que iria encontrar, como seria recebido e aceito pelos
antigos companheiros que talvez nem lembrassem dele, contava apenas com
o respeito que seu pai deixou na comunidade portuária, iria usar
a “moral do velho” como salva-guarda perante qualquer ato
de rejeição, pensava. Qual não foi a surpresa do
nosso personagem ao pisar novamente a beira do cais, o Porto do Itaqui
havia mudado, a administração era outra, estava até
em processo de certificação ISO, programa de gestão
da qualidade que ele conheceu numa das empresas em que trabalhou.
A maior surpresa foi com relação aos companheiros, todos
uniformizados, utilizando equipamentos de proteção, pareciam
mais disciplinados, mais profissionais, falavam dos novos tempos. A força
física outrora empregada foi substituída por equipamentos,
havia uma empresa especialmente constituída para administrar a
mão de obra portuária avulsa, todos tinham até conta
bancária. Os sindicatos continuavam com sua autonomia, fiscalizando
possíveis irregularidades e na eterna luta pelos interesses da
categoria. Toda esta melhoria parece que “humanizou” mais
o estivador, tido antes como um homem “rude” imaginou Raimundo.
Diante da nova realidade, o jovem percebeu o tamanho da responsabilidade
que se lhe apresentava, agora pertencia a uma geração de
trabalhadores imprescindíveis ao transporte das nossas riquezas,
pois ali estava um dos “portais” do nosso País.
O alumínio - Este
metal chamado de “ouro branco” pelos companheiros de Raimundo
é uma das riquezas exportadas pelo nosso porto. Ë assim carinhosamente
designado, porque sua tonelagem embarcada representa o maior rendimentos
financeiros para o trabalhador portuário avulso, ganham por produção
e quanto mais alumínio se manusear no porão do navio, maior
serão os vencimentos do estivador.
Hoje todos parecem eufóricos, o pátio de estocagem está
cheio de alumínio e haverá um grande embarque num navio
apelidado de “ponte rolante”, é uma embarcação
moderna com dois guindastes de bordo que se movimentam sobre trilhos
de popa a proa e vice-versa, permitindo uma alta produtividade no embarque
do metal.
Raimundo fica observando a agilidade do operador daquele equipamento,
um jovem como ele também filho de aposentado, que após
o treinamento recebido, é hoje um dos melhores guindasteiros da
estiva. Sonha também um dia receber o treinamento e poder operar
aquela máquina, pensa até em fazer um curso de inglês,
pois o equipamento é estrangeiro e seus comandos estão
identificados naquele idioma. Ele acha que todos os trabalhadores portuários
deveriam falar a língua britânica por óbvias necessidades
de comunicação.
Também observa que esta operação de embarque requer
alguns cálculos baseados nas dimensões do porão
versus as dimensões do pálete de alumínio visando
acomodar a carga conforme um plano pré-estabelecido.
Viu que são poucos os que conseguem estender estes cálculos,
imagina que teriam uma melhor qualidade de trabalho se todos entendessem
este método que emprega nada mais do que as quatro operações
básicas da matemática. Raimundo vê a necessidade
de se capacitar mais o trabalhador nas questões teóricas
da estivagem técnica. Reconhece que já foi dado um grande
passo na profissionalização da categoria, mas não
se pode parar por aí, está na hora de iniciar um novo ciclo.
Sabe que para isso, depende fundamentalmente do esforço de cada
um, os cursos existem, basta aproveita-los.
O
aço
- Passado a euforia pelo embarque do alumínio, ele volta a falar
do futuro, às vezes parece um visionário, disse que ficou
muito contente com a notícia do Governador de que a siderúrgica
enfim, seria nossa. Lembrou ter ouvido do colega de seu pai, um “velho
lobo do mar” que trabalhou embarcando chapas de aço no Porto
de Tubarão (Espírito Santo), dizer maravilhas sobre a tonelagem
desta carga. Os guindastes eram modernos e conduziam as chapas através
de eletroímãs depositando-as nos porões com precisão
milimétrica.
Ao citar os guindastes modernos, Raimundo percebeu que faltam cerca de
cinco anos para o Porto do Itaqui se aparelhar apara receber a siderúrgica,
deverá ter guindastes de última geração tecnológica,
e o mais importante, pessoas qualificadas para opera-los, imagina que
os guindastes possuirão até micro computadores em seus
comandos. Aí vieram as perguntas inevitáveis, os estivadores
estarão preparados para conviver com esta tecnologia? Sua mão
de obra será capacitada a tempo?
Outro questionamento veio a tona, com toda esta automação
haverá redução no número de trabalhadores?
O próprio Raimundo responde encarando uma realidade inevitável:
- É um processo seletivo natural onde os mais preparados ficarão.
Conhecendo a atual administração portuária, ele
tem certeza que todos terão uma chance.
Volta a vislumbrar a futura siderúrgica e a riqueza que ela trará
para o nosso povo. Em tom de brincadeira diz que se o alumínio
é chamado de “ouro branco”, já está
na hora de se achar uma coloração para o “ouro de
aço”, filosofa ao dizer que para ele, estes dois metais
nada devem em nobreza ao “rei dos metais’”.
Querendo finalizar esta nossa conversa, o jovem estivador desvia o olhar
para o topo de uma caixa dágua onde foi instalada uma enorme bandeira
nacional e fala que a vocação do Itaqui é ser tão
grande quanto o futuro do Brasil.
Considerações
finais - O que era para ser um texto descritivo sobre
uma atividade do meu dia a dia, acabou quase se transformando numa “entrevista”,
tal foi o rumo que tomou esta “conversa” com o nosso personagem,
espero não ter extrapolado o espaço que me foi destinado
nem as características iniciais deste trabalho. Confesso que me
deixei entusiasmar pelas idéias do Raimundo, não poderia
perder a oportunidade de contar esta história real que envolve
centenas de outras pessoas numa atividade fascinante que é a portuária.
O que me chamou atenção nos sonhos do jovem estivador,
é que podem ser perfeitamente realizáveis, não havia
absurdos, até se preocupou antecipadamente com questões
inevitáveis no futuro como a automação do porto
e o que isso iria influenciar na mão de obra.
Como portuário não pude deixar de sonhar com Raimundo,
as notícias nos jornais sobre a ampliação do Itaqui
e as empresas interessadas em se instalar em suas redondezas, já
me parecem cada vez mais reais. Refletindo sobre esta conversa, lembrei-me
do pedaço de um texto (não lembro do autor) que diz mais
ou menos assim:
“Um sonho sonhado
por um homem é apenas um sonho.
Mas quando todos sonham o mesmo sonho ele passa a ser realidade...”
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ACHARAM
O BISMARK
Elson de Azevedo Burity
Capitão-de -Mar-e-Guerra(RRM)
Capitão dos Portos do Maranhão(1999/2002)
Durante a última guerra mundial, algumas batalhas tornaram-se
famosas ao colocar o poderio bélico a serviço de homens,
que em nome de ideologias e ordens deixaram registrados na história
atos de heroísmo e desprendimento da própria vida. Embora
houvesse na época uma limitação de até 10.000
toneladas para os navios de guerra fabricados, a Alemanha não
se intimidou com as rígidas regras do Tratado de Versalhes e em
14 de fevereiro de 1939 lançava ao mar o couraçado DKM
(Deutsche Kriegs Marine) “Bismark” de 50.000 toneladas, possuidor
de uma quantidade e sofisticação de armamento que o colocava,
na época, como o navio de maior poder de fogo do mundo e em 18
de maio de 1941, o DKM “Bismark” iniciava sua primeira comissão,
sob o comando do Capitão-de-Mar-e-Guerra Ernest Lindemann. O serviço
secreto inglês tinha conhecimento de sua existência e assim,
acompanhado do cruzador pesado “Prinz Eugen” constituíam
a operação Rheinubung, comandada pelo Almirante Günther
Lütjens e que tinha como objetivo destruir as escoltas e comboios
dos navios mercantes aliados que abasteciam, principalmente a Inglaterra.
Em 23 de maio os cruzadores ingleses “Norfolk” e “Suffolk”
detectaram no radar o esquadrão alemão e em seguida os
cruzadores “Hood” e “Prince of Wales” e mais
quatro destróieres iniciavam a busca até avistar o “Bismark”.
Nas primeiras salvas de tiro o “Hood” é atingido em
seu paiol de munição, pelos canhões de 380 mm do
“Bismark” e após explodir, naufraga rapidamente, quando
1.418 tripulantes perdem a vida e somente 03 sobrevivem.
Pouco antes do anoitecer de 26 de maio um avião “Swordfish”
(avião torpedeiro inglês), lançado do porta-aviões
“Ark Royal”, dispara torpedos no “Bismark” e
um deles danificou os hélices e emperrou o leme, que o deixa sem
controle pleno e os mergulhadores de bordo nada puderam fazer na tentativa
de repará-lo. A seguir, na manhã de 27 de maio de 1941
o “Bismark” é cercado por diversos navios ingleses
e atingido por disparos dos couraçados “King George V”
e “Rodney”, quando é afundado com mais de 2.000 homens
e apenas 115 sobrevivem.
Com menos de um mês após sua primeira missão no mar,
naufragava o maior símbolo do poderio naval alemão, o navio
tido como indestrutível e começava ali uma lenta mudança
no predomínio das rotas marítimas do Atlântico Norte,
até a derrocada total da marinha nazista. Anos se passaram, quando
em maio de 2002 uma expedição submarina chefiada por James
Cameron, com o objetivo de resgatar a história daquele navio,
lançou mão de moderna tecnologia ao operar veículos
subaquáticos por controle remoto, capazes de passar por pequenos
orifícios, portas, escotilhas e dotados de grande autonomia ao
utilizar fino cordão de fibra ótica. A expedição
também contou com a participação de dois sobreviventes,
Walter Weint de 80 e Karl Kuhn com 79 anos e numa profundidade de 4.810
metros foi encontrado aquele famoso e tão poderoso navio de guerra,
ocasião em que foi confirmada a avaria sofrida nos hélices
e leme. E assim, congelado pelo tempo naquelas gélidas profundezas
do Atlântico, lá sobrevive o casco do DKM “Bismark”,
que ainda permanecerá por muitos anos como cemitério daqueles
2000 marinheiros que deram a vida por uma causa totalmente perdida.
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A GUERRA NÃO
ACABOU
Elson
de Azevedo Burity
Capitão-de-mar-e-Guerra(RRM)
Capitão dos Portos do Maranhão(1999/2002)
Se fizermos uma análise superficial dos conflitos e guerras que
ocorreram no século passado, veremos que a origem esteve ligada
à combinação de fatores como fanatismo político,
ambições pessoais, cobiça territorial e exploração
de matérias primas. No final todos agressores não conseguiram
êxito nos seus objetivos de uso da força e da dominação
e o saldo sempre foi muito negativo para o país e principalmente
para a população.
Um exemplo clássico foi o que ocorreu antes, durante e após
a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha derrotada de uma anterior
Primeira Guerra Mundial, submeteu-se aos rigores do Tratado de Versalhes
que impunha a volta às fronteiras originais, pagamento de pesadas
indenizações aos países atacados, a título
de perdas de guerra, teve cancelada a convocação do serviço
militar obrigatório e a indústria bélica foi limitada
em seus projetos, que no caso da indústria naval os estaleiros
só poderiam construir navios de até 10.000 toneladas. Mesmo
assim, como ficou registrado na história, em 23 de agosto de 1939
os ministros das relações exteriores da União Soviética
e Alemanha, Molotov e Joachim von Ribentrop, assinam no Kremlin um pacto
de não agressão e secretamente estabelecem uma nova delimitação
das fronteiras no leste europeu e nos países bálticos (
Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia ).
A invasão da Polônia em 1º de setembro veio confirmar
mais uma vez o expansionismo germânico, enquanto os russos atacavam
pelo leste, deixando os poloneses sem qualquer chance de resistência.
Mesmo com os protestos do mundo ocidental e declaração
de guerra da Inglaterra e França, a Alemanha não se intimidou
e em 9 de abril de 1940 invadia a Dinamarca e Noruega e seguindo o firme
propósito de dominar a Europa, em 10 de maio de 1940 era a vez
da Bélgica, Holanda e Luxemburgo e Paris se renderia em 26 de
junho de 1940.
Com a Europa ocidental dominada, Hitler tentou uma rendição
da Inglaterra, o que não conseguiu e logo após, em 22 de
junho de 1941, deu-se início à “Operação
Barbaroxa”, que consistia em invadir a União Soviética,
sem declaração de guerra ou aviso prévio, pelo norte
e centro e somente no sul ao cercar Kiev, os alemães conseguiram
capturar cerca de 665.000 soldados soviéticos. Após meses
e meses conquistando, matando militares e inocentes camponeses, arrasando
plantações, fazendas, residências, vilas e cidades,
a ordem recebida para tomar Stalingrado seria o início da derrocada
alemã no que ficou conhecido como a “Batalha de Stalingrado”,
quando após intermináveis e sangrentos combates, em 31
de janeiro de 1943 o general Friedrich von Paulus, comandante do 6º
exército, rendia-se com seus 300.000 homens.
Estava assim decretada a primeira grande derrota dos alemães.
Ainda em janeiro daquele ano de 1943, Roosevelt e Churchill reunidos
em Casablanca, decidem invadir a enfraquecida Itália, quando em
10 de junho de 1943 dá-se início à “Operação
Husky” com o desembarque de tropas americanas e inglesas na Sicília,
dando início à lenta retomada da Europa, que mais tarde
seria complementada com o famoso “Dia D”, em que uma frota
com mais de 6.400 navios aliados ataca o noroeste da França, nas
praias da Normandia. Em 8 de maio de 1945, ou seja, há exatos
59 anos, o almirante Karl Dönitz , que após o suicídio
de Hitler exercia interinamente o posto de chanceler do Reich, anunciava
a rendição incondicional da Alemanha, decorridos cinco
anos e meio após a invasão da Polônia.
A obsessão pelo poder tornou-se tão banalizada naquela
época que os discursos inflamados de Hitler bem demonstravam o
seu tom ameaçador: “ A terra é um troféu que
passa de mão em mão. Quem quiser viver tem de impor-se
e quem não pode impor-se, não tem valor para viver e fracassará.”
A segunda guerra mundial deixou um saldo aterrorizador de 40 milhões
de mortos, milhares de mutilados, órfãos, enfermos e desabrigados
e poderia ter sepultada de vez todas as futuras manifestações
guerreiras ou de conquistas; mas lamentavelmente isto não ocorreu.
Tivemos assim as guerras da Coréia, Vietnã, Índia-Paquistão,
Argélia, Guerra dos Seis Dias, Irã-Iraque, Angola, Congo,
Ruanda, Cossovo, Bósnia, Golfo, Chechênia, Afeganistão
e mais recentemente a do Iraque, que mais uma vez deixaram milhares e
milhares de mortos, mutilados, doentes, famintos e desabrigados.
É com muita tristeza que hoje não são vislumbrados
dias promissores de paz, amor e fraternidade entre as nações
do mundo. Que este dia 8 de maio, ao se completar 59 anos de rendição
da Alemanha nazista, sirva de reflexão a todos aqueles que fazem
do poder uma arte de governar, para que detenham os diversos conflitos
armados existentes, revejam os gastos atuais com projetos bélicos
de grande envergadura e apliquem as vultosas somas em favor do bem estar
social de milhões de seres humanos que carecem de água,
alimentos, medicamentos, saúde, educação e moradia.
E neste contexto gostaria de citar o conhecido dominicano, Frei Beto,
que atualmente exerce funções na presidência da república:
“Ou partilhamos o pão para obtermos a paz ou enfrentaremos
a catástrofe”.
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Os exportadores
e a nova política industrial
*Por Luciano Bresciani
Em
31 de março foi anunciado pelo governo o novo pacote de medidas
que deverão ser colocadas em prática para promover o aquecimento
econômico interno e o desenvolvimento da balança comercial
brasileira.
Política
industrial é um tema antigo e agora vai gerar muita polêmica
com as aplicações que estão sendo previstas no governo
Lula. Pelo programa, será investido um total de R$15,05 bilhões,
dos quais R$14,5 bilhões serão reservados para financiamentos
de quatro setores considerados pela equipe econômica como
prioritários e estratégicos. Semicondutores e softwares,
farmacêutico, de biotecnologia e bens de capital (máquinas
e equipamentos) foram os segmentos selecionados, pois são transversais
que beneficiam também a outros setores e não apenas suas
áreas específicas.
O
Ministro da Fazenda Antonio Palocci reconheceu que o setor de software
merece um tratamento tributário diferenciado e que a equipe pretende
adotar novas medidas específicas a esse segmento. Software é
prioridade na política porque o país já possui centros
de excelência e dispõe de infra-estrutura montada para avançar,
apesar do forte incômodo que a Índia vem provocando nas
empresas do setor de todo mundo.
O
grupo que recebeu a notícia da nova política com maior
otimismo foi de exportadores e empresários industriais. Vários
indicadores sugeriram a idéia de que a economia brasileira está
em recuperação, se traduzindo principalmente com a melhoria
das vendas externas. Os empresários estão mais animados
em relação a janeiro devido também à ampliação
da indústria, que provocou a abertura de cerca de
13 mil novos empregos, o que vai colaborar para conquistarmos o crescimento
anual desejado de pelo menos 3,5%.
As
maiores expectativas dizem respeito às exportações,
já que o objetivo do Governo é de movimentar no mercado
externo US$2 bilhões até 2006 somente no setor de software
e semicondutores, quantia que torna ínfimos os US$100 milhões
registrados do ano passado. Isso justifica o esforço de reduzir
a carga tributária, de provocar mudanças na legislação
trabalhista e gerar mais agilidade na concessão dos recursos
financeiros. O resultado final será um mercado interno mais forte
e um fácil e eficiente processo de projeção dos
serviços e produtos nacionais em outros países.
O
primeiro passo foi dado: das 57 medidas que o governo pretende aplicar
dentro dessa política, 12 já foram anunciadas e aplicadas
no começo do ano, como a redução de 30% na alíquota
de IPI para aquisição de máquinas e equipamentos
para uso na indústria, também considerada uma das prioridades
para gerar maior movimento exportador.
A
área de comércio exterior será a grande beneficiada
e o governo já abriu frentes de trabalho. O Regime Aduaneiro Especial
de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, o Recof, foi alterado
de forma a facilitar o comércio exterior com maior segurança
aduaneira. Foram reduzidas as exigências de embarque e de habilitação
de novas empresas e também abre a possibilidade de co-habilitação
de fornecedores, o que antes era disponibilizado somente ao setor automotivo.
O compromisso de exportação era de no mínimo US$10
milhões e cairá para US$5 milhões, o que facilitará
o ingresso de novas empresas para se beneficiar do regime, utilizado
atualmente por apenas 12 corporações.
É
óbvio que somente aplicar medidas de redução de
impostos, facilitar financiamentos e dar incentivos fiscais não
são suficientes para promover o aquecimento da economia interna
e gerar crescimento das exportações, se não for
aplicado um conjunto paralelo de ações de suporte às
atividades centrais. A
modernização dos portos e aeroportos, por exemplo, é
ponto fundamental para o crescimento das exportações brasileiras,
pois é necessária a capacidade física para escoar
os produtos de maneira rápida e eficiente. Felizmente, o Governo
deixou claro que a política industrial não se limitará
às ações anunciadas e que essas medidas são
apenas "o primeiro passo".
Concordo
e espero que essa seja apenas a fase inicial, e não o pacote completo
para que o Brasil conquiste o espaço que merece no mercado internacional.
O objetivo é conquistar a meta de crescimento de 12% em relação
ao total exportado em 2003, atingindo a marca dos US$82 bilhões.
Vale ressaltar a viabilidade do projeto desde que as 57 medidas da nova
política industrial sejam empregadas de maneira
estruturada e contextualizada.
O
importante é que as medidas foram bem recebidas pelo empresariado
em geral e que o ambiente está otimista. Essa política
só terá sucesso se desenvolvida sobre uma base sólida,
principalmente no que diz respeito ao governo no momento de organizar
e distribuir as verbas orçamentárias. As medidas da nova
política industrial, isoladamente, são insuficientes. Será
preciso atuar de maneira articulada com os
demais órgãos e entidades representativas e envolver a
maior gama de executivos possíveis. Somente assim conseguiremos
tornar a economia nacional realmente mais competitiva.
*Luciano
Bresciani é diretor comercial da Average Tecnologia,
empresa
especializada em soluções
para o segmentode comércio exterior
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A tecnologia a
favor da balança comercial brasileira
*Por Luciano A. Bresciani
Os
setores de tecnologia da informação e comércio exterior
são atualmente, dois dos mais dinâmicos do mundo. A economia
brasileira não consegue mais viver sem as importações
e as exportações, e a sociedade, sem o emprego da informática,
fundamental para qualquer atividade cotidiana e profissional.
A
tecnologia vem sendo utilizada a favor de praticamente todos os setores
econômicos. Um desses é o mercado de comércio exterior.
As operações de importação e exportação
sofreram um impacto positivo muito grande, com a inserção
de softwares e controles informatizados, oriundos tanto da iniciativa
privada, como também do próprio governo.
A
Secretaria da Receita Federal vem transformando completamente o cenário
do comércio exterior brasileiro com a implantação
dessas ferramentas. Nos últimos seis anos, todas as transações
internacionais realizadas pelo Brasil foram registradas por meios eletrônicos.
Estas
informações, quase que instantâneas, são disponibilizadas
no site da Receita, e tornam-se importantes aliadas na identificação
de mercados consumidores de nossos produtos e serviços.
Antes
da inclusão da tecnologia no setor, a balança comercial
era calculada manualmente e apenas uma vez ao mês, sendo que após
a implementação dos sistemas, os resultados são
conhecidos semanalmente.
A
informatização deste segmento foi marcada pela implantação
do Siscomex - Sistema Integrado de Comércio Exterior, em 1993,
limitado apenas às operações de exportação.
Em 1997 foram implantados os controles de importações,
permitindo ao governo a rápida apuração do saldo
da balança comercial.
Automaticamente
e em tempo real, o Siscomex debita os tributos das contas das importadoras
e faz os créditos na conta da União, um avanço gigantesco
dado pelo setor.
Mas
a informatização do setor não se limita ao Siscomex:
foram criados e implantados outros sistemas complementares - tão
necessários quanto este. Exemplos são o Mantra (Sistema
Integrado do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento de cargas
aéreas procedentes do exterior e em trânsito pelo território
aduaneiro), o Mercante - Sistema Eletrônico de Controle da Arrecadação
do AFRMM, já implantado
nos principais portos do país, e o Sicex (estatísticas
de comércio exterior).
Além
dos softwares implementados pelo governo, empresas de softwares, especializadas
em comércio exterior, oferecem soluções para empresas
importadoras e exportadoras que se integram ao sistema coorporativo da
empresa além da integração com o Siscomex e demais
sistemas governamentais.
Integridade,
agilidade e confiabilidade das informações, controle dos
processos e acompanhamento detalhado das etapas de importação
e exportação, são benefícios diretos da utilização
dos softwares.
Estes
benefícios refletem diretamente em redução de custos,
eliminação de erros e conseqüentes multas, e racionalização
dos recursos humanos necessários para o controle dos processos.
Para
se ter uma idéia da importância da informação
à balança comercial brasileira, vale lembrar que depois
da criação, em 2001, do serviço de contratação
de câmbio para exportação via Internet, o número
de operações deu um salto, chegando a US$ 1 bilhão
no ano passado. Em 2002, as contratações pela rede atingiram
US$ 400 milhões. Hoje 45% dessas operações já
são feitas exclusivamente via web.
Entendemos
deste cenário que a informatização no segmento de
comércio exterior é inevitável, crescente, e principalmente
abrangente, por envolver sistemas governamentais e softwares especializados
da iniciativa privada, integrando as informações e ampliando
os controles, tão necessários nas operações
de importação e exportação.
* Luciano
A. Bresciani é diretor da Average Tecnologia, empresa
especializada em softwares para comércio exterior
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O PORTO DO ITAQUI
Bento Moreira
Lima Neto*
No
próximo dia 01 de julho de 2003, faremos 40 (quarenta) anos de
trabalhos dedicados à construção do Porto do Itaqui.
Naquela manhã nos apresentamos ao engenheiro Cleyton Quinderé,
Diretor do DNPRC – Departamento Nacional de Portos Rios e Canais,
sediado em vistoso casarão na rua da Paz, que nos recebeu cordialmente;
conversamos e, no final, pedimos para visitar o Itaqui.
Tomamos
uma velha caminhonete Rural Wills cinza e acompanhados pelo grande amigo
engenheiro Júlio Rebello dos Santos, que fora nomeado um mês
antes para o mesmo Departamento, rumamos para conhecer as terras sagradas,
onde se pretendia construir um badalado porto, possível redenção
para a combalida economia do Estado do Maranhão.
A
viagem cansativa, dava uma volta interminável pelo aeroporto do
Tirirical, seguia até o Maracanã, circulava pelo povoado
da Alegria e outros tantos lugarejos, todos destruídos mais tarde
pelo imenso canteiro de obras do parque ferroviário da CVRD, acabando
por sair na Vila Maranhão antes de atingir o humilde recanto do
Itaqui, aprazível e de poucos moradores. O asfalto terminava na
entrada do Maracanã, o resto se constituía em uma trilha
com bitolas indefinidas furando o mato sobre areia e lama, cortando pelo
menos cinco riachos caudalosos sem direito a ponte e que, se chovia forte,
as águas subiam tanto que não permitiam prosseguir a aventura
em qualquer tipo de carro.
No
total somava quase quarenta quilômetros de caminhos sinuosos, difíceis
de guiar e sem qualquer apoio logístico a exemplo de borracheiro,
bar, ambulatório, nada. Um “prego” equivalia a uma
caminhada de pelo menos cinco a dez quilômetros, até encontrar
alguém em condições de ajudar e depois voltar ao
carro. Certa feita, já anoitecendo, partimos do canteiro de obras
do porto com o tempo cinzento, ameaçando muita chuva que nos pegou
logo adiante ao som de trovões, relâmpagos que iluminavam
a terrível escuridão e o jeito foi abandonar a viatura
com o motorista dentro, sair andando e nadando para atravessar os riachos
percorrendo mais de cinco quilômetros até encontrar a BR,
onde conseguimos carona em um caminhão que transportava derivados
de petróleo. Chegamos em casa depois de onze da noite, encharcados
e moídos mais com o dever cumprido.
Conhecemos
o Itaqui no meio a uma manhã de Sol radiante onde nos dirigimos
a um conjunto de casas de madeira que serviam de escritórios e
alojamentos para técnicos e operários, ao lado de pátios
espaçosos preparados para depositar estacas pranchas de aço
que se amontoavam em uma linha de pintura; operários fardados
se empenhavam em serviços diversos e alguns mergulhadores, tripulando
pequena lancha de madeira, tentavam a difícil missão de
resgatar estacas retorcidas utilizadas no primeiro gabion, base da estrutura
do futuro porto, que tombara depois de parcialmente cravado, devido a
força das correntes que mudam de direção a cada
hora e com maior intensidade nas marés de sizígia.
Os
sofridos engenheiros de fora ainda não conheciam com inteireza
as particularidades das marés de nosso litoral e, por sua inocência
pagaram caro e deram margem a muitas lendas que hoje enriquecem o folclore
do lugar.
O
Itaqui nos encantou a primeira vista por ser tranqüilo e coberto
de verde; muitas árvores frutíferas, mangueiras, cajueiros
e bananeiras se espalhando nas elevações que cercavam o
reduzido espaço de praia que seria ocupada pelo ancoradouro projetado.
Onde hoje se situam as oficina-garagem e subestação elétrica,
tinha início um sólido enrocamento de pedra granítica
que se dirigia para o mar, poderoso, profundo e traiçoeiro, tomando
conta de tudo.
O
porto veio a ser plantado sobre um aterro imenso que espalhamos, bem
mais tarde, protegido e limitado pela muralha formada de gabiões
e os alinhamentos de pedra. A única construção imponente
que marcava o inusitado lugar era o Moinho de Trigo, obra ousada assinada
pelo saudoso amigo Brito Passos, um dos grandes engenheiros que teve
nossa terra.
Fomos
recebidos pelos administradores da COBRASIL, empresa de fora, que quase
nada conseguiu realizar da complexa estrutura do cais. Emocionados caminhamos
pela pequena praia recoberta de pedras pretas, arredondadas e grandes;
avistamos largas alvarengas recebendo trigo de um navio graneleiro fundeado
em um quadro de bóias distante uns trezentos metros da praia;
na maré alta, rebocadores foram trazê-las carregadas, para
atracar em um muro de arrimo em frente ao Moinho de onde sugadores portáteis
retiraram os grãos deixando-os nas bases dos elevadores dos silos.
Observamos
aquela paisagem iluminada com carinho, a ilha de Guarapirá defronte,
a insinuante Ponta da Madeira ao Norte, o majestoso fundo da baía
ao Sul, as terras de Alcântara a Oeste e chegamos a imaginar que
um dia tudo aquilo se integraria a um esplêndido ancoradouro capaz
de confrontar os maiores do Norte/Nordeste, se a princesa Ina cooperasse
e permitisse. Ela permitiu.
Dedicamos
nossa vida profissional, quase toda ela, a esse objetivo, participando
depois, a partir de 1974, da Diretoria Técnica da Companhia Docas
do Maranhão ao lado de Washington de Oliveira Viegas, Presidente,
e Benedito Salim Duailibe; fomos ajudados por abnegados companheiros,
empregados da empresa de uma dedicação comovente, mais
estivadores, arrumadores, conferentes, mestres, etc, todos dando o melhor
de si para transformar o minúsculo embrião de porto, na
década de 70, na extraordinária porta por onde hoje transita
diuturnamente, a totalidade das importações e exportações
de nosso Estado, ao lado dos Terminais da CVRD e da ALUMAR.
Em
2001, quando a CODOMAR deixou de administrar o Itaqui, ele movimentava
mais de 13 milhões de toneladas de cargas diversas e o Complexo
portuário da Baía de São Marcos, mais de 55 milhões
de toneladas, números impressionantes se comparados com os portos
do país.
Naquele
longínquo primeiro de julho de 1963, jamais poderíamos
imaginar, por mais otimistas que fossemos, vir a acontecer um milagre
assim. Por esse sonho que se fez realidade, acreditamos que valeu a pena
o nosso esforço e o de todos que participaram dessa luta vitoriosa
e concluímos que depois dela, ninguém tem o direito de
duvidar da capacidade de nossa gente e da potencialidade de nossa terra.
Bento Moreira Lima é engenheiro da
Codomar e foi o primeiro Diretor de Operações
do Porto do Itaqui
bentoneto_ma@uol.com.br